Meio Tom Poesia  &  FOTO


dois dentes
de rato no rosto
da janela
de dedos longos
roem
a distância do poema

Carlos Pessoa Rosa 

 

 

que dedo
chupa o pensamento
e roe
dedais esmaltados em idéias
se do preto
sai um rosto arrebitado
em carnosos
poemas?

Carlos Pessoa Rosa 

 

 

que queixo
palavra sopra dedo
se sono
do olhar adormece
relógios
de pulsos dormentes?

Carlos Pessoa Rosa

 

debaixo
do chapéu de aba larga
pensar
sombras em branco e preto
nuanças
no tronco dobrado do homem
a tear
em preto e branco
narrativos
fios de tecidos em luto

Carlos Pessoa Rosa

 

 

 

a cor
decora alambrados
antenas
mosaicos retangulares
do homem
que cede o corpo
ao pintor
anônimo de palavras

Carlos Pessoa Rosa

 

em que
tempestade de verdes
nosso homem
 - mulher -
assenta-se em ruidosos
caminhares
de um tango piazzollante
à la Barenboim
piano-bar de verdejantes
poemas?

Carlos Pessoa Rosa

 

Imagens: Euclides Sandoval