meiotom  poesia & prosa

e-mail: meiotom@uol.com.br

 

   meiotom.blog                                                     

 

ESPECIAL

 André Carneiro

 Eunice Arruda

 Leminski

 J. Cardias

 Jorge Cooper

 Poesia Cubana

 Poema Libai

POESIA

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 POESIA VISUAL

 Almandrade

 Carlos Pessoa Rosa

 Clemente Padín

 F. Aguiar

 G. Debreix

 Hugo Pontes

 José L. Campal

 J.M.Calleja

 Rafael Marin

 Poe-Zine

 Marcos Rosa

 Avelino Araujo

 Thierry Tillier

 FOTOGRAFIA

 Andrea Angelucci

 F. Pillegi

 Euclides Sandoval

 TITE

 GONDIM

ARTES PLÁSTICAS

 Lúcia Rosa

 Felipe Stefani

 Maria Domênica

 Lampros

 DIVERSOS

 Concursos

 Resultados concursos

 Resenhas

 Estatística

Poemas – Alexandra Vieira de Almeida

 

Seu ser 

Seu ser interiorizado no meu olho. Como uma mistura de êxtase e sonho, espasmos de seus matizes fazem uma sinfonia na minha pele. Recordo seu ser como uma sobra de meu olho, meu ser duplicado em ti, reflexo de minha curva no orifício incerto. Não provoque angústia. O sofrimento acasala nuvens que obscurecem minha vista. Na liquidez do azul falseado de minhas pupilas, a morte espera um instante sonâmbulo, despida de vestes negras. Assombro de noites sem um único som. Vejo seu ser na minha retina, minha dobra de outra vida, transfigurada numa lágrima de meu olho cansado e anêmico. Escadaria abaixo, descortina-se o palco de minha sina. Não consigo sobreviver com sua insistência em minha vista que me alucina, me comove e me fascina. Dói minha sombra do outro lado da retina, um pouco de purpurina, sinto sua aridez na minha pupila, faca doentia a me estragar a vista. Seu ser em minha vida, não encontro a saída em meu olhar que quer se desviar de sua sombra projetada no meu olho. Sua perfídia, a encantar espelhos refletidos, águas ardentes a escaldar a minha vista na sua tempestade que chove na minha pupila, seu ser dissolvido no gozo e dor da minha vista.

  

De seus lábios

 De seus lábios,

a doçura de um minotauro acovardado

O laço que nos prende

comove todas as alcovas do mundo

De seus lábios,

a morte que inebria como uma taça de vinho raro

Flores envergonhadas pelo vento

vem cantar a memória de nossos corpos

A vela não se apaga após três doses de sombras

No desenho de seus lábios

a figura de um rubi quebrado ao meio

A floresta lá fora

assusta as feras de seus sonhos de madrugada

Estirpe rara de nosso sangue matrimonial,

de seus lábios vês correr o sangue fatal do sono tranquilo.

O céu ameaça atacar todos os desejos cerimoniais

De seus lábios jaz o dilúvio de um encontro não marcado.

De seus lábios inscreve-se a palavra ignota

de meus anos de espera mal calados

pela esfera incandescente da noite.

De seus lábios, atiras-me no abismo

de monstros e assombrações

De seus lábios, a morte não encontra refúgio

De seus lábios...

  

A palavra-asa

 Barco que se apaga

de meus olhos inquietos

Vejo o céu encoberto

por tua palavra-asa

Astro que cega meus gestos

atira luzes no meu corpo insone

Da máscara de teus versos

vejo a espera dos poetas

A palavra-asa sobrevoa

o papel incansavelmente

E reproduz o refrão

dos pássaros em agitação

A palavra e a asa

conjugam os voos

do delírio e da espera.

  

Céu-Mar

 Céu-peixe

Céu-água

Algas flutuando,

aéreas na face celeste

Estrelas-do-mar

brilhando, piscando no espaço

Reflexo nas águas,

o sol engolindo as escamas

Os peixes morrendo

nos anzóis da lua

Nuvens em forma de golfinhos

Baleias abrindo o céu da boca

com estrelas dentro, o Jonas interno

Divino canto dos cavalos-marinhos

Pérolas piscando como planetas

em volta da concha, o sol que expele

dor e prazer

O mar, abismo do céu,

profundeza dos barcos

que sobem os rios das chuvas

Espelho, água e céu

azul e transparente

líquido e obscuro.

  

Minibiografia

 Alexandra Vieira de Almeida nasceu em 1976. É carioca e reside no Rio de Janeiro. É agente de leitura na SEEDUC/RJ. Tem Doutorado em Literatura Comparada (UERJ). É poeta, contista, cronista, ensaísta e crítica literária. Publicou os seus dois primeiros livros de poemas pela Multifoco: 40 poemas e Painel (2011). Oferta é seu terceiro livro de poemas, publicado pela Scortecci (2014). Publica seus poemas em revistas, jornais e alternativos por todo Brasil. Tem um blog que atualiza constantemente: www.malabarismospoeticos.blogspot.com.