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 Almandrade
Caros amigos,
O baiano Almandrade — persona artística de Antonio
Luiz M. Andrade (1953-) — parece sempre
dividido entre as artes plásticas e a poesia. Talvez ele tenha
percebido que muitas vezes as formas e as cores não conseguem
dizer o que é possível expressar com palavras, e vice-versa.
Então, ele pinta, cria esculturas e objetos tridimensionais e
escreve poesia. Tudo isso entremeado com sua formação em
arquitetura e urbanismo.
Como artista plástico,
Almandrade expõe seus trabalhos desde 1972. Realizou dezenas
de exposições individuais e participou de outras tantas
mostras coletivas. Como poeta, publicou os livros O
Sacrifício do Sentido; Obscuridades do Riso;
Poemas; Suor Noturno; e Arquitetura de
Algodão. Este último, publicado no ano 2000, corresponde a
uma reunião dos trabalhos anteriores.
Uma
característica central dos poemas de Almandrade é que eles
traem a presença do(s) outro(s) artista(s) que há em seu
criador. Os versos são sempre curtos, os textos idem. Em
Arquitetura de Algodão, dificilmente um poema chega a
preencher uma página de alto a baixo.
Parece também (é
apenas impressão de leigo: não tenho a menor condição de dar
palpite em artes plásticas) que Almandrade emprega uma
estratégia comum em suas múltiplas artes: a economia de meios.
Quadros, objetos e versos são enxutos, como que
determinados a extrair a máxima expressão do mínimo de
tintas, de formas ou palavras.
Quatro exemplos desse
esforço de concisão verbal são apresentadas ao lado. Todos
eles são poemas sem título, outra característica marcante na
obra de Almandrade. Aliás, pensando bem, aí está outro traço
comum com as artes plásticas e a arquitetura. É como se o
poeta colocasse palavras acrílicas sobre o papel. Para que
título?
Um
abraço, e até a próxima.
Carlos
Machado
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FLAP LITERÁRIA
Nesta semana,
realiza-se a 3a. FLIP, Festa Literária Internacional em
Paraty, conforme vocês certamente já leram em todos os
jornais. Considerando que a FLIP "tem foco sensacionalista em
autores de best sellers e estrelas de televisão", estudantes
da USP (Direito e Letras), organizaram o que consideram uma
contraproposta: a FLAP. Será um encontro gratuito no dia 16 de
julho, sábado. Na programação, debates com professores de
literatura, críticos, prosadores e poetas.
Data: 16 de
julho, sábado Horário: das 10h às 18h30 Local: Espaço
dos Satyros; Praça Roosevelt, 214 - São Paulo Veja a
programação completa no site do
evento.
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Acrílico sobre
papel |
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Almandrade |
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O
percurso dos séculos espelha rugas na geografia da
pele e atrai o silêncio das notas musicais os que
vão nascer não vão experimentar o futuro vão se
render ao presente.
•
Um
encontro de estórias a escada reta leva ao
vazio entre o suor e o medo um lugar no
espelho.
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Um
nome em branco revela mais de perto o
lugar, esvazia o drama, adormece a
palavra. Lembrança congelada na pele. Janelas
entreabertas, mas a luz não entra.
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A
professora sai da aula voa na imaginação com as
asas coloridas de uma borboleta um corpo na
transparência do erótico um saber na fala uma
arquitetura feminina como a chuva molha o
desejo mas a
água
fria escorre apressada
foge por labirintos indecisos para bem
distante.
 Almandrade — Uma janela para pintura
(1997) Acrílico sobre
tela
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