Meio Tom Poesia  &  Poesia Visual

ALMANDRADE


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

poemas visuais - Almandrade  - 1974
 
versão de poemas do livro Brasil Meia - Meia de Wlademir Dias-Pino - 1966
 
------------------------------------------------------------------

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_visual/almandrade.html

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_visual/relerever.html

----------------------------------------------------------

ARTE: CONFLITOS DO OLHAR


Ao começar esse artigo sobre Antonio Luis Moraes Andrade (Almandrade),
um dos grandes artistas contemporâneos da Bahia desse fim/início de
século(s), tenho por força que falar do sonho, sem que esse sonho seja
uma negação da realidade e sim uma extensão da vida, transformando a
utopia do cotidiano na real necessidade da existência. O sonho, não
como mais uma das dimensões do humano, mas como o único caminho de
possibilidades múltiplas para as suas realizações.

Almandrade surge nos anos 70: em 72 ganha menção honrosa em salão
universitário. Durante a década de 80, participa de três bienais em
São Paulo (XII, XIII, XVI) e vai firmando-se como poeta, artista
plástico, arquiteto e, principalmente, um pensador. Sua arte
desenvolve-se a partir da idéia do conflito entre o discurso e o
objeto artístico.

Insere-se numa geração que vivencia uma época em que o pensamento e
as manifestações lúdicas primavam pelo experimentalismo, na busca de
novas formas de expressão e do dizer, em meio a conflitos sociais que,
com o advento do AI-5 em 1968, ocasionam o fechamento da Bienal de
Artes Plásticas da Bahia, encerrando o sonho de Salvador ser a capital
nacional das Artes Visuais, deixando o Museu de Arte Moderna da Bahia,
criado por Lina Bo Bardi, estagnado por quase uma década.

Almandrade vem conquistando o seu merecido espaço, construindo uma
linguagem de silêncio, pesquisa e rigor na releitura do signo, que em
1980 explode em maturidade, quando o Museu de Arte Moderna da Bahia
começa, realmente, a funcionar, sob a administração de Chico Liberato,
como um museu vivo e atuante, e apresenta a primeira exposição de arte
contemporânea da Bahia: O Sacrifício do Sentido, onde através de
desenhos, objetos escultóricos e textos, nos mostra uma proposta que
tenta abolir o discurso do fazer artístico possibilitando que o
objeto, sua imagem e o óbvio conflito, que vem de sua
observação/elucidação, tornem-se o próprio discurso.

Não vejo como fixas as formas expostas pelo artista, apesar de sua
pesquisa e do modo como utiliza o seu arsenal técnico, nos iludirem
com a fácil observação das formas exatas e estáticas, pois é dessa
aparência que se inicia a desconstrução do significante, tornando-o
mutante e criando um signo que reflete a curiosidade acerca das
expressões do sonho, que sem depender apenas do humano recria-se na
utilização de outros materiais. A obra de Almandrade reflete sua
atitude de artista consciente e sincero, compromissado com o futuro.

.

Zeca Magalhães
------------------------------------------------

Almandrade (Antônio Luiz M. Andrade)
Artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano e poeta.
Participou de várias mostras coletivas, entre elas: XII, XIII e XVI
Bienal de São Paulo; "Em Busca da Essência" - mostra especial da XIX
Bienal de São Paulo; IV Salão Nacional; Universo do Futebol (MAM/Rio);
Feira Nacional (S.Paulo); II Salão Paulista, I Exposição Internacional
de Escultura Efêmeras (Fortaleza); I Salão Baiano; II Salão Nacional;
Menção honrosa no I Salão Estudantil em 1972. Integrou coletivas de
poemas visuais, multimeios e projetos de instalações no Brasil e
exterior. Um dos criadores do Grupo de Estudos de Linguagem da Bahia
que editou a revista "Semiótica" em 1974. Realizou cerca de treinta
exposições individuais em Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Brasília e
São Paulo entre 1975 e 2011. É um dos principais nomes da poesia
visual no Brasil.