Meiotom - André Carneiro


 

curiosidades

ESPAÇOPLENO

ANDRÉ CARNEIRO - ESPAÇOPLENO - O QUE VOCÊ NÃO SABIA?

EMBORA À DISTANCIA "MEIO TOM" PARECE ATÉ "TENTATIVA",  SEMPRE ME ENCHEU DE ALEGRIA, GRANDE COMO SUAS LETRAS QUE LEIO MELHOR DO QUE AS DOS OUTROS.

UM DETALHE CURIOSO SOBRE ESPAÇOPLENO QUE ABSURDAMENTE A ENORME EQUIPE QUE O PRODUZIU ESQUECEU DE NOTICIAR:

O GRAVADOR URUGUAIO LUIZ DIAS RESOLVEU FAZER UMA EXPERIÊNCIA GRÁFICA, SÓ POSSÍVEL PORQUE O CHEFE DAS OFICINAS DA REVISTA DOS TRIBUNAIS ONDE FOI IMPRESSO O LIVRO (MAIOR DO BRASIL, NA ÉPOCA, IMPRIMIAM 70% DOS LIVROS BRASILEIROS) ERA O CÉLEBRE BRUNO DE TOLLA, CONSIDERADO O MAIS COMPETENTE "MESTRE" GRÁFICO DO BRASIL.

INVENTARAM QUE AS XILOGRAFIAS DO LIVRO DEVERIAM SER TODAS "ORIGINAIS", NÃO CÓPIAS FOTOGRAFADAS E TRANSFORMADAS EM CLICHÊS.

PARA ISSO LUIZ DIAS ELABOROU TODAS AS XILOGRAVURAS EM MADEIRA COM A ESPESSURA DE UM CLICHÊ, MAIS OU MENOS 3 CENTÍMETROS. ENTÃO COLOCARAM NA MÁQUINA A MADEIRA ORIGINAL, O AJUSTE TODO MUNDO DIZIA SER IMPOSSÍVEL,  MAS BRUNO DE TOLLA CALÇANDO AQUI E ALI COM CALÇOS INFINITESIMAIS CONSEGUIU IMPRIMIR, GARANTINDO, PELA PRIMEIRA VEZ NO BRASIL (TALVEZ NO MUNDO) UM LIVRO EM QUE TODOS OS EXEMPLARES TRAZIAM NÃO CÓPIAS, MAS XILOGRAVURAS ORIGINAIS.

COMO A EQUIPE, ENTUSIASMADA COM A NOVIDADE, ESQUECERA DE NOTICIAR NO PRÓPRIO LIVRO, HOUVE XINGATÓRIOS, GARGALHADAS, LÁGRIMAS E RANGER DE DENTES.

SE VOCÊS NOTICIAREM  ISTO SERÃO OS PRIMEIROS, LUIZ DIAS ESTÁ VIVO PARA CONFIRMAR.

Um abraço honrado e obrigado do ANDRÉ CARNEIRO

ANDRÉ: FICA O REGISTRO E OBRIGADO PELO DIREITO DA NOTÍCIA. A ESPERANÇA É QUE ALGUMA INSTITUIÇÃO, QUEM SABE O ITAÚ CULTURAL OU FUNDAÇÃO MOREIRA SALLES,  RESOLVAM REPRODUZIR ESTE MARAVILHOSO TRABALHO POÉTICO E GRÁFICO, QUE ESTOU ESCANEANDO E ESPERO PUBLICAR EM BREVE.


O LUIZ DÍAZ TEM AS MATRIZES!!!!!!

Carlos do quê? Gosto de nomes todos.

 

Sim, tenho as matrizes. Não dou, não vendo. As amo. Foi um trabalho feito para a obra de um amigo querido, na casa de quem fiz entrar morcegos, coisa que ele negava que eu fosse capaz!.

 

Mas a real validade do livro, claro, me refiro À forma, não a poesia de André, não está nas ilustrações senão na diagramação, também da minha autoria.

Sempre tinha me  incomodado, ao ler poesia, a falta de ar entre uma e outra.

Achava eu, e acho ainda, que cada poesia é um fato artístico isolado e que, como um quadro, por exemplo, precisa de moldura e espaço em volta. Dai eu ter proposto uma coisa até então, ao que me consta, inédita: que cada poesia, além de ter sua ilustração (hoje seria uma expressão multimídia, né tchurma?) teria sua própria diagramação, com tipos e impaginação próprias.

Desta forma o leitor deveria descobrir o como ler cada uma (vira de um lado, vira do outro) e com isso haveria distância e intimidade diferente com cada uma delas.

E seriam impressas em folhas isoladas, para serem lidas abrindo de esquerda para a direita.

Quando contei a Bruno, ele disse alguns palavrões, referiu-se a estado de insanidade mental de certos uruguaios e, como tinha impresso já com as xilos do grande, grandíssimo Alex Lescotchek (sei lá se é assim que se escreve, podia ver mas tenho preguiça) decidiu que já que alguém era suficientemente doido para fazer as xilos, não seria ele que iria dar pra trás.

Foi feito. Alguém, não conto quem, chamou de caixa de bombons e era elogio.

Foi impresso o livro no papel mais pobre da época, creio que pluma, e encadernado em capa de resma sueca!

Pobreza metida a sofisticada, que deu um resultado inaudito, e na minha opinião, a vaidade que vai se coçar, muito bonito. Era amarrado, o todo, com uma fita de gorgurão 25 de março autêntica.

Da pontinha, meu, se sabes o que é isso.

Luis Díaz

PS. Que é que deu para desenterrar defuntos? Sabes qual a data dessa coisa toda? Março de 1966! Vão-se lá quarenta e tantos anos. E tem mais. As gravuras estão cheias de claves e segredos e mistérios escondidos. Prato cheio, sei lá pra quem.

Querem reeditar? Se alguem tiver uma minerva viva por ai, eu topo.

Pergunta ao André se topa. Ia ser divertido!


O LUIZ DÍAZ E HISTÓRIA DOS MORCEGOS

CHEGANDO A SÃO PAULO, FUI MORAR NO ESTÁDIO do Pacaembu, na residência de estudantes. Uma noite, quando voltava para dormir, percebi grande quantidade de morcegos em revoada. Eram tempos em que o Pacaembu tinha florestas em cada casa e tranqüilidade. Pois então, fiquei a ouvir os gritos dos bichinhos e a imitÁ-los. Consegui. Assim, quando eu descia do elétrico (Machado de Assis, ainda existe!) já começava a chamar com um som produzido pelos lábios sendo chupados. Resultado: caminhava por todO aquele calçadão com uma penca de morceguinhos revoando à minha volta.  O porteiro de estádio, homem lá dos interiores nortistas e supersticioso, percebeu e passou a me olhar com quase terror.

Eu me sentia o próprio Batman!

Uma noite, tendo ido com minha mulher a jantar em casa de André, observei morcegos revoando no seu quintal. Comentei que lá havia morcegos e André disse que não, que eram pássaros noturnos. Não percebi que era para não assustar as crianças (que não se assustam, pelo menos com morcegos) e comecei lá com meus psch, psch. Resultado: três morceguinhos revoando em torno do lustre. O resto pede pra ele te contar, se já não contou

Abraço, que tenho que trabalhar. Cháu!

Luis Díaz


LUCIA-CARLOS-ESPAÇOPLENO OU ( A VERSÃO DO ANDRÉ CARNEIRO SOBRE OS MORCEGOS E MAIS...)

MEUS QUERIDOS

TALVEZ SEJA A IDADE, ALIÁS ODEIO FALAR DELA E JAMAIS CITO NÚMEROS POIS ACABO DE SAIR DA ADOLESCÊNCIA, COM ALGUMAS REGRESSÕES INFANTIS, E COMEÇO A DESCOBRIR VÁRIOS "CAUSOS" E EPISÓDIOS DA MINHA VIDA, DEIXADOS DE LADO. MAS QUE, AGORA, SÃO INTERESSANTES DE REMEMORAR. EVIDENTEMENTE, TODOS OS OCORRIDOS NO MUNICÍPIO DE ATIBAIA, GRAÇAS AO CONTRATO FIRMADO COM MEIO TOM, SERÃO DA SUA PROPRIEDADE, OS DIREITOS AUTORAIS DESTINADOS À FUNDAÇÃO "CHEGA DE ATIBAIA BURRA" PARA IMPEDIR A JÁ QUASE COMPLETA DESTRUIÇÃO DE UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO-CULTURAL E UMA NOTÁVEL SITUAÇÃO ECOLÓGICA TAMBÉM SOLAPADA PELA FALTA DE INFORMAÇÃO.

LEMBREI TUDO ISSO PORQUE VOCÊS FALARAM DE ESPAÇOPLENO. UM DETALHE CURIOSO QUE ATÉ ME SURPREENDEU: UM AMIGO JORNALISTA FOI NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE S.PAULO E SOLICITOU O LIVRO. O ENCARREGADO O INFORMOU QUE ESSA OBRA PERTENCIA AO "ARQUIVO DE OBRAS RARAS" E QUE , PARA SER MANUSEADO PRECISAVA DE UMA JUSTIFICATIVA POR ESCRITO E AUTORIZAÇÃO DO DIRETOR DA BIBLIOTECA. O EXAME PRECISAVA SER FEITO EM UMA CABINE ISOLADA ESPACIAL.

ACHO QUE O LUIZ DIAS VAI GOSTAR DESTA NOTA. Resposta do Luiz: depende do motivo pelo qual ela é considerada especial. Como certas obras na biblioteca do Vaticano o motivo pode ser: Para que ninguém faça uma besteira destas, outra vez!

SOBRE OS MORCEGOS... BEM, CONTAREI O FATO, MAS ANTES CONTAREI OUTRO.

TITULO: A PERFEITA TESTEMUNHA. NAQUELES TEMPOS EU TINHA UMA PERUA KOMBI E TRANSPORTAVA O LUIZ DÍAZ NÃO SEI PARA ONDE. (S.PAULO, NO BEXIGA) UM CARRO ATRAVESSOU EM NOSSA FRENTE, HOUVE UMA BATIDA, PAREI NO MEIO DA RUA E LOGO, COMO ACONTECE NO BRASIL, O MOTORISTA VEIO ME INTERPELAR ME ACUSANDO DE PROVOCAR O ACIDENTE E PRONTO PARA CHAMAR A POLICIA. PARA NÓS DOIS ESTA PALAVRA ERA ASSUSTADORA. LUIZ DÍAZ ESTAVA ILEGAL NO BRASIL, FUGIRA DO URUGUAI POR QUESTÕES POLÍTICAS. EU TAMBÉM VIVIA FUGINDO, O GOLPE MILITAR JÁ MANDARA SOLDADOS ARMADOS DE METRALHADORA EM MINHA CASA. NÃO SEI SE JÁ FALEI DE MEU QUARTO SECRETO. COM O MOTORISTA NA MINHA JANELA A ESQUERDA EU TENTEI PACIFICAMENTE PROVAR QUE A CULPA NÃO ERA MINHA E ERA FÁCIL PROVAR. MEU AMIGO AO LADO PODIA ME CONFIRMAR. VIREI-ME PARA A DIREITA EM BUSCA DA SOLIDARIEDADE DO LUIZ DÍAZ. NÃO HAVIA NINGUÉM. ELE TINHA UM BELO SOTAQUE E QUANDO LHE FOSSE PEDIDO DOCUMENTOS ESTES NÃO EXISTIAM. O LUIZ TINHA FUGIDO DO CARRO HÁ MUITO TEMPO. FIM DA HISTÓRIA: DISSE AO RECLAMANTE QUE EU IA ESTACIONAR O CARRO E FUGI. O olhar do Luiz sobre o fato: Não só eu estava sem documentos como um amigo de André, que também estava na kombi era procurado e foi quem primeiro pulou. Eu subi a Rua dos Estudantes com Fernanda no colo, rumo à Av. da Liberdade e o outro rapaz escafedeu-se na direção oposta. Além de não ter documentos, minha casa era uma verdadeira Embaixada Uruguaia e um dos caras que lá estava era Carlos Tikas, tupamaro acusado do assassinato de um policial en Montevideo. Por outro lado, no apartamento de um amigo meu, o poeta Salvador Obiol, "passava dias" um señor conhecido como "o velho".

TITULO: LUIZ, ENCANTADOR DE MORCEGOS.

O LUIZ ESTAVA ME VISITANDO EM ATIBAIA EM MINHA CASA DE PEDRAS, QUE EU DESENHARA E ESPANTAVA OS ATIBAIANOS. A COZINHA FICAVA DE FRENTE PARA A RUA, COM UM MURO DE PEDRA NA FRENTE. A SALA DE ESTAR DAVA PARA UM BELO JARDIM NA PARTE INTERNA. À NOITE OUVÍAMOS UNS GRITOS ESTRANHOS. UMA NOITE, O LUIZ EM MINHA CASA, ELE LOGO DISSE QUE ERAM MORCEGOS. EU DUVIDEI. O LUIZ ME DESAFIOU, DISSE QUE ERA CAPAZ DE "CHAMAR" OS MORCEGOS. EU LHE DISSE QUE SÓ SE FOSSEM MORCEGOS URUGUAIOS. O LUIZ ABRIU A ENORME JANELA DE VIDRO E COMEÇOU A ASSOBIAR, ACHEI EU, DE UMA CERTA MANEIRA DESAFINADA. A CENA ERA RIDÍCULA. GUINCHOS LÁ FORA E O LUIZ GRITANDO NA LÍNGUA DOS MORCEGOS NA JANELA. DE REPENTE, MINHA MULHER E EU DEMOS UM SALTO PARA TRÁS: UM, DOIS, TRÊS MORCEGOS ENTRARAM PELA JANELA E COMEÇARAM A VOAR DENTRO DA SALA. FOI UM TRABALHÃO FAZÊ-LOS IR EMBORA. O LUIZ, MUITO CALMO, DIALOGAR COM MORCEGOS DEVIA SER UM "HOBBY" DOS ARTISTAS URUGUAIOS TALVEZ. COMO ELE APRENDEU A CHAMAR MORCEGOS? NÃO TENHO A MENOR IDÉIA, ELE QUE EXPLIQUE.

ABRAÇOS DO ANDRÉ

PS - SERÁ QUE JÁ LHES CONTEI QUE EM ATIBAIA EXISTE UMA FAZENDA ONDE HÁ UMA CAPELA DESENHADA E CONSTRUÍDA POR VITOR BRECHERET COM UM MURAL E ESTÁTUAS DE SUA AUTORIA. UMA VERDADEIRA RARIDADE. Resposta dos editores: já contou sim, vasculhei a cidade e ninguém sabe me dizer sobre a tal capela. 

Descoberta a Capela. A fazenda foi dividida entre os herdeiros. A Capela foi tombada. E a terra está à venda.

Recado dos editores ao Luiz: quem disse que você conversava com os morcegos foi o André, não os editores de Meio Tom.


LÚCIA E CARLOS - RETRANSMITO INFORMAÇÕES PEDIDAS PELO LUIS E MAIS HISTORINHAS.

LUIZ DIAS QUERIDO

VOCÊ SABE QUE ENXERGO POUCO (POR FORA. POR DENTRO, ARRANCO TUDO E GUARDO NO MEU ARQUIVO IMPLACÁVEL) POR ISSO FAÇO MUITA LITERATURA AQUI (ESCREVI 23 CONTOS EM UM ANO) EM TIPO 20 ARIAL NO MICRO E SÓ MANDO E-MAILS PARA ALTAS PERSONALIDADES MUNDIAIS, COMO É O PRESENTE CASO.

RESPONDO SUAS PERGUNTAS RESUMINDO MUITO: CENSURADO PELO EDITOR DE MEIOTOM PELO TOM MUITO PESSOAL.

GOSTEI DE VOCÊ ME RELEMBRAR COM MAIS DETALHES AQUELA FUGA COLETIVA DA MINHA KOMBI. TAMBÉM NÃO SABIA QUE ATÉ O "VELHO" ESTAVA POR PERTO. SOBRE ELE, NO FIM QUASE DA SUA VIDA COMPARECI A UM JANTAR DE HOMENAGEM E LHE DISSE AO CUMPRIMENTÁ-LO: "NA MINHA JUVENTUDE SOFRI MUITO POR SUA CAUSA". ELE FOI PERFEITO NA RESPOSTA. ME DISSE: "POR MINHA CAUSA NÃO! PELA CAUSA!" IRONIA DAS IRONIAS, ESTAVA EXPULSO DO SEU PARTIDO.

DETALHE CURIOSO. TANTAS DÉCADAS PASSADAS PARA SÓ AGORA EU SABER COMO VOCÊ CONVERSAVA COM MORCEGOS!...

SOBRE "NIÑAS", VOCÊ NÃO ACREDITARIA...

ABRAÇOS DO ANDRÉ CARNEIRO

 


COM A PERMISSÃO DO LUIZ DÍAZ  (Do Editor: desculpe-me a publicação, mas uma pérola assim não pode esperar)

A respeito do seu projeto, esperar resultados nessa área é privilégio de alguns mutantes que possuem uma glândula grudada no tegumento que rodeia os testículos e o transforma em matéria super-elástica... (FALA DA ESPERANÇA DO EDITOR DO MEIOTOM DE VER O PROJETO DO 'ESPAÇOPLENO' SER RETOMADO POR ALGUMA FUNDAÇÃO) 

A respeito da arte e o entendimento da arte nos dias de hoje, me permito enviar um texto que estou preparando para um Texto de ensino das Artes Visuais, Livro do Professor.

Devido à glândula supra-citada é capaz de tu ler o troço.

Vamu lá

Adendo para ser estudado ainda

Talvez, Sr. Professor note que falo muito em realizações de chargistas, publicitários, autores de histórias em quadrinhos etc. Pois bem, o que o sr. acha que estariam fazendo Rafael de Urbino, Miguel Angel Buonarroti e seus colegas se vivessem entre nós hoje?

Despindo senhoras na Bienal? Fazendo Instalações?

Não. Como desenhistas e pintores eles fariam ótimos anúncios, capas de revistas e livros, histórias em quadrinhos, desenhos animados etc. pois estariam trabalhando no mercado como o estiveram quando viviam. Eles pintavam retratos pois era uma das formas de trabalho, pintavam cristos e decoravam igrejas por que era o serviço que se exigia deles.

Hoje os endinheirados, que no passado pediam retratos a Rafael, Tiziano ou Goya, se contentam em aparecer nas revistas especializadas em mostrá-los em ilhas e castelos e em suas suítes e banheiros. A diferença é que hoje possam satisfeitos, felizes e sorridentes e no passado em geral, ficavam sérios.

As Igrejas não estão interessadas em imagens para ensinar e exemplificar ao povo – o povo assiste Crime na TV – mas em padres que digam missa (happening missal?) dançando e rebolando como artistas de televisão.

Você iria querer comparar Savonarola* com padre Marcelo? Não. Então não comparemos El Greco* com Angeli*. Todos cumprem sua função.

 

Eram melhores que os artistas de hoje? Impossível dizer. Autores como Bilal*, Harold Foster*, Manara*, Hergé*, Frank Miller*, Hugo Pratt*, Goseki Kojima*, entre outros, são tão excelentes quanto o foram artistas do passado.

Mas eles usam fotos e computadores!, dirão alguns.

Leonardo da Vinci, se estivesse vivo, seria amigo do Sr. Bil Gates, e interessadíssimo em informática. E, sem dúvida, dada a multiplicidade de interesses que sempre teve, não duvido que já teria desenvolvido programas excelentes. Que, mantendo a tradição não dariam muito certo e ele os abandonaria na metade, como sempre fez*, por outros interesses.

Nossa época consome histórias em quadrinhos, a deles consumia imagens bíblicas, de santos, retratos de gente importante e batalhas. As batalhas agora são fotografadas por correspondentes, que morrem muitas vezes. E, como não se usa mais, não há quadros de generais e presidentes nos campos de batalha. Mas como podem ver aqui ao lado, no deixam de existir registros que tem o mesmo intuito.

Ilustrar com quadros de batalhas célebres pintadas, ao lado de fotos de generais (Eisenhower, Patton, Rommel, visitando campos de batalha ou ruínas ou tesouros roubados) Quem sabe o próprio Sharon, que hoje dirige Israel, durante a guerra dos sete dias. E capas de revistas mostrando sucessos de guerra. Pode ser a famosa foto do oficial matando um viet-congue e qualquer barbaridade antiga, massacre disto ou aquilo pintado por um clássico.


AO ANDRÉ E AO LUIZ: ESPERAMOS MAIS, NÃO PODEMOS PERDER NADA DAQUELES QUE, VERDADEIRAMENTE, REPRESENTAM ALGUMA COISA NA CULTURA BRASILEIRA. QUE SE * AS GLOBOS, OS ESTADOS E AS FOLHAS DA VIDA, ESSES SIMULACROS QUE CIRCULAM NA MAIOR CARA-DE-PAU.