| Meiotom - André Carneiro |
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pura omissão |
POESIA |
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Você
tem um jeito sensual de
pegar ovos e parti-los com
a dúvida de um
galo enciumado. Sua
sandália de praia já matou formigas
desesperadas para lamber o
ventre da rainha. Aproveito
a gota de sangue na sua pele, meu
consolo envolve o corpo inteiro, mordo
seus dentes, destruo
o cinto de castidade em
aço inoxidável benzido
pelo Papa. A
temperatura da alma escapa
pela boca e
me contamina. Depois
do adultério, a
família debulhada
em prantos, você
ainda reclama o
orgasmo ter sido descrito sem
eróticos detalhes. Na
crônica cotidiana o
lugar-comum restabelece a virtude, oculta
no poema, impávida, você
permanece além de todos os enganos.
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