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meiotom poesia & prosa |
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meiotom.blog POEMA DE ÂNGELA CASTELO BRANCO |
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Do caminho |
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1. Do silêncio I Sentado à praça, o atenorado senhor lê os breviários de tão afortunada vida.
Mais tarde, no quarto, ao lado da coleção de insetos, desdobra o bilhete que outrora, quando moço, endereçou a si: - debaixo da pele carnificina-
2. Do Silêncio II No banho, a moça cala o corpo, enrubescida — a mãe irrompe à porta — não vê a hora de ocupar-se uma vez mais, das roupas de baixo da filha. 3. Do Silêncio III turíbulo na mão, início de presença mas a fumaça não ascende névoa nos óculos das senhoras da primeira fila fogacho de meia-idade. 4. Do Inabordável eu já era Nos alicerces da casa de batismo Na maçaneta que destravava os dias a procura pelo fio — o desejo de amar o mundo — 5. Da Acídia na encosta da mulher fios desencapados soldam a ligadura Destravo a fome e o fogo se instala em carne viva sou beirada 6. Do Sagrado Faz um calor. O burburinho abotinado dos pés anuncia um passo. As pedras aguardam no pó. Nenhuma ave rasgou, nenhum réptil umideceu o ar. No lugar um repouso. Na respiração a única via. O silêncio recorda o corpo. E o que teima é saber o quanto temos do dia. 7. Da Precisão quando me aproximo do espelho tudo é vermelho entre nós. 8. a Missão é a única coisa que resta antes de partir. 9. Existindo já era a forma de ser aquilo que queria, não esforçando a feitura de um outro mais bem acabado, sabia que mesmo sem se mover já estava sendo. O olho do outro imediatamente me dizia quem eu era, destravando todas as possibilidades que vagavam na lembrança. Quantas vezes tentei ser outra e tantas vezes fui a mesma. 10. Crescer nos torna menores E uma flor a mais é o suficiente. 11. Um salto por vez. Nunca o fatal. Vivo para o preparo de uma refeição que nunca será comungada. A eucaristia final é terrível, não pode ser praticada. 12. A dobradiça da porta contém a possibilidade de morrer de luz. No mergulho não há espaço. É como olhar para trás e encontrar uma parede e, num gesto desesperado, dar um passo adiante e encontrar ela mesma.
Lado a lado com a parede
fica-se mais dentro de si. A saída é deixar a oura vida entrar. 13. Não me olhes com os olhos de ontem. Não será possível nenhuma ponte entre nós. Olhe-me hoje, façamos um vocabulário do sol claro na janela, da noite que passamos solitários que sustenta esta vontade no olhar. 14.
Um salto por vez. Nunca o
fatal.
Ângela Castelo Branco mora em São Paulo, é mestre em Educação e membro do Atelier do Centro- SP (espaço interdisciplinar de formação em arte), atua na formação de educadores e artistas. Possui um livro de poesias publicado pela editora Laser Print: “Orações” (2008) e dois livros independentes: “Oferenda” (2008) e “O que digo, O que me diz” (2009). Atualmente escreve poemas em interlocução com o artista plástico Rubens Espírito Santo. Site do atelier do centro: www.atelierdocentro.com Blog:www.angelacastelobranco@blogspot.com E-mail: angela.ito@bol.com.br |
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