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Esfinge
o amor
não é apenas um nome
que anda por sobre a pele
um dia falo letra por letra
no outro calo fome por fome
é que a
flor da tua pele
consome a pele do meu nome
cravado espinho na chaga
como marca/cicatriz
eu sou ator ela esfinge
clarisse/beatriz.
assim vivemos cantando
fingindo que somos decentes
para esconder o sagrado
em nossos profanos segredos
se um dia falta coragem
a noite sobra do medo
na sombra da tatuagem
sinal enfim permanente
ficou pregando uma peça
em nosso passado presente.
o nome tem seus mistérios
que se esconde sob panos
o sol é claro quando não chove
o sal é bom quando de leve
para adoçar
desenganos
na língua na boca ou na neve
o mar que vai e vem não tem volta
o amor é
a coisa mais torta
que mora lá
dentro de mim.
teu céu da boca é a porta
onde o poema não tem fim.
Artur Gomes
In Fulinaíma Sax Blues Poesia
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