Meiotom - Poesia


 

ESFINGE

ARTUR GOMES

                         
Esfinge

o amor
          não é apenas um nome
      que anda por sobre a pele
      um dia falo letra por letra
 no outro calo fome por fome
      
            é que a flor da tua pele
consome a pele  do meu nome

cravado espinho na chaga
         como marca/cicatriz
       eu sou ator ela esfinge
                clarisse/beatriz.

       assim vivemos cantando
fingindo que somos decentes
        para esconder o sagrado
em nossos profanos segredos
        
se um dia falta coragem
  a noite sobra do medo
na sombra da tatuagem
         sinal enfim permanente
      ficou pregando uma peça
em nosso passado presente.

o nome tem seus mistérios
 que se esconde sob panos

o sol é claro quando não chove
      o sal é bom quando de leve
           para adoçar desenganos
   na língua na boca ou na neve

o mar que vai e vem não tem volta
            o amor é a coisa mais torta
           que mora lá dentro de mim.
teu céu da boca é a porta
onde o poema não tem fim.

Artur Gomes
In Fulinaíma Sax Blues Poesia