Meiotom - poesia


 

DESFILE

CLEISE MENDES


Vamos dançando nossa dança nestes ciclos
ou os ciclos nos dançam rodopiam
e as saias sobem descem
ao sabor do vento e das revistas.

Funcionários da superstição
colando números em cada volta,
faces negras morenas amarelas
tornam-se brancas/ no girar do disco.

E os números resultam numerais,
são sinais de marcar em tinta e medo;
carimbamos no vento que desliza
acaricia e enruga-nos a sombra
que não se sabe sombra e sempre curva
morde e remorde a imaginada carne.