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prostitutas não beijam na boca |
PAULO CONDINI |
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PROSTITUTAS
NÃO BEIJAM NA BOCA Clichês
e estereótipos, muitas vezes, cumprem um papel fundamental quando se trata
de tornar mais claras certas idéias. Estou
falando do lamentável episódio da escolha do novo presidente da Câmara
Municipal de São Paulo, cujo desenlace é do conhecimento de todos. Fatos
deste tipo nos obrigam a aceitar que, nos últimos tempos, os significados de
certas palavras mudaram muito. Por
exemplo, o de traição. Antigamente,
os traidores agiam às escondidas, pois tinham a clara noção de que
traição significava quebra
da fidelidade prometida e empenhada por meio de ato pérfido,
como a definem os bons dicionários. Hoje
se trai abertamente, porque o conceito vigente, especialmente para certos
tipos de políticos, é o de que ela não existe, com base no argumento de
que toda e qualquer ação é justificada pelo
seu bom êxito prático, notadamente no campo pessoal. Num
primeiro momento me ocorre o pensamento de que, em nossa terra, é comum
que esses políticos se vendam com o mesmo despudor das prostitutas. Mas
imediatamente rejeito a imagem. Nós
também sabemos que a prostituição é, na imensa maioria dos casos, a
única saída para quem não tem outra perspectiva de vida. Diferentemente
desse tipo de político, a prostituta vende seu corpo, mas
guarda para si o que pensa e acredita. Diferentemente
desse tipo de político, a prostituta vende seu corpo, mas
não beija na boca.
Paulo
Condini Escritor Rua
São Benedito, 898 04735-002
– SÃO PAULO - SP |
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