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Um sujeito mareado
1
Difícil é andar
Se se está mareado
Sobre a, da praia,
Areia.
Como bolhas
Saem, quando
(as palavras)
Com, na garganta,
O mar, fala-se.
Entre coqueiros
E divãs psicanalíticos
O ar, bombardeando,
É, se se está mareado,
Aquário esilhaço.
Meu nome,
O mar sabe,
Quando sou mareado.
2.
O ar que me falta
O chão que me salta
A escuridão me resvala.
O mar quer me consumir.
Ou não quer?
Quando o mar me embala
Em suas correntes
Contra-correntes
Nem consigo escapar
Do lugar-comum
Do estômago
Me revirando
Não penso flores
Nem mesmo em fôlego
Na falta de fòlego
Que sou
Quando o mar
Me oprime.
Não oprime?
Oprime?
Apruma um troço em seu ventre de sal.
3.
eu disse uma
eu disse duas
eu disse três
você não ouviu?
- rio
outra vez
eu disse uma
eu disse duas
eu disse três
nada?
mais uma vez
eu disse uma
eu disse duas
eu disse três
na mesma?
- oceano
a esmo.
"mesmo duas vezes o devido é belo dizer" (e quem disse isso
outrora foi
menino,
menina, arbusto, passarinho e, nadando em verde mar, peixe mudo)
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