| Meiotom - poesia |
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daniel faria |
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Feridas Marinhas
Primeira Ferida
Pássaro de bico pontiagudo Que absolutamente não canta
E fere meus olhos.
Inocula um líquido negro e denso,
Negras
lunares
Pássaro daninho:
Depois disso Em tudo o que digo Sinto Um odor de pétalas negras.
Segunda Ferida
Vocês nem perceberam Mas lentamente Um mar aqui crescia.
De águas pesadas e absinto Verde apenas na aparência Da superfície lisa –
Sob a pele fina, Uma substância escura, Outras águas lunares Fervendo geladas, Águas natimortas que cresciam O mar que aqui crescia.
Vocês não viram, não vêem, Porém seus olhos Perderam o brilho E seus dentes trincaram Sob as insidiosas águas Do mar que aqui cresceu.
Vejo Um corpo à deriva Sem olhos De dentes amarelos E pele cinza Preso naquelas gaiolas
Aquelas que os mergulhadores usam pra se verem livres Dos tubarões.
Vejo o corpo E sei que ele é frio Porém vivo
(com sono, fecho a tela Verde-líquido)
Os filhos da ferida
Fulano nasceu com a bunda pra lua. Sicrano vive no mundo da lua. Beltrano comeu sarapatel de lua.
Os 3 lunaquáticos da beira-mar!
O primeiro uiva O segundo rosna O terceiro grasna
E vão matando em si o mar e a lua. |
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