| Meiotom - poesia |
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daniel faria |
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70 personagens de um
romance Inacabado de Lima
Barreto
O medíocre aponta o dedo pra
lua, pra melhor ver o próprio
dedo. Citação tirada da placa inaugural da rodoviária de Uberlândia.
É tudo sempre o mesmo Marlon. Eles vivem no mundo Da lua e escrevem Por encomenda, nos rigores do método Taylorista enfiam a viola no saco e tomam O café Melado de açúcar. Paus pra toda obra Fazem de tudo Pra "introjetar" Que a corporation é uma corporação De ofício: de fato Se vê romantismo Nesse lance de relatório Artesanal. (Mas num ônibus ninguém Os distinguiria De uma excursão de gerentes de bingo). São fodidos Pedindo emprego, A missão da empresa é dizer que: A cidade é boa, a terra É fértil; ubérrima Diria Policarpo Quaresma, Um sonho tornado real. No coro dos infelizes Você pensa que é Especial porque usa um blog Como escarradeira e não quer Ser confundido Com os gerentes de bingo: "Minha camisa Amarrotada É minha bandeira" ou A estátua tem Uma cabeça grande E brilhante E um corpo de dar Inveja Aos cães amestrados Com seus diplomas iluminados Pelo luar do sertão Mas as notas de rodapé São de barro (O sonho apocalíptico De Daniel). Uberland - Ubermensch, É latim, é inglês É alemão É a finitude Do homem ocidental É a hermenêutica pós-moderna É o festival de citações A carta na manga e o bolso vazio À sombra dos clones De Roberto Justus. É o lirismo Do pesadelo acadêmico. É a poesia Sem charme Dos concursos, escrita Com os tipos dos carimbos[1] Que não deveria ter sido Escrita, Não merece ser lida.
[1] Carimbo: etimologicamente, o ferro em brasa usado pra marcar os escravos que saíam de Luanda. Escravos como Aristóteles, mas sem o consolo da filosofia, fechada para o balanço. Falida.
Provérbios do Inferno: "O pássaro o ninho, a aranha a teia, o homem
amizade." |
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