Poema brechtiano
para
um 31 de março esquecido
a noite é clara
no
terreno baldio
uma centena de jovens
que mal batem à máquina de
escrever
esperam armas de fogo, o combate
que não
acontecerá.
a cidade-monumento, a cidade-estátua
a
cidade-mármore
não foi feita para isso
e se cobrirá de
esquecimento.
mas naquela noite
provavelmente depois de um dia
chuvoso
quando os pais resavam
ou simplesmente dormiam
o sono dos
justos
os filhos aprendiam a diferença
entre o sereno e o
gatilho
entre o pequeno e inútil gesto de bravura
e a fuga daqueles
que acenderam a pólvora.
nunca mais os ônibus circulariam daquela
forma
com aquela ansiedade
de quando conduziram os combatentes a
seus lares,
após deporem a munição inexistente.
a cidade
respirou aliviada
vencedores e vencidos partilharam o butim.
mas
não se negará que houve heroísmo nesta
história.