Meiotom - poesia


 

título: aprendendo a voltar

Pedro Du Bois

XIX

em cada gesto
a lembrança estraçalha:

                                o menos se transtorna
                                em mais que nada

a fome e a sede se completam
nas desgraças: o sentido confuso
leva o rosto ao espelho

                           minha imagem
                           refletida
                           na solidão
                           do quarto

a luz apagada multiplica
o espaço inacabado: em cada
canto o instante anterior
estabelecido no remorso

                 depois: o sono atravessa
                 a noite, a manhã me atrasa.


(Pedro Du Bois, em APRENDENDO A VOLTAR)