Meiotom - poesia


 

título: resposta

Pedro Du Bois


Dúvidas permanentes cobrem o espaço
vazio de lamentações e gritos;
de nenhuma razão falamos aos filhos,
as lutas inglórias do passado
são meras referências do que não fizemos;

estarmos aqui poderia ser a resposta,
fosse outra a hora e fôssemos outros seres
de igual ressonância e magnetismo,
não mentirosos obscuros
e irreais mascates das estradas;

o destino exige pertinência e o castigo
não aplicado; os castigos empobrecem
os espíritos, como luas em noites
sem nuvens: a visibilidade atrapalha
o mistério e dá cores ao imperfeito horizonte;

deveria ser cinza, claro ou escuro,
cinza e apenas cinza em singeleza;

as respostas acendem luzes,
abrigam novas perguntas,
geram respostas: o saber,
o tecnológico saber salva vidas
e as perde em semânticas;

estarmos no acaso da passagem
ou sermos permanentes inquilinos
- proprietários sonham alguns -
desse lugar ignorado na seqüência dos planetas;

vida, apropriada maneira de não nos sentirmos
sós e perdidos no universo: único conhecido,
único vislumbrado em milhões de quilômetros
de anos ditos luzes, nas limitações do corpo;

físico esforço ao se lançar ao espaço: queda,
volta, revolta e sonho; revoltas acalentam sonhos,
tumultuam o sono; ir embora, o planeta inapetente
à renovação; ter em mãos os projetos, verdadeiros
tesouros que nos levarão aos ares
e não nos trarão de volta;

os primeiros corpos situados além das forças
desprezam a gravidade que aqui nos protege,
entendem que os corpos em músculos, ossos,
nervos e neurônios em elétricas conexões
e contatos são deuses livres aos espaços.


(Pedro Du Bois, em POETA em OBRAS, Volume X)