Meiotom - poesia


   

Pedro Du Bois

DA SERVENTIA DO OBJETO

Ao objeto é dado o direito
de se manter imóvel
e quieto no seu canto:
pode ser movimentado pelo vento
que insufla a cortina e o joga
armário abaixo, onde se quebra

       o objeto se multiplica em pedaços
       que são colados deixando à mostra
       as cicatrizes da queda: amizades
       restabelecidas após mal entendidos;

o objeto pode ser jogado fora sempre
que desnecessária a sua permanência: em caso
de morte do proprietário, os livros
em bom estado fazem as honras
dos objetos e são vendidos
em primeiro lugar,
por quase nada.

(Pedro Du Bois, em OS OBJETOS E AS COISAS, XIII)