| Meiotom - poesia |
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edson bueno camargo |
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Mostruário-21. Edson Bueno
de Camargo nasceu em Santo André - SP, em 24 de julho de 1962, mora a
partir de seu segundo dia de nascimento em Mauá –
SP. Publicou: “De
Lembranças & Fórmulas Mágicas” Edições Tigre Azul/ FAC Mauá -2007; ”O
Mapa do Abismo e Outros Poemas” Edições Tigre Azul/ FAC Mauá
-2006, “Poemas do Século Passado-1982-2000”
edição de autor - Mauá - 2002; “Cortinas”, com poesias suas e de Cecília
A. Bedeschi - Mauá - 1981; participou das antologias poéticas “As Cidades
Cantam o Tamanduateí que Passa”.da Prefeitura do Município de Mauá – Mauá
- 2003 e “Poesia Só Poesia” Editora Novas Letras – São Paulo -
2004. Junto com os amigos escritores da cidade de
Mauá-SP, edita o fanzine aperiódico "Taba de Corumbê". Premiações: PRÊMIO LITERÁRIO CANTEIROS
CULTURAL 2007 – classificação para publicação em
antologia; 3º CONCURSO NACIONAL DE POESIA - COLATINA 2007 PRÊMIO
“FILOGÔNIO BARBOSA” -
2º lugar com o poema “serpentário” e Menção Honrosa com o poema
“esquisito”; Menção Honrosa - 17º
CONCURSO NACIONAL DE POESIA "HELENA KOLODY" 2007; 1º lugar do PRÊMIO OFF-FLIP DE
LITERATURA – 2006 – categoria Poesia; Menção Honrosa - 24o CONCURSO
LITERÁRIO YOSHIO TAKEMOTO Participa do grupo
poético/literário Taba de Corumbê da cidade de Mauá -SP e das aulas da
Escola Livre de Literatura de Santo André-SP, como aprendiz de
mundo. Edson Bueno de
Camargo Rua José Cezário
Mendes, 104 Vila Noêmia – Mauá – SP – Brasil. CEP –
09370-600 correio eletrônico:
camargoeb@ig.com.br http://www.secrel.com.br/jpoesia/ebcamargo.html http://umalagartadefogo.blogspot.com/ http://www.eldigoras.com/eom03/indic/buenodecamargoedson.htm http://www.gargantadaserpente.com/toca/poetas/edson_bc.php http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=5443045 uma cigarra uma cigarra afina sua viola de jade que em sua cor esmeralda soa como botões de jasmim em cinco pétalas brancas com a alma amarela outras flores e ramos de bétula o som tem gosto de açúcar sentido pela primeira vez tomado em garrafas de néctar e colherinhas de alpaca a harmonia refrata tons verde metálicos roubados das roupas de besouros ao sol depois da chuva emprestam sem saber as couraças a voz ao instrumento quando começa o cair da tarde um grilo toca seu violino de cobre que tomou ao enternecer à tarde em uma febre de temer que noite caia e nunca volte o dia sapos acompanham com sua orquestra de tímpanos, trompas e fagotes concertando desde o lago a cigarra em uníssono o besouro e seus cornos de ouro e zinco (cornucópia perdida aos seres) o grilo e seu ofício os sapos ferreiros a frio (para o medo das fadas) o azul se desmonta em bronze o acaso do dia em naufrágio as nuvens de algodão doce os jasmins dormem á noite quando não escutamos sua cor o lago responde ao universo contando suas próprias estrelas mimo que se dá de presente todas as noites pingos de luz no liso da água e uma lua para poetas embriagados a casa o homem carrega a casa sobre a cabeça forra esta habitação com galhos de salgueiro onde as folhas choram o sofrimento dos dias das rosas que florescem do choro de santas martirizadas e os espinhos nos pés dos homens que fazem a passagem todos os caminhos são os corredores de dentro da casa os umbrais são pórticos para visões do infinito espelhos de Narciso a vingar o inconveniente destino a cabaça com água está ao pé da porta foi colhida na grande talha para matar a sede destes visitantes que chegam à porta com suas ripas sólidas e travessões assimétricos a soleira se verga ao estreito dos anos que passam como paisagem da pequena janela da porta dos fundos carregam todos os passos sobre a terra trazem as acomodações da terra e suas partículas as partituras que descrevem o ronco surdo das placas tectônicas a energia telúrica que move pássaros para o sul e homens para o norte os lunares e as marés dentro da alma mar salgado o banho cósmico que se dá a todo momento a luz de estrelas invisíveis e explosões de novas luminosas o homem traz o caixão para seu próprio enterro a grande obra de carpintaria e esmero jaz na sala a espera do dia certo os pregos na madeira carregam a memória do fogo o cal e o carvão que queimaram para seu nascimento nunca entram dentro da casa os portais e portões estão sempre fechados aos viventes os vidros das janelas só deixam entrar a luz depois de estilhaçada os fiapos de fótons irreconhecíveis se reconstituem em frágil tecido a casa flutua sobre os escombros que ela será a lembrança são sulcos na terra d’onde foi arrancada o homem já foi um menino sonhador os meninos costuram o céu com seus dedos cavalgam sonhos em forma de algodão cravam dragões na espinha da água que sobe ao céu a casa viaja ao mundo do incerto é, foi e sempre será os degraus vermelhos onde todos tem a primeira queda constelações onde dragões bebem água podem descansar suas escamas construir escadas de jade para lugar algum observam abelhas pousadas em flores de dente-de-leão professores profetas maltrapilhos professam a fé nos sons infinitesimais o cântico quântico de super-novas morrendo lembra quando grãos de poeira suspensos à luz do Sol filtrados em frestas e orifícios criando fachos de luz simulavam constelações em suspensão betume tua voz de farpas agudas e morte suave conduz meus olhos à fusão de betume e incêndios o vestido de eras incertas e insetos coletados no tempo é o âmbar de lágrimas da pedra caminhos cruzados em trilhos de ferro e a água que cai lenta nas madrugadas cabelos brancos e gotículas de leite cabelos molhados e quentes a íris e fragmentos microscópios de quartzo lábio que lava o mel e o fel o amargor da dor e do silêncio as línguas lambidas de fogo e outros lábios o vermelho aparente da excitação e combustão cães correm nas ruas e corvos posam nas telhas mais altas olhos de glóbulos de cristal de ler o futuro vidro, água e espuma os podres vãos da ponte ameaçam a desabar a cidade não suporta a sua velha idade se expulsa de si anjos renegados também abençoam a
balança a balança onde se mede minha cabeça pende ora para um lado, ora para outro tem por fiel um fio de teu cabelo carvões em brasa servem de peso porque quando incandescentes buscam para si a cor do ouro há uma brasa viva em teu olho esquerdo e água abundante em tua face língua que corta como espada da justiça de Salomão teus cabelos chicotes de aço retalham a pele de papiro úmido devoro feridas abertas com a avidez de noviço e as regurgito em cicatrizes orgulhosas sonho com balanças que pesam peixe na praça com escamas que emulam o cristal mais liso e olhos vítreos e fixos em profundo segredo costuro pedras de peixe e círios apagados é para a morte que o mar me convida vagas trazem o grito do pesadelo estouram com estrondo em meio a escuridão vasto cemitério molhado ondas com nomes de túmulos sepultura que sonega os ossos dos condenados teu olho direito me consola e perdoa tem ali um fogo lento e caridoso oferece teu seio direito para descanso de cabeça ali confortável espero a sentença a mesa a mesa para Platão teria de ser real e tangível quatro pernas postas no chão um tampo de sólida madeira que não viessem com simulacros poema, pintura ou representação que todos seriam banidos da “Republica” Platão odiava os poetas que queriam atribuir à palavra mesa outros mecanismos e mais propriedades de atribuição que por falta de senso carregassem com mais sentido o léxico os poetas por seu turno enlouqueceram as propriedades do vocábulo mesa dando-lhe características inadequadas à palavra portanto afastando o objeto mesa de sua função primordial de suportar o peso da verdade os poetas foram salvos por Aristóteles que em sua Poética resgatou-os do limbo em que Platão os condenara permitindo que se sentassem finalmente à mesa e participassem do “Banquete” ( onde dado a ser um fausto grego que comiam deitados em divãs servidos por escravos que são coisa mas pensam provavelmente não haviam mesas nem cadeiras) |
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