meiotom  poesia & prosa

e-mail: meiotom@uol.com.br

 

   meiotom.blog                                                 ENTREVISTA

 

ESPECIAL

 André Carneiro

 Eunice Arruda

 Leminski

 J. Cardias

 Jorge Cooper

 Poesia Cubana

 Poema Libai

POESIA

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 POESIA VISUAL

 Almandrade

 Carlos Pessoa Rosa

 Clemente Padín

 F. Aguiar

 G. Debreix

 Hugo Pontes

 José L. Campal

 J.M.Calleja

 Rafael Marin

 Poe-Zine

 Marcos Rosa

 Avelino Araujo

 Thierry Tillier

 FOTOGRAFIA

 Andrea Angelucci

 F. Pillegi

 Euclides Sandoval

 TITE

 GONDIM

ARTES PLÁSTICAS

 Lúcia Rosa

 Felipe Stefani

 Maria Domênica

 Lampros

 DIVERSOS

 Concursos

 Resultados concursos

 Resenhas

 Estatística

Alexandre Pedro: a leitura do silêncio


                                                                                        Angelo Mendes Corrêa e Itamar Santos*

Tendo publicado seu primeiro livro, Flores do Ócio, em 2013, Alexandre Pedro destaca-se, na novíssima geração de poetas paulistas, surgida a partir do advento da internet, por uma escrita depurada em que dizer pouco e tentar compreender o silêncio acabam por permitir entender muito da condição humana e de suas angústias.
Formado em Letras, comanda um blog, intitulado Cárcere do Ser, sobre literatura, através do qual tem despertado e incentivado milhares de jovens ao exercício da escrita.

Pode nos contar um pouco sobre sua formação?
Bom, cheguei nadando na contramão, sem ao menos perceber que a contramão exercia em mim, além da física, uma placidez que, na minha ignorância, interpretava como sossego.Ingressei na universidade, no curso de Letras, sem ao menos saber o que viria a ser um “letrado”. Não havia, até então, sequer pensado na palavra literatura. Mas lá estava eu, sem ter lido um livro sequer. Onde os nomes Guimarães Rosa, Clarice, Drummond, eram apenas umas palavras ao vento, desconhecidos, para mim. Estudei em escolas públicas e fiquei bastante tempo desocupado. Quando decidi continuar meus estudos, ingressando numa faculdade, eu era um pacote vazio, impresso. Em mim, uma data de validade já era reminiscência.

E o interesse pela poesia, quando surgiu?
No terceiro semestre do curso de Letras, quando tudo ainda era uma grande charada que eu tinha que desvendar, um professor de Linguística decidiu que nossa turma teria que, ao final do semestre, apresentar algum tipo de produção: crônica, poesia, conto. O que eram esses gêneros textuais para aquele aluno que, de olhos vendados, tateava no escuro a palavra? Abismado à frente da tarefa, resolvi esboçar qualquer coisa e que ele, em sua competência, desvendasse essa coisa: se estaria ao menos próximo de um conto, poesia ou crônica, e que no decorrer do semestre ele me orientasse. Acontece que quando entreguei o esboço, ele gostou. Chamou-me poeta. Entregou esse material para minha professora de Literatura e juntos criaram na universidade um concurso de escrita e me inscreveram. Em minha ignorância, no dia do concurso, em vez de escrever um poema e devido a minha insegurança, escrevi três. Levei bronca do fiscal da sala. Mas como os três textos estavam na mesma folha, foram lidos. No dia da apuração, levei os três prêmios. Primeiro, segundo e terceiro lugares, no gênero poesia.

Que autores o influenciaram mais de perto?
Drummond, com certeza, Drummond. Li uma entrevista na qual ele dizia ao professor Luís Milanesi, a respeito de alguns alunos da USP que queriam autorização para musicar seus poemas: “Se eu não subi aos céus nas asas da poesia, subirei nas asas da música”. Existe um estalo maior do que esse?

Como tem sido a relação com os leitores do Cárcere do Ser, seu blog, que já conta com mais de 60 mil acessos?
Chegamos a 60 mil acessos! E hoje, com o avanço da tecnologia, a internet é uma das maiores ferramentas para literatura. As pessoas descobriram que o ato da escrita não é divinal. É humano. E por ser humano vai em busca de saciar a sede de linguagem. E nos tornamos amigos, além da linguagem: “Um pouco mais de sol – eu era brasa/ Um pouco mais de azul- eu era além”.

Seu livro de estréia, Flores do Ócio, apesar do aparente desinteresse do grande público pela poesia, vem tendo sucessivas tiragens. A que atribui isso?
Exclusivamente à internet. Não sou aquele que freqüenta saraus. Tenho preguiça da poesia em boteco. Alguns me chamam antissocial. Mas não sou. Acredito que a literatura é uma intimidade do leitor-autor com a palavra.Ainda vamos descobrir uma forma de ler os silêncios.

Sua poesia é muitas vezes carregada por um ceticismo perspicaz com a condição humana. Você se define com um cético?
Preciso, antes, me definir como humano.

Novos projetos?
Meu segundo livro, Cárcere do Ser, está pronto. Estou à procura de uma editora e esta é a parte mais difícil da literatura no Brasil. Participo, atualmente, junto a outros sete escritores, do Projeto Doam-se Palavras. Doamos e doemos, quinzenalmente, algumas palavras aos que têm fome do verbo. Prefaciei o livro MiniMáximas, do Samuel Malentacchi. Continuo tão perdido como quando ingressei na universidade. A diferença é que agora a contramão é minha ciente opção. E minha data de validade à ortografia da poesia.

Angelo Mendes Corrêa é doutorando em Arte e Educação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo(USP), professor e jornalista. Itamar Santos é mestre em Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo(USP), professor, ator e jornalista.