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Gésio Amadeu: uma vida dedicada à arte de interpretar

Angelo Mendes Corrêa e Itamar Santos*

Mineiro de Conceição do Formoso, pequeno distrito de Santos Dumont, Gésio Amadeu, aos cinco anos, começou a cantar no coral da igreja de sua cidade. No final dos anos 60, chegou a São Paulo, logo conhecendo Bráulio Pedroso, que o convidou a atuar em Beto Rockfeller, na extinta TV Tupi, um maiores sucessos da televisão brasileira. De lá para cá, participou de mais de cinqüenta telenovelas e antológicas montagens teatrais, como Eles Não Usam Black-Tie, Jesus Cristo Super Star, A Moreninha, Gaiola da Loucas e Macbeth, passando, ainda, pelo cinema. Casado com a atriz e dramaturga Gabriela Rabelo, é pai de Ana, Mário e Miriam.

Quando a descoberta do teatro?
Muito cedo, com minha mãe, quando ainda vivia na roça, e ela que organizava as festas comemorativas da igreja católica de Formoso, em Minas Gerais. No meio das comemorações, havia umas representações de teatro. Aos cinco anos de idade, fiz meu primeiro trabalho com ela.

Não ter feito uma escola de teatro foi opção ou circunstância?
Não chegava nem a pensar em fazer escola de teatro. Na verdade, nem sabia que isso existia. O teatro amador em Juiz de Fora foi minha grande escola, com tia Zuzu e o grande maestro Nelson Silva.

Que recordações guarda da época do Teatro de Arena e do Gianfrancesco Guarnieri?
Conheci muito pouco o Teatro de Arena. Vi poucos espetáculos dele. Depois que ele se dissolveu trabalhei com o Guarnieri, fazendo Arena conta Tiradentes, sob a direção dele. Grande ator e grande diretor.

Algum diretor que tenha sido decisivo?
Osmar Rodrigues Cruz foi um diretor muito importante na minha vida. Fiz com ele o meu primeiro trabalho profissional, A Moreninha.  Foram também muito marcantes o Silney Siqueira, o Abujamra, o Fauzi Arap e o grande Eugenio Kusnet. Todos os diretores com quem trabalhei contribuíram pra minha formação.

Que espetáculos considera pontos altos em quase cinco décadas de carreira?
A Moreninha, Jesus Cristo Superstar, O Evangelho Segundo Zebedeu, Péricles, o Príncipe de Tiro, Macbeth, etc.

Como foram as experiências em festivais internacionais de teatro? O Brasil tem bom diálogo com o que se produz fora?
Posso falar mais do passado, por que foi onde tive uma experiência maior com isso. Viajei com o espetáculo Os Autos Sacramentais, de Calderón de la Barca, direção do Victor Garcia e produção da Ruth Escobar. Participamos do Festival de Shiraz, no Irã, e nos apresentamos em Londres, Veneza, Paris, Lisboa. Naquela época, a Ruth Escobar era uma expert no assunto. As peças brasileiras eram muito bem aceitas e os artistas brasileiros eram muito respeitados em todo lugar. Um grande iluminador inglês – me esqueci agora o nome dele – me dizia que os artistas brasileiros não tinham as mesmas condições que os europeus para fazer o seu trabalho, mas que nossas criações eram muito mais fortes do que as deles..

O trabalho na televisão instiga tanto quanto o teatro?
São funções diferentes, mas pra mim é a mesma coisa.

O ator negro tem o espaço que merece ou ainda permanece em situação subalterna?
Ainda não tem o espaço que merece. Nosso país é extremamente preconceituoso e o teatro, assim como a televisão, são muito preconceituosos. Acho até que o racismo é mais sentido no teatro do que na televisão.

Levando-se em conta que 80% dos brasileiros nunca pisaram num teatro, a curto prazo algo a fazer para mudar tal situação?
O povo tem que ter interesse em ver teatro. Para isto, é preciso que se faça um trabalho de divulgação maior do que o que se faz, atualmente. E de um jeito que seja possível ao povo ir ao teatro, para se alimentar daquilo que o teatro produz.

As condições de trabalho do ator são melhores do que nos anos 60, quando começou?
Acho que não, que as coisas pioraram. Antigamente era possível viver-se de teatro. Hoje é difícil encontrar alguém que viva de teatro. Conseguíamos manter um nível de vida razoável fazendo só teatro. Não dependíamos de fazer televisão para sobreviver.

As leis de incentivo ao teatro cumprem o papel a que se propõem?
Não. É só da boca pra fora. Na verdade se fala muito, mas se age pouco.

*Angelo Mendes Corrêa é mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP), professor e jornalista.
Itamar Santos é mestrando em Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP), professor, ator e jornalista.