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Gustavo Gasparani: a completude de um ator


                                                                  Angelo Mendes Corrêa e Itamar Santos*


Ator, diretor, dramaturgo e professor de teatro, o carioca Gustavo Gasparani participou, no final dos anos 80, da fundação da Cia. dos Atores, com a qual percorreu vários países e ganhou importantes prêmios. Como dramaturgo e diretor, foi responsável por Clara Nunes Brasil Mestiço, Rio Enredo do Meu Samba!, Otelo da Mangueira, Comédias Cariocas, Oui Oui...a França é Aqui!!! e Mercedes de Meddelin, dentre outros grandes sucessos de público e crítica. Sua extensa formação passa, além do teatro, pelo balé clássico, dança, canto e mímica. Em 2013, recebeu o Prêmio Shell de Melhor Ator, por As Mimosas da Praça Tiradentes. Por sua recente temporada de Ricardo III, em São Paulo, acaba de ser indicado para o Prêmio APCA de Melhor Ator. Na televisão, esteve nas minisséries Anos Dourados, Dalva e Herivelto e na novela Lua Cheia de Amor. E no cinema em Orfeu, Uma Bela Noite para Voar, O Xangô de Baker Street, Orquestra de Meninos e Bufo e Spallanzani.

Quando a descoberta do teatro?
Aos três anos de idade, no Jardim Escola Sarah Dawsey e depois no Colégio Andrews. Olha como educação é importante! Comecei a fazer teatro antes de aprender a ler e a nadar. Além disso, meus avós maternos adoravam ir ao teatro. Minha avó me levava todo sábado ao teatro infantil e meu avô, quando eu já estava na adolescência, contava histórias das peças e dos atores que ele havia assistido, desde os anos 30. Contava detalhes dos atores: Procópio, Jayme Barcellos, Manoel Pêra, Bibi, entre outros.

E a ideia de fundar a Cia. dos Atores, no final dos anos 80?
Éramos amigos de escola e do Tablado. Sempre trabalhávamos juntos. Daí a querer criar um grupo e tomar as rédeas da nossa própria carreira foi um passo. Todos nós somos empreendedores e não temos o perfil de ficar esperando chamados para trabalho. Como diz o ditado: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Foi isso. Corremos atrás dos nossos desejos. Os trabalhos que fundaram estilos e novos conceitos, na Cia dos Atores, foram: A Bao A Qu, Melodrama,Ensaio.Hamlet e Conselho de Classe. O Rei da Vela foi,pessoalmente, importante para mim. Foi durante esse processo que me descobri autor.

A experiência como dramaturgo tem valido a pena?
Muito! Foi a primeira vez que tive um prazer igualável a estar em cena. Ou quase... (rs). Sem contar que escrevo sobre o assunto que quero falar e escolho o personagem que quero fazer. O que é muito gratificante.

A dança, o canto e a mímica devem fazer parte na formação de um ator?
Claro!Além da leitura, da observação do outro e, sobretudo, da quebra do preconceito. O preconceito é letal para um artista. Conhecer o próprio instrumento é regra básica para um ator. Também temos que saber o que queremos dizer e porque devemos dizer. Nossa arte é milenar, não podemos ser levianos.
Considera Shakespeare o maior dramaturgo de todos os tempos? Além dele, que nomes destaca?Siiiiimmmm!Nelson Rodrigues, Sófocles (adoro os gregos), Dario Fo, Mauro Rasi, Arthur Azevedo e entre os jovens, Jô Bilac.

O fato de ter feito televisão e cinema de forma esporádica é por acreditar que um ator se realiza integralmente no palco?
A vida seguiu assim. Como não sei esperar o convite, vou criando o meu caminho. E o teatro sempre foi muito generoso comigo. Faz parte da minha natureza. Nele encontrei grandes personagens e desafios. Mas as poucas oportunidades que tive, tanto no cinema quanto na TV, foram muito prazerosas.

É possível sobreviver fazendo teatro de qualidade em nosso país? As leis de incentivo ao teatro têm funcionado?
Tem que se virar em mil. O fato de ter sido reconhecido como ator, autor e diretor ajuda muito, pois aumenta o leque de possibilidades. Mas até hoje dou aula no Colégio Andrews. Quanto às leis, elas podem melhorar, mas sou contra destruir o pouco que temos. Digo em relação à Rouanet. Foi graças a essas leis, por mais precárias que sejam, que consegui exercer a minha profissão. Enquanto cultura e educação não estiverem diretamente relacionadas, vamos chover no molhado. Nenhuma política cultural terá resultado. Parece óbvio. E é. Mas os nossos dirigentes não veem assim.

Como foi o desafio de encarnar Ricardo III em forma de monólogo? Esperava o sucesso que o espetáculo tem sido desde a estréia?
Um incrível desafio. Sinto-me num playground. No início, achei que seria ridículo, que não daria certo. Duvidei muito. Mas o meu querido e talentoso diretor, Sergio Módena, esteve sempre por perto, me encorajando e incentivando. O sucesso veio como consequência de um trabalho profundo e prazeroso. E da confirmação da nossa parceria, minha e do Serginho. Teatro bom é feito com afeto. Acredito nisso.

Angelo Mendes Corrêa é mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP), professor e jornalista. Itamar Santos é mestrando em Literatura Comparada na Universidade de São Paulo (USP), professor, ator e jornalista.