meiotom  poesia & prosa

e-mail: meiotom@uol.com.br

 

   meiotom.blog                                                 ENTREVISTA

 

ESPECIAL

 André Carneiro

 Eunice Arruda

 Leminski

 J. Cardias

 Jorge Cooper

 Poesia Cubana

 Poema Libai

POESIA

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 POESIA VISUAL

 Almandrade

 Carlos Pessoa Rosa

 Clemente Padín

 F. Aguiar

 G. Debreix

 Hugo Pontes

 José L. Campal

 J.M.Calleja

 Rafael Marin

 Poe-Zine

 Marcos Rosa

 Avelino Araujo

 Thierry Tillier

 FOTOGRAFIA

 Andrea Angelucci

 F. Pillegi

 Euclides Sandoval

 TITE

 GONDIM

ARTES PLÁSTICAS

 Lúcia Rosa

 Felipe Stefani

 Maria Domênica

 Lampros

 DIVERSOS

 Concursos

 Resultados concursos

 Resenhas

 Estatística

Paulo Ludmer:  a escrita da concisão


                                                               Angelo Mendes Corrêa e Itamar Santos*

Escritor, professor, jornalista, artista plástico, músico e engenheiro, Paulo Ludmer pode, sem nenhum favor , ser definido como um homem múltiplo. Ligado às vanguardas artísticas paulistanas dos anos 60 e 70, conduziu, por quase duas décadas, uma oficina de escrita literária, ao lado de Carlos Felipe Moisés. Tem 25 livros publicados e na concisão textual uma busca permanente. No jornalismo, integrou, dentre outras, as equipes do Pasquim, Folha de S.Paulo  e Jornal da Tarde, além de ser um dos maiores especialistas brasileiros em questões energéticas.

Pode nos contar um pouco sobre sua formação?
Não fiz o primeiro ano do primário. Precoce, saltei ao segundo. Ganhei de meu pai, quando aprendi a ler, revistas em quadrinhos, tudo da Senhora Leandro Dupré e de Monteiro Lobato. Frequentava, com meu pai, as matinês dominicais de cinema infantil. Ganhei o Tesouro da Juventude que devorei.
No Colégio Estadual de São Paulo, ex-Presidente Roosevelt, depois de ter sido orador da turma de formandos do primário do Grupo Escolar Prudente de Moraes, de onde saí em 1952, tive a dádiva de ser aluno do professor Trevinho, de português, que me apresentou tudo de Machado de Assis, José de Alencar, Bilac, Eça, Camilo Castelo Branco e outros. Também fui premiado pelo convívio, no ginásio, com Carlos Felipe Moisés, poeta e literato, e Decio Bar.
Aos 14 anos escrevi as tonterias da estréia.
Aos 17 (nasci em 1944) quis cursar filosofia e direito. A família vetou. Entrei na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Traumatizado, demorei oito anos na Poli, mas ali criamos o Traditional Jazz Band, onde toquei percussão por uns dez anos. Fiz litogravuras na FAAP. Fui ouvinte de Marilena Chauí ,na Filosofia da USP. Ingressei na Escola de Comunicações e Artes, na USP. Me formei psicodramatista com Marisa Greeb. Realizei várias exposições de pinturas, solo e coletivas. Ganhei prêmios.
Compartilhei um ateliê com José Roberto Aguilar, na rua Frei Caneca. Freqüentei o Embu e perenemente a casa de Fernando Odriozola. Convivi com Claudio Willer, Maninha, Roberto Bicelli, Consuelo de Castro, Piva, Mautner, Hector Babenco, Marjorie Sonencheim, Placido Campos, Celia Igel, Leila Raw, Jeanete Priolli...enfim, os malditos dos anos 60.
E me tornei jornalista: Diário do Grande ABC,  Folha de São Paulo, Jornal da Tarde, Gazeta Mercantil, Pasquim( oito anos, com o pseudônimo de Paulo Silesth) Mundo Elétrico, Eletricidade Moderna,São Paulo Energia, Canal Energia e Diário Comércio Indústria.
Publiquei uns 25 livros, sendo vinte solos. Fui convocado ( e aceitei) para ser acadêmico correspondente pela Academia de Letras do Rio de Janeiro (ALERJ), antes tendo conquistado alguns prêmios em concursos diversos.
Lecionei 33 anos na FAAP –Jornalismo Econômico, Problemas Brasileiros, Ética, Antropologia Cultural e Criatividade. Há décadas sou professor de pós graduação nas engenharias da FEI e do Mackenzie. E também Conselheiro de Sociologia, Política e Economia da Fecomércio; de infraestrutura, na Associação Comercial de SP; membro do Comitê Estratégico de Energia da Câmara Americana (Amcham) e  o único jornalista brasileiro que freqüenta o Congresso Mundial de Energia, desde 1989.
Dei aulas na London Business School e freqüentei o board, em Genebra e Bruxelas, por 20 anos, da International Federation of Industrial Energy Consummers – IFIEC. Em 2006, em Bogotá, fui eleito por unanimidade Secretario Geral da Interame – grandes consumidores de energia da América Latina.
Literariamente, minha formação se deve de modo maciço a Carlos Felipe Moisés, com quem mantivemos uma oficina de escrita durante dezoito anos. Comecei antes disso com Samir Meserani, Ana Salles, Emerson Oliveira e outros. No  longevo grupo do Moisés passaram Rodolfo Gutila, Ronaldo Candiani, Vivian Schlesinger, Célia Cardoso de Mello, Maria Antonia Cruz Costa Magalhães, Andre Rosemberg, Tereza Porto, Mauro Hannembeg, Tula Braga, Flávia Cunha Lima, Miriam Mermelstein, Lidia Izekson, numa lista de cinqüenta nomes, vários  se tornaram autores.
A dissolução do grupo me abateu bastante, lembrando que ele publicou Qu4rta feira”,  coletânea assim chamada porque os encontros se deram por 18 anos e 54 quartas- feiras. Anos depois, saiu a Outra Qu4rta feira , também coletânea do grupo. Sofri também duas cataratas e agora duas distrofias de córnea, à espera de transplantes. Com dificuldade, sigo lendo e escrevendo artigos e poemas.

 

Que autores vê como essenciais a todos que se dediquem ao ofício da escrita?
Os autores indispensáveis a todos não existem. A pulsão de escrever é uma singularidade. Não posso listar Cervantes, Kafka, Clarice, Pessoa, Borges ou Singer, dos quais gosto. Nem posso me deter na civilização judaico-cristã ao pensar na Ásia.

Há no ato de escrever um disfarçado narcisismo?
No ato de escrever estamos inteiros. Nosso narcisismo, na fração que o temos, comparece com o todo que somos. Não vem disfarçado ou expresso, apenas atua.

Considera quer poesia é predominantemente inspiração ou transpiração?
Poesia surge de inspiração. Em seguida, é muito trabalho. É esculpir uma rocha enorme. É técnica de cinzel. E outras. Acontece de um porre no bar propiciar uma regurgitada poética. Mas a quase totalidade dos poemas vem de trabalho.

Realiza-se mais na prosa ou na poesia?
Escritor me realizo quando a forma e o conteúdo superam minha insatisfação e o desejo de mudar. Escrever é reescrever. A taxonomia, se prosa ou poesia, ou o nome que seja, não me interessa. Pessoalmente, luto muito contra o meu hermetismo. O teor deve adquirir sentido sem fatigar o leitor, às vezes sem roubar dele fragmentos de emoção.

A concisão da linguagem é uma das características mais marcantes de sua escrita. Influência de sua formação nas ciências exatas?
A concisão é um templo em mim. Não sei a razão. Especulo que deriva de impaciência, gosto estético, primado da obsessão sobre a histeria. O Carlos Felipe Moisés aumentou meu apreço pela concisão. O Dalton Trevisan também. É dizer tudo no mínimo. É evitar até uma vírgula gordurosa sobrando.

Seu trabalho de artista plástico dialoga com o escritor?
Não no plano racional.
Seu nome figura como um dos mais destacados especialistas em questões energéticas em nosso país. Algo a dizer sobre a crise que ora enfrentamos?
O lulopetismo destruiu o setor energético brasileiro. Será muito complicado corrigir a demolição consolidada. Escrevi dezenas, centenas de artigos denunciando o que se passava e a desindustrialização que se avizinhava. Envolver é fácil. Comprometer, quase impossível. A sociedade brasileira mal sabe o custo do eventual conserto do que aprontou numa combinação de ignorância e má fé. Meu próximo livro de política energética, intitulado “Hemorragias elétricas”, aguarda patrocínio.

Planos pela frente?
Espero recuperar a visão para publicar o Hemorragias Elétricas , que está pronto atrás de patrocinador. Tenho material suficiente para um novo livro de ficção. O último foi Fonte , da AGE, em 2007. Mas, creio que ainda em 2015 poderei reler e concluir um novo livro,  ainda sem nome. Se puder, visite o www.pauloludmer.com.br 

Angelo Mendes Corrêa é doutorando em Arte e Educação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP), professor e jornalista.Itamar Santos é mestre em Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP), professor, ator e jornalista.