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Selma Luchesi: o teatro como desafio


                                 Angelo Mendes Corrêa e Itamar Santos*

Na peça Insubmissas, um de seus mais recentes trabalhos, sucesso de público e crítica na capital paulista, Selma Luchesi interpretou magistralmente a legendária Madame Curie, cientista duas vezes laureada com o Prêmio Nobel.
Sua longa carreira, iniciada no final dos anos 60, permitiu que atuasse em importantes papéis, passando pelos clássicos gregos como Sófocles, em Electra, e pela dinamarquesa Margrethe Bohr, em Copenhagen.
Dirigida por alguns dos mais destacados diretores teatrais contemporâneos, como Carlos Alberto Soffredini, Vladimir Capella, Marco Antonio Rodrigues e Carlos Palma, paralelamente à carreira de atriz, construiu bem-sucedida carreira como executiva na área de turismo.

Quando a descoberta do teatro?
Nos anos do colégio, em 1968, em Santos, através do trabalho que fiz com Carlos Alberto Soffredini em vários festivais de teatro, inclusive o 2º Festival Sesc SP, no qual fomos premiados. A peça era Electra, de Sófocles e eu fazia a Electra.

Algum trabalho tem significado especial entre as montagens de que participou?
Todos trabalhos que fiz foram especiais, pois me envolvi muito com os personagens. Lembro-me das peças Maria Borralheira, fazendo a personagem Madrasta. De Píramo e Tisbe, fazendo a Sibila; Édipo Rei, com a Jocasta; Copenhagen, com a Margrethe Bohr e, mais recentemente, Madame Curie, em Insubmissas.

Como tem sido participar do Projeto Arte e Ciência no Palco?
Entrei no grupo em 2001, com a montagem de Copenhagen. Esse projeto, que tem um grupo maravilhoso, cuja trajetória já tem 17 anos, tem me dado experiências incríveis no que diz respeito à pesquisa e o extremo cuidado com tudo que faz.

Viver Madame Curie, em Insubmissas, o que tem significado? Pode nos falar sobre a peça?
Madame Curie foi um enorme (com todo significado da palavra) desafio. Como lidar com esse ícone da ciência mundial? Como conhecê-la? A mim interessava mergulhar em sua personalidade, sua história como mulher e mãe. E a partir daí chegar à cientista maravilhosa que ela foi. Mergulhei em sua biografia, em suas cartas e num vídeo maravilhoso produzido pela televisão francesa, com imagens emocionantes de passagens de sua vida. O texto maravilhoso do Oswaldo Mendes veio dar sentido a tudo que eu havia pesquisado e ainda pesquiso. Insubmissas fala de quatro mulheres, cujo trabalho de vida é a ciência. De mulheres vindas de épocas diferentes e que se encontram num espaço inusitado, no qual a pergunta principal é: o que estamos fazendo aqui? E temos ainda uma quinta personagem que irá costurar a história pessoal de cada uma dessas mulheres, que são Hipácia de Alexandria, matemática e filósofa, Madame Curie, química, Bertha Lutz, química e advogada, e Rosalind  Franklin, bióloga. A partir do encontro com elas, uma parte de suas vidas vai se abrindo aos olhos do público, com passagens surpreendentes de intolerância e superação.

Há espaço para a dramaturgia que fuja ao apelo meramente comercial em nosso país?
É difícil, mas não impossível. Por isso, a trajetória do Arte e Ciência no Palco é tão significativa em seus 17 anos de estrada. O público gosta de ser desafiado. E este é o ideal que buscamos.

Conciliar a vida de executiva com a de atriz é tarefa fácil?
Não é tarefa fácil, mas a vida oferece oportunidades e star atenta a essas oportunidades me enriquece e dá prazer.

*Angelo Mendes Corrêa é doutorando em Arte e Educação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP), professor e jornalista. Itamar Santos é mestre em Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP) professor, ator e jornalista.