| Meiotom - Poesia |
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Alguns poemas |
ENZO CARLO BARROCCO |
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GRÃO E
CORISCO
Meu verso diminuto e tão
pequeno,
talvez, assim, inexpressivo
grão, mas, também, sei, intumescido e
pleno foge um pouco além da minha
mão. E se consigo domá-lo, potro
arisco, escoiceando as portas do poema, plena luz morta ao chão,
corisco que fende o ar sob dor extrema. Põe-se, assim, a galopar
ligeiro e sua crina de amarelo-rubro faz-me louco
que se me descubro sob as vestes de um deus-poeta; mas também sei, intumescido e
pleno, meu verso diminuto e tão
pequeno. FLORES DE TRACUATEUA
Canto nº 01 DO ETERNO IMPEDIMENTO Escrever sob encomenda, ai! que impedimento vário, é como a cana à moenda girando ao lado contrário. LÁBIOS POENTES Sob teus lábios poentes por mais que a lua descambe, os meus lábios, língua e dentes mordem, sugam, sorvem e lambe. PARA DIAS MELHORES Em tudo vejo a certeza
que dias melhores vêm, meu verso por sobre a mesa espera não sei por quem. ALMA
BRANCA Para quem me fala rude tenho luas no armário, recolhi o mais que pude do meu peito branco-agrário. SONHOS NUBLADOS Quantas coisas eu faria
com os meus sonhos nublados que hoje, cedo do dia, deixei em casa, acamados. No
próximo século já serei um anjo, desses anjos grenás que às
madrugadas fazem companhia aos cães e às
neblinas. E em alguns anos estarei
translúcido de luz e de silêncio, total
silêncio e que teus olhos mortais não me
alcancem. Porquanto, nesse século de
mortes, da minha, da tua, nossas
mortes, aproveitarei meu cálice de
Rívolo. |
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