|
O
ESPANTALHO

Eu não sou de espantar,
espantalho à espera do pássaro;
infeliz mas atento a um olhar.
De repente um sol casual,
e um vento lacerante desfaz meus cabelos
no flavo infinito do milharal.
Olhos parados, alma vulgar.
Imóvel, impávido, patético,
como bem disse eu não sou de espantar.
AS
ROSAS

Vinhas
leve, a rua molhada,
a chuva certamente não voltaria,
o brando vento inundava a tarde
as tuas roupas, os teus cabelos.
Sim, o crepúsculo nascia nos teus olhos;
tarde de maio, simétricos feixes
de luz no final do dia.
Existia perfeição na paisagem toda.
Mas não reparavas nesses detalhes breves,
havia negligência nos teus passos,
desaparecias nos meandros das ruas.
Cultivo hoje lamentáveis rosas.
PARA
FAZER UM ARCO-ÍRIS

Para
fazer um arco-íris
precisarei de nuvem
e a água nela contida
e a leveza que ambas carregam.
Precisarei de atmosfera,
de um sol descoberto,
de luz e de mãos,
precisarei de tintas diversas.
Precisarei de olhos que possam
contemplar o que será efêmero,
de respiração compassada,
precisarei de silêncio.
efraim@funtelpa.com.br
|