Meiotom - Poesia


 

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FÁBIO MOREIRA LEITE

dois pecados 
capitais do 
capital

 


no substancial
da troca

o sujeito x
toma algo
preciso
como de
posse.

mas
a precisão
de algo
não é particular

no acidental
do uso

o predicado 
putativo
pensa-se
como
sem 
contradição

mas
experimentalmente
todo contraditório
tem sua 
probabilidade
de ocorrência.

-algo além disso-

a insolubilidade
do erro
não garante
a inutilidade da
da verdade
nem da
justiça.

além do bem
e do mal
 
  

o bem é
bom,
melhor até: 
bonzinho 

vem o mal 
que nada 
aproveita de si, 

só pode 
usar do bom.

um não 
tem mais. 
logo tinha um 
pra dois, 

mas um 
dos dois
ainda gosta 
de estragar. 

pior se tinha um 
pra dois 


um dos dois 
ainda gosta 
de estragar, 

e assim
tem menos 
do bom. 

por mais do bom 
que aja: uma 
hora vai acabar.

só pode
usar do bom
e pronto

tinha um
pra dois
mas um
dos dois
ainda gosta
de estragar

poder pode
mas que deva
sabemos que não

tinha um pra
dois mas se
um dos dois
ainda estraga

é mais provável
que uma hora
acabe:

por mais do
bom que haja

é mole!



 

pois não te lembras 
mais que um furo
não opõe resistência
a passagem ?!

e por isso te preocupas!

o poema sumiu?
não foi escrito?

o buraco é mole
mesmo, 

diga-se em plena vóz
e bom som.

nada há
na superfície 
que o buraco 
discontinua

assim sendo
o buraco é mole...
molíssimo!

não que o resto
do mundo e das gentes
dê moleza

mas o buraco, gente!
esse não falha

se fosse por ele
tava tudo certo:
ia tudo pro buraco!