| Meiotom - poesia |
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joão felinto neto |
Alardeariam os eternos,
É optar céu ou inferno,
Deus ou Diabo.
Explicariam os letrados,
O amor é certo
Substantivo abstrato.
É um sentimento ultrapassado,
Assim, diriam os modernos.
É na verdade, um mistério,
Resumiriam os mais práticos.
O amor,
Sussurrariam os celibatos,
É casto, é puro.
Resmungariam os sisudos,
É apenas infantilidade.
É luta pela liberdade,
Exaltariam os dissidentes.
O amor
É para sempre,
Suspirariam os emotivos.
É simplesmente mito,
Afirmariam os mais céticos.
É tão somente sexo,
Falariam os impulsivos,
Impulso de uma vontade.
É perdoar a humanidade,
Ensinariam os profetas.
É a solidão e a saudade,
Declamariam os poetas.
Pelo vento
O vento traz
Vozes tristes e distantes
Que interpreto no silêncio
Como sendo versos casuais.
E os meus ais,
O vento leva para longe,
Em rascunhos que jamais
Terão meu nome.
Ninguém verá o meu semblante,
Mas, saberão de minhas dores,
Pelo mesmo vento que antes,
Outras, a mim, trouxe.
João olhos de gato
Eram tais olhos de gato,
Quando um farol ligado
Joga luz na escuridão.
Uma macabra assombração.
Foi no dia de finados.
Eu estava já cansado.
Vinha de uma procissão,
O terço ainda na mão.
Eu passava bem ao lado
Das barracas do mercado,
Quando tive a impressão
Que alguém chamara:- João.
Na rua do campanário,
Estava um escuro danado
Que era difícil à visão
Saber qual a direção.
De onde viria o chamado?
Não sabia de qual lado.
Todavia, tomei uma decisão,
Respondi: - Diga irmão.
Um vulto vinha apressado,
Parecia um ser alado,
Os pés não tocavam o chão.
Bate forte o coração.
Era o compadre Melado;
Vinha montado a cavalo.
O resto foi criação
De minha imaginação.
O pior do resultado
É que eu estava mijado
E borrara o calção.
Que triste situação.
Hoje, sou apelidado
De João olhos de gato
Pelo compadre Melado
E toda a população.
Na
janela;
Um cadáver
sem ter vela
Para
soprar.
A luz que
ilumina às minhas costas,
Além da
porta, contorna
Outra
sombra, a me olhar.
As duas se
encontram na cozinha,
Tua sombra
junto à minha,
Até a luz
apagar.
E numa
escuridão sem fim,
Acabamos
no jardim
Num
eclipse lunar.
Poesia equivocada
Que me
prendam,
Por ser
eu, livre
Tal qual o
vento
Sob as
asas
De velhas
garças
Que
sobrevoam
Nossas
casas
De
cimento.
Não há
preceito
Ou
preconceito
Que me
abata.
Sou
resistente qual a vara
Que apesar
de envergar
Por muito
tempo,
Volta à
posição primária,
Logo que
se acalma, o vento.
Não há
poder
Que me
cale as palavras,
Por ser
eu, firme
Qual a
casa destelhada
Pelo mesmo
vento;
Que há
muito, abandonada,
Ainda
resiste ao tempo.
Assim
resisto,
Com um
louco pensamento
E uma
poesia equivocada.
No dia 04 de outubro de
1966, nasce João Felinto Neto, em Apodi, Rio Grande do Norte. Em 1969, parte com
sua família para Tabuleiro do Norte no Ceará. No mesmo ano passa a residir em
Limoeiro do Norte, sua pátria emotiva e ponto de partida de uma fase migratória
que duraria toda a sua infância, e o levaria até Santa Isabel/PA (1971),
Limoeiro do Norte/CE (1973), e Mossoró/RN (1974), onde ingressa, no Instituto
Dom João Costa no ano de 1975. Retorna novamente a Limoeiro do Norte (1977),
onde permanece até 1982, ano em que conclui o 1º grau no
Liceu de Artes e Ofícios.
Retorna
definitivamente, com sua família à cidade de Mossoró. Conclui em 1985 o 2º grau
na Escola Estadual Prof. Abel Freire Coelho.
Em 1986 ingressa no
serviço público, como técnico de biodiagnóstico do Hospital Regional Tancredo
Neves, atual Tarcísio Maia.
Conclui o curso de
Ciências Econômicas, pela UERN, em 1991.
Somente aos 34 anos, começa escrever e catalogar poemas e crônicas. Até então seu mundo literário se resumia à leitura e ao pensamento.
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