|
|
meiotom poesia & prosa |
| e-mail: meiotom@uol.com.br |
|
meiotom.blog FLÁVIO AMOREIRA |
|
´
´´POEMA AO
OLHO DE DEUS´´
´´A
linguagem é quando rompemos sodomizados
por um Deus
imagético de estrelas em sustenido
só Deus é
capaz de gozar ejaculando
adjetivos
reticentes
essa paixão
epidérmica pela palavra
me puxa
feito quem se deleita
fornicando
entre as ondas dum mar bravio de violáceas escamas
resisto
mesmo naufragando de mim
se somos
rosto fugaz do Devir
que seja o
Verbo rebento
um rosto que
resta diluído pelo acaso passageiro das esferas
na água oca
dos espelhos opacos
Deus
penetra-me sem estrofes
réstia /
fresta
trepadeira
da alma em tronco
fungos
entrecortados de veios de açucena
permeiam o
pulmão do mundo exalando arbóreo oxigênio por alvéolos
incandesdentes
que
estiletam o ar de setas trespassando o acaso....
duas forças
competem entre minhas costelas dilaceradas de significados exangues
: longe e nunca.....
toda poesia
de minhas entranhas nisso se contêm quedas da violação de meus
sentidos eviscerados: longe e nunca...
ai
emasculado do divino : escrevo
orgasmo
cósmico entre a rosa túmida
entre minhas
ancas tortas como a órbita de Urano
criar é um
ato anti-natural
viver é
apenas passar por apuros entre a dor lúcida entre o vazio e o nada
existir é um
travo semântico de nossos membros e células consumindo-se
no esforço
insano de desatar o absurdo
poesia é
então o elaborado sêmen infértil dum vício solitário perpetuado por
signos / gestos ou insondáveis rebentos de galáxias distantes dum
agora contínuo mesmo sem mais o meu e teu gosto....
é preciso
mastigar o que escreve nas coisa por nós
o pensamento
criativo liberta : o ex-pensamento é o encontro da palavra
com o mundo:
Poesia
não esquece
a bagagem , mesmo que o destino seja o nunca
ele nasce
com o invólucro sedoso e nos despacha com pano sem nenhum apuro
esse
amontoado, esse chamado, destino......
a vida é um
nada imperdivel nascer ao lado do mar , desde os mais antigos
ancestrais, foi a sina de ser vocacionado para a sondagem ...a
inquietação alternando profundidade : todo disparate me soa verdade
do Oceano em mim.
Eu ´´causo-me´´
espécie as vezes.
Não saber
quem sou foi meu primeiro estalo para sentir-me escritor, para
fazer-me poeta. A vida para mim ? é fazer tudo por acreditar / tudo
está por acreditar
Esse esforço
insano por crer / ainda assim nessa lida nunca me senti tão bem
convivendo mais comigo...estava disperso até de minha sombra, essa
sorrateira que também deve ser trazida e tragada ao conversar com
minha luz.
Três horas
... a madrugada é uma senhora deflorada parindo mil auroras...
Imagino
alguém pensando num hotel em Adis-Abeba ou Tókio que eu também
exista... sempre há alguém para vibrar nosso tempo: esse amor
longínquo diz-me com intuição voltada ao hemisfério ocidental do meu
corpo e toda vontade de meu dorso , que terei um inverno afetuoso
aquecido pela face doutro rosto
onde a
entrega só é possível depois de feito nosso acerto de contas...eu
chamo o ponto P dentro de mim : meu cerne por aflorar. Quanto mais
desaprendo é o recomeço do sentido . amas? é o enigma / respondes?
anúncio do desacerto
o desejo vem
na emergência de um esvaziamento extremo. Tenta o oco de ti:
encontrarás
um fóssil recheado de resquícios do que não foste. O homem sem alma
foi descoberto nas ruas...um poeta o identifica pela senha dos olhos
de quem vê longe...de repente era uma multidão de
desalmados...enjaularam o poeta que sopra cantos como Orfeu : versos
sem preocupação mais de se libertar. Você é a medida de quem ama /
do que.....busco o pássaro da noite / afasto-me dos espectros que
ofuscam o paraíso terreno. A elaboração do luto nasce da fala / o
que se perdeu recomeça no reinvento das cinzas.´´
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
´ |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||