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´´E
quando soar o sino , não
estiveres por perto
o templo ainda reverbera
em ti o sentido daquele
instante
não mais consolação /
ainda assim o silêncio
compartido ecoa dum maio
que também partia depois
da magia duma noite sem
retorno
não tens mais aquele
maio / nem mais aquela
precisa noite
volta-te ao mar da tua
origem : a ele pede
reflexos que retenham a
lembrança : que as vagas
contenham nas ondas o pó
do teu destino
quando o inverno diz
mais uma vez solidão
responde terno: tiveste
num maio passado pausa
ao tormento :
foste o homem com seu
amado
das ruas em silêncio /
do vinho ainda em teu
hálito ;
cálamo num casto leito
paixão tão em teu
repouso
a vida não é entendível
compreender no vácuo do
absurdo
no gesto donde escreve
foste apartado do meu
tempo / mas desde o copo
a boca nenhum amargor
ou ranço / poeto,
esvoa-ço
é a manhã que me sopra e
preenche a fala dos
homens que crêem nas
páginas em branco / vai
por quem quiseres e
aceita que a folha siga
como o ocaso que arde
ainda no fogo
torna-te ode / elegia
eras um corpo
agora queda na estante /
só amanhece no rosto que
move a escrita
longe é onde a ausência
é menor que o desespero
impossível é o estado da
desistência no bom acaso
mal percebido
poesia é a razão
sobrevoando de asas
soltas
é amor de caso pensado ;
se amas, mergulha . nada
deve ser deixado pela
metade
nem o naufrágio se tanto
queiras.....´´
Flávio Viegas Amoreira
Escritor e crítico
literário
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