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AMOR NO SILÊNCIO

 

´´ Perdoa se a ti, Amor dedico tanto

na incerteza de retribuído afeto

tenho a pena e o vinho desse amor sereno

outrora insano

poderoso repouso é a memória do teu reconstruído semblante

eu que re-invento a proximidade de teu sorriso. ´´

 

´´ E se só houvesse palavras...

Seus olhos miram o que tenho de pior na hora da despedida

essa constante maldita

Até marca os instantes de dizer adeus

Preciso viver o próximo instante

E só sei amontoar palavras

estrelas errantes / azul ou vazio verde

Se eu pensasse dura uma mentira

Se faria enraizada uma ilusão soberba

E conto é porque aprendi ir fundo

Ao cajado

Desdobra o cerzimento

Falta a noz que doura na carnação dos escaninhos

De planta fruto gomo candente do hábito de colher no pomar

Paciente do semeio

Ao fim da espera será ainda tu me advento

cruz eterna

inconcebível silenciamento do nada

luz infinda

só os loucos tem um só motivo para sempre

pega-se o que se encontra ao agrado

mal supondo ser o mítico ofertado / lances causticantes

azula a vista mesmo o que por ti pranteio

veste-se de brocados ardentes

magnânimo clarão que na minha Fé de amor me alumia

tua presença é um espasmo sem reparo ao permanente da minha entrega

Meu bom amigo, amado,

Vivem nas herdades muitas mulheres que poderão escutar-te sem compreendido dilacerante que nos une

Deixai pensar que o que é nosso seja delas na impossibilidade disso

Fortalece nosso destino

Brilhamos nessa onda sob o luar em firmamento

Aquecida brasa em mesmo fogo ´´

 

ao abrigo de dúvidas

só a incerteza nos assegura de persistência

poeta escolho a múltipla tua e minha seiva

nunca finda a urdidura do enigmático gozo

teias vicejando

o experimentamos longo

que só inicia com a existência

esse amor que guardo

reflete-se muito depois muito depois

volatiza como a brisa que diamante etéreo , fractal , amor, amor , se cristaliza

a prosa alitera poeticamente

o exercício de reconhecer-me em ti túrbido num leito incerto

faz-nos lago rio oceano e torna ‘a fonte nascente num ciclo incessante entre nossos traços afluentes

estávamos também no princípio , sou por ti em Verbo

corrijo-me

inflexiono

rumino

o Tempo nos sacia de espaço:

acode pelo ocaso oportuno dos ponteiros

 

a vida triste

as coisas mórficas despem-se

tornar é irreverssível

não se entristecem

somos tristes e o mundo nada sabe disso

damos nomes tristes ao que ocorre o maior nome é mundo

então chega momento imperceptível que amar não dói

sentimos enorme impenetrabilidade diante de nosso reflexo perpassado

é desejo

e desejo é tudo

que suporto ´´

 

[ Flávio Viegas Amoreira ]