| Meiotom - Contos |
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flávio viegas amoreira |
‘’Cowboys
do Amor: Oeste do Paraíso’’.
A
China não é o Paraíso: é capitalismo de Estado e nada de democracia. América não
inventou o Imperialismo e ainda é grande laboratório de liberdades. Macarthismo,
Nixon ,Bush, passam, o amor livre de Whitman perdura , floresce. Em 1948, Gore
Vidal escreveu o clássico ‘’A Cidade e o Pilar’’ onde fuzileiros mantêm longo
caso amoroso. Vidal é o último iconoclasta da era de Capote, Tennessee Williams,
Ginsberg, os profetas de ‘’Brokebak Mountain’’. América engendra nas entranhas
puritanas, contestação, contradiscurso, desconstrução do seu enunciado de coerção socialitária. Sou
libertário e nada anti-americano: os beatniks, hippies, ‘Frisco’, o Village,
Stonewall, são experimentos que levaram vitalidade as vanguardas européias. Não
se trata mais de mudar o mundo, mas recriar neo-subjetividades: o
pós-estruturalismo e pós-conceito levarão ao cerne: o Amor que nunca será
Pós-Nada, é referente que autojustifica. O filme de Ang Lee re-inova a quebra de
esteriótipos, inversão de arquétipos e subversão de valores brutalmente
instituídos; o ‘establishiment’ careta assiste atenta e respeitosamente o Amor
entre dois homens. A Filosofia da Diferença reforça duas causas crescentes:
pluralidade e singularidade. Não se quer alternância
individualismo-universalidade , mas a ‘singularização’ resistindo a significados
unívocos. Lutam silentes os amantes
que desbravam Oeste da sensação: o ser amado é reconhecido pelo sujeito como
‘atopos’ , de uma originalidade indescritível. Barthes/ Deleuze solicitam a Vida
como experimentação do Amor e Linguagem revolucionados. ‘’Brokeback Mountain’’ é
conto e fita provocando dobras na epistemologia da resistência. Ouvi ecos de
Diadorim, ‘’Folhas da Relva’,’ Gide, Foucault retornando num Éden intimíssimo, a
Heterotopia: ‘’contralocal onde se
contesta/inverte representação da realidade através da utopia.’’ Virilidade e
afeição são atributos em jogo, embaralhados na implosão dos catálogos-rótulos:
compartimentalização versus ‘Eu’ livre, autônomo. Culturamente a América é
vislumbre que empurra o Ocidente da Razão até as pradarias do homem instigado,
essencializado pelo desejo. O Amor é Oeste da Alma: desarrazoado, substantivo,
discordante de funções e finalidades: seco por indizível. Amor de conteúdo
amorfo que amolda-se à formas arbitrárias diante dos corpos-significantes. Muito
tempo não via nas telas tanta dignidade estóica ante o irremediável (quase
sempre desejado): paixão adulta e amadurecimento existencial sem nenhuma
concessão ao conformismo ou militância embandeirada. O ‘Eu-mutante’ é o não
subjetivado por fora. Mudança e sofrimento são im-partilháveis: o personagem
Ennis del Mar ( nome-poema) dá a deixa ao que virá ao ‘ganhar’ o amor perdido:
‘’Eu prometo...’’ a jura é mutação dele e do caminho à trilhar. Que apaga
alumia. ‘’Brokeback Mountain’’ é lamento sem Deus, canto à libertação, romance
da solitude. O western do Ser vale mais que 1 milhão na Paulista: é tudo menos
‘gay’, a Dor não finge. As montanhas não mais serão refúgio: o Amor é um
des-território amplo soando vento.’’
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