Meiotom - Contos


 

 

flávio viegas amoreira

 ‘’Desmemorial dum .’’

 

‘’Não queria o lugar comum das máscaras. confeitos e serpentinas: o que não queria era saber dos filhos na piscina/Andora cofiando a teia com a nora. a mulher era nora: não mais o que amava: Nora era a esposa e não fazia mais carnaval disso,cansei da idéia de divórcio , seria validar , acontecimento. pela  primeira vez as Pintangueiras esse íncubo de praia me constrangiam o pensamento: isso não me permito, pensar em sincronia ao que outros tecem. o paraíso é inferno se vira farra fantasia.

ter o carnaval : alegria não se faria minhas custa. dava as costas

ao vermelho de folhinha: sair do tempo é deter eixo das companhias: terça gorda seria meu janeiro primo. o sexo com nora

era caceteação: eu de porre na pele. não queria o que galvaniza,

esgar alacre que reúne a idiotia, o que reúne quase sempre é torpe. prefiro doce parceira quietude da conversa sufocando alvoroço do peito. o costumebebê de tarlatana rosa’ pairava puído no antiquário da infância. não é vertical nos segundos: minha placidez era antídoto contra arroubos do esvaimento da Beleza. alegria é anticarnavalesca, assopra ouvido no inverno das certezas. se comemora-se estaria uivando apressamento do infortúnio. quem se apaga alumia em dobras. canso em grupos.

foda seria fugir das gralhas em torno de Momo estupidificando em corso pela avenida da orla. a gargalhada uníssona coletivizava seu ópio: a banda passando rente em onda desumana era o que massacra. nada mais familiar que o carnaval em casa de veraneio:

estaria povoado de sonhos em qualquer quarto de fundos para o mundo. felicidade em ritual é o que se me escapa. eles dormiam do almoço: eu tomava a serra de ônibus para deitar mais suspeitas: o carro era o rastro do enfado. ir de automóvel era carregar o sentimento de conjunto. sigo num banco vago: quando no Jabaquara vejo que o terminal é bem uma ilha entre o cais a selva e Congonhas: um triângulo de possibilidades. pervago: o carnaval saia de mim na metrópole inda em casca. quatro dias sem função tiram de Sampa natureza : cochila estranha duma lerdeza provinciana que as coisas fora do lugar estreitam ao significado. 23 de maio vã é anti-Sampa. Era isso empatava ainda desencarnavalizar-me: tomar um café em goles espaçados num arrabalde com cara mansa de Vila Mariana. sem pegação Augusta

ferveção / putaria: o adultério era casta solteirice / outra forma de traição ao casamento: largar-se . trocar escapulir desandar

do ambiente construído na abstração dos roteiros provocados pelo caminho cômodo. desentregar-me / pôr em mim ordem sem muito sentido aparente: desen-algo-que-era-por-mim-aceito. estacava nisso: gozar sem bulício, não fazer de mim carnaval, meu coração

um satori da lingua à glande: deixar quieto o sexo: esse oferece menos que o repouso de mim que é sexo desfeito. mesa de calçada ó que há ! uma velha freira pelos lados do arquidiocesano,

o copa de boteco, a moça do guichê: eram gente por trás do uniforme sem ‘homem-aranha/ mulher-maravilha’ : freira, balconista, gerente, nomes fantasia de gente-gente podia ver nos olhos a razão social de seus sentimentos. colombina morria afogada na Quarta-feira de cinzas: esses de Sampa seguiam lendo

noticiário dum ano seguinte. uns se enfartam de tanto, outros bisbilhotam o vivido numa filosofia de gestos simples. alma não faz festa: sentei com um destino que levava um livro nas mãos.

avenida rente ao Ibrapuera: a mãe tinha um som tranquilo de Erik Satie no rosto: calma funda de sensibilidade. roçava seus dizeres ao filho: parecíamos holografia apartir dum samba-enredo desfeito.

não estaríamos alí se não saísse do meu hábito de pai: o jovem lia

Gurdjieff . meia hora sem antros: íamos para onde conversa levava de encontro ao desejo dialogar por perto. anti-folia, uma contenção que não rompia nosso júbilo: tinhamos arlequinada na prosódia. ruídos de bailes longinquefeitos: calculo a vida nessa tarde passada entre poesia e a mística dos drinks / do sentido das alamedas / da melhor forma dispor volumes no batente e ver passar a calçada. Tínhamos idéias idades compatíveis ao romance

o filho parecia me esperar solícito para um desenlace e há um amor do intelecto quando universo se nos desaba irrefletido, pronto, acertado pelo momento. a grossa tinha desmanchado em fiapo: retive o êxtase, trocamos endereço eu sonho touro águias cisnes sátiros fogo chuva de ouro: fio após fio Aracne

jaz no cérebro do arrependimento não consente retomar acertos.

eu troco tudo por ser em Pitangueiras, não é mais carnaval,

na Páscoa inverto visita da família redesenhada. estranhos fartam-se de ovos enquanto retomo nosso carnaval noutros termos:

Ana e Leonardo não são daqui que chamam calendário. Fui em meu socorro, divirjo o que a lembrança fazia por mim. Não me ocorre nenhum desespero imprevisto, cai temporal no jardim.

arranco esse troço compromissado de passado : vejo a serenidade pelos poucos olhos que concedem ver o que não se-me digo.’’