‘’Desmemorial dum só.’’
‘’Não
queria o lugar
comum
das máscaras.
confeitos
e serpentinas:
o que
não
queria era
saber
dos filhos
na piscina/Andora
cofiando a teia
com
a nora.
a mulher
era
nora:
não
mais
o que
amava: Nora
era
a esposa
e não
fazia mais
carnaval
disso,cansei da idéia
de divórcio
, seria validar
, acontecimento.
pela primeira
vez
as Pintangueiras esse
íncubo de praia
me
constrangiam o pensamento:
isso
não
me
permito, pensar
em
sincronia
ao que
outros
tecem. o paraíso
é inferno
se vira
farra
fantasia.
ter
o carnaval
: alegria
não
se faria minhas
custa.
dava as costas
ao
vermelho
de folhinha:
sair
do tempo
é deter
eixo
das companhias:
terça
gorda
seria meu
janeiro
primo.
o sexo
com
nora
era
caceteação: eu
de porre
na pele.
não
queria o que
galvaniza,
esgar
alacre que
reúne a idiotia,
o que
reúne quase
sempre
é torpe.
prefiro doce
parceira
quietude
da conversa
sufocando alvoroço
do peito.
o costume
‘ bebê
de tarlatana rosa’
pairava puído
no antiquário
da infância.
não
é vertical
nos
segundos:
minha
placidez
era
antídoto
contra
arroubos
do esvaimento da Beleza.
alegria
é anticarnavalesca, assopra
ouvido
no inverno
das certezas.
se comemora-se estaria uivando apressamento
do infortúnio.
quem
se apaga alumia em
dobras.
canso em
grupos.
foda
seria fugir
das gralhas
em
torno
de Momo
estupidificando em
corso
pela
avenida
da orla.
a gargalhada
uníssona
coletivizava seu
ópio:
a banda
passando rente
em
onda
desumana
era
o que
massacra. nada
mais
familiar
que
o carnaval
em
casa
de veraneio:
estaria
povoado
de sonhos
em
qualquer
quarto
de fundos
para
o mundo.
felicidade
em
ritual
é o que
se me
escapa.
eles
dormiam do almoço:
eu
tomava a serra
de ônibus
para
deitar
mais
suspeitas:
o carro
era
o rastro
do enfado.
ir
de automóvel
era
carregar
o sentimento
de conjunto.
sigo num banco
vago:
quando
no Jabaquara vejo que
o terminal
é bem
uma ilha
entre
o cais
a selva
e Congonhas:
um
triângulo
de possibilidades. pervago: o carnaval
saia
de mim
na metrópole
inda
em
casca.
quatro
dias
sem
função
tiram de Sampa natureza
: cochila
estranha
duma lerdeza
provinciana que
só
as coisas
fora
do lugar
estreitam ao significado.
23 de maio
vã é anti-Sampa. Era
isso
empatava ainda
desencarnavalizar-me: tomar
um
café
em
goles
espaçados num arrabalde
com
cara
mansa
de Vila
Mariana.
sem
pegação Augusta
ferveção
/ putaria: o adultério
era
casta
solteirice / outra
forma
de traição
ao casamento:
largar-se só.
trocar
escapulir
desandar
do
ambiente
construído
na abstração
dos roteiros
provocados pelo
caminho
cômodo.
desentregar-me / pôr
em
mim
ordem
sem
muito
sentido
aparente:
desen-algo-que-era-por-mim-aceito. estacava nisso: gozar
sem
bulício,
não
fazer
de mim
carnaval,
meu
coração
um
satori da lingua à glande:
deixar
quieto
o sexo:
esse
oferece menos
que
o repouso
de mim
que
é sexo
desfeito.
mesa
de calçada
ó que
há ! uma velha
freira
pelos
lados
do arquidiocesano,
o
copa
de boteco,
a moça
do guichê:
eram gente
por
trás
do uniforme
sem
‘homem-aranha/ mulher-maravilha’ : freira,
balconista,
gerente,
nomes
fantasia
de gente-gente podia ver
nos
olhos
a razão
social
de seus
sentimentos.
colombina
morria afogada na Quarta-feira
de cinzas:
esses
de Sampa seguiam lendo
noticiário
dum ano
seguinte.
uns se enfartam de tanto,
outros
bisbilhotam o vivido
numa filosofia
de gestos
simples.
alma
não
faz festa:
sentei com
um
destino
que
levava um
livro
nas mãos.
avenida
rente
ao Ibrapuera: a mãe
tinha
um
som
tranquilo de Erik Satie no rosto:
calma
funda
de sensibilidade.
roçava seus
dizeres
ao filho:
parecíamos holografia
apartir dum samba-enredo desfeito.
não
estaríamos alí se não
saísse do meu
hábito
de pai:
o jovem
lia
Gurdjieff
. meia
hora
sem
antros:
íamos para
onde
conversa
levava de encontro
ao desejo
dialogar
por
perto.
anti-folia, uma contenção
que
não
rompia nosso
júbilo:
tinhamos arlequinada só
na prosódia.
ruídos
de bailes
longinquefeitos: calculo a vida
nessa tarde
passada
entre
poesia
e a mística
dos drinks / do sentido
das alamedas
/ da melhor
forma
dispor
volumes
no batente
e ver
passar
a calçada.
Tínhamos idéias
idades
compatíveis
ao romance
o
filho
parecia me
esperar
solícito
para
um
desenlace
e há um
amor
do intelecto
quando
universo
se nos
desaba irrefletido,
pronto,
acertado pelo
momento.
a lã
grossa
tinha
desmanchado em
fiapo:
retive o êxtase,
trocamos endereço
eu
sonho
touro
águias
cisnes
sátiros
fogo
chuva
de ouro:
fio
após
fio
Aracne
jaz
no cérebro
do arrependimento
não
consente retomar
acertos.
eu
troco
tudo
por
ser
só
em
Pitangueiras,
não
é mais
carnaval,
na
Páscoa
inverto visita
da família
redesenhada. estranhos
fartam-se de ovos
enquanto
retomo nosso
carnaval
noutros termos:
Ana
e Leonardo não
são
daqui que
chamam calendário.
Fui em
meu
socorro,
divirjo o que
a lembrança
fazia por
mim.
Não
me
ocorre nenhum
desespero
imprevisto,
cai temporal
no jardim.
arranco
esse
troço
compromissado de passado
: vejo a serenidade
pelos
poucos
olhos
que
concedem ver
o que
não
se-me digo.’’