‘’MANUAL DO
ATOR
PENSANTE.’’
‘’Antes da
influência
funcional do
diretor, - é a
um
amigo de
letras
que deve
recorrer o
ator
principiante.
Não existem
candidatos a
ator. O
companheiro
escritor, - insinua ao
intérprete o
que deve
ser lido e
visto. Basicamente ler e
rever
com
olhos de
leitor. Ao
ator é
entregue
um
papel
antes
pela
sociedade, - o
núcleo
que o envolve na
pequena
comunidade
onde
veio ao
mundo molda
padrões dificilmente abandonados no
ofício posterior.
Condições sócio-econômicas,
estrutura
familiar e sexualidade-afetividade
são o
substrato
que induziram
propensões e
impedimentos. Se é
personagem
nos
tablóides e
revistas
semanais
antes de
entrar
em
cena, -
impossível
abstrair
limitação cultural e
arrivismo do
óbvio
idiota fazendo
pinta de
gostoso. A persona do
intérprete antecede
escolha e
adequações dos papéis.
Tudo principia no poeta-confidente
que
cruza no
momento da
iniciação.
Atitude,
estilo,
termos pós-modernos podem
reverter
em
utilidade
elevada
para
aquele
que vai se
submeter aos
grandes mistificadores:
encenadores
que teimam
em roubar dos
protagonistas a
função de
encantar. A
era dos diretores-divas cede ao
ator
orgânico, auto-consciente, e
amante do
texto
imortal. O
ator é
um
leitor
por
excelência,- e
caminha ao
lado do
tímido
erudito deixado
em
seu
ofício na
província
onde o
encanto se processou
primeiro.
Atores
são
viajantes,
escritores alternam
entre imaginação,
pesquisa e
contatos
virtuais,-
mais e
mais
escrever é se
iluminar
em
casa
com
voltas de
ar
fresco no
quarteirão.
Nos
palcos e
refletores, o
que interpreta carrega
consigo o
estímulo recheado de insights advindos da
memória e da
influência ,-
escrever
fundamentalmente é
ceder
substância aos
agenciadores
públicos de nossas
palavras. O
ator
só se desenvolve sendo
escritor concretizando
esses
textos
originários de
seu
convívio e os
interesses
que surgiram
como desdobramento dessa
união
meiga
com o
poeta.
Primeiro
características
compatíveis,
logo
intuição do
teatro, e
ele se
vê
sem
calças
para
encetar a
Busca. Os
cursos e
oficinas
são
engrenagens gregárias de
vaidades e
sedução, -
nada
que pudesse
apreender
antes
lendo e observando
intensamente teria
valia
além da normatização
morna dessa
prática
solitária precedente. A
escola de
teatro
ou workshop ,
são
pontes rápidas ao
ambiente descolado
ou
lúdico
treinamento
para o chope da
esquina. O
ator e o
escritor
são
irmãos
divergentes
em
perspectiva de
um
mesmo
ponto de
vista existencial. As
ferramentas e
características
pessoais determinam
muito, o
intercâmbio se desfaz
tristemente
por
imposição das
veleidades do
meio
mambembe.
Interpretar é
resultado da
observação
aguda do
mundo,
pela
necessidade de
objetivar o
encontro
primeiro e
dar
substância enlevada às
sutilezas da
linguagem,
qualquer
que seja produzida
por
criador encerrado
sem
ribalta, - o
poeta
que cede o iluminado ao
rosto
amado as
entidades
que visitam
em
seu
gabinete. O
escritor vivencia antecipadamente o
que o
ator
goza no
arroubo do
que o
primeiro continha.
Imposição
básica ,
jovem shakesperiano:
um
anônimo
poeta ao
telefone,
amigo
epistolar,
cada
e-mail,
um insight, -
sacada traduzindo
em
bom
brasileiro.’’
‘’ A
psicologia está no
olhar, no
cotidiano
Eterno das
coisas e
gentes, e
nos
livros
que tece no
palco urdindo
através da
sua
lembrança o
personagem intimizado
com
alma de
profeta.
Não a
ternura, o
afeto.
Não a
simpatia, o
Amor.
Antes do
diálogo, a
reflexão
interior do
diálogo. E
tornar ao
Olhar.
Olhar
sim!
simpático,
imaginário
onívoro.
Vê, tu
que és
belo pode
notar
sem
pejo,
olha nas
lentes de fingida
vaidade:
olha o
beber,
gesticular,
ensimesmado,
tempestivo, floreia
um
drama ao
pobre
prosaico. Nele Eurípedes sobrevive,-
urbano
comporta o
espanto do
grego.
Lê e sai
sorrateiro às
ruas, -
não
te fazes
notar
além do
limite de
teu
encanto. O
Ator extrapola
seus
insucessos: revê
tudo
em
perdas, e
assoma no
delírio de
todos os
homens.
Espreitar.‘’
‘’ O
bloco de
notas é uma das
condições
essenciais
para
fazer
qualquer
coisa de
válido... os
poetas
novos
evidentemente,
não possuem
um
bloco,
não tem
nem a
experiência,
nem o
hábito. Neles , os
versos
perfeitos
são
raros; é
por
isso
que
todo o
poema é
longo,
como se fosse
água.’’
Wladimir Wladimovitch Maiakowsky.
‘’Todo
poeta/
ator tem
sua
fase
azul:
Memento:
parte da
missa
que se reza
pelos fiéis e
pelos
defuntos.
Lembrete.
Pequeno
manual
que constitui a
essência de uma
questão.
Memento.
Ainda ,com
gosto
incontido,
lê
bem
mais
que escreve
ou tece,
esboça. Cai-lhe nas
mãos Baudelaire, aproxima-se do
poeta , de
quem o revela e de ambas as
épocas: do
bardo e do
amigo
em
afeto. ‘’
‘’
Deus é o
único
que
para
reinar
não
precisa
existir’’.
‘’Toma
como
epígrafe
importância da
palavra, - do
virtual
que
passa, insisti e recolhe de
si.
Sabe
ser o
caminho
longo
para
tanta
pressa de
expressão,
pressa
adjetiva,
descoberta
indevida na
cronologia dos
percalços."
[‘’Estar
sempre
entre os
primeiros e
Saber,
eis o
que importa,
mesmo
sem alcançarmos o
porquê da
encenação. ‘’ Eugenio Montale.]
O
poeta e o
ator
são
disparates dessa
passividade,
nunca cansam de
observar
para
entreter de
significados a
mudez da
platéia. Enfrentamos a
página retidos no
palco, o
Ator
caminha digitando,
ele estica os
sentidos retidos, corrobora veracidade do
absurdo
ou do
subjetivo.
Todo
poeta
chora enternecido
por
um
Ator no
palco ;- vibra de
mãos dadas o
altissonante. Alegrem-se e
não deflorem
antes
meu
pensamento, o
protagonista aguarda a
deixa pondo
desejo na
maestria. A
flauta / a
cítara / o
alaúde; a virginal e a espineta. Instrumentos de apreciação da
espartana
burguesia.
Felizes
gentilezas divinas: o
gesto no
banho, a
disposição de
talheres à
mesa, o
sentar
balofo
ou
seco do
transeunte, a
invalidez do
acaso,
decrepitude
gêmea,
ocasião das
festas e
fastio das
mortes. O
ator é
sempre
antagonista
silencioso do
óbvio
solene,
não sacia na
prece. O
conflito, o
vazio,
entrosamento simbiótico,
passo de
retorno :
percepção do
real ao formulado, entrecho.
[‘’Quase
tudo o
que sucede é
inexprimível e decorre num
espaço
que a
palavra
jamais alcança.’’ Rilke.]
Toma de
empréstimo e acaba aderindo à mascara / recorre ao
verso , põe anima de
Belo e
Monstro,
quem
mais aproxima da
interface. Aproxima
pois
leva
com
todos
juntos a possibilidade
tornada
momentaneamente
beijo,
tiro,
gosto,
sexo. A
tristeza, essa parece recolhida
sem
pedido às
coxias,
bastidores:
esse
sinônimo de
fazer.
Tecelão, acolhe
para se
desvencilhar
sozinho a
tristeza somada do
escritor, do comovido, do
choroso, do
boquiaberto. Os
apontamentos gestaram a
síntese, as
reservas
poéticas compuseram a
trama:
enredo eivado dos
significantes alumiados de
encanto.
Contrastar
idéias.
Recapitular é
fazer
tanto
quanto:
esboços,
fragmentos, mal-suceder e
então justapor. As
palavras se percebem desordenadas
em
ordem
intrínseca. O
amigo, o
amante, o
preceptor, a
função do
conjunto, as
tarde
passadas
em
transe calculado. O
ator
rala prá
caramba!
Tudo parece
dizer. Monty Clift
ou Dirk Bogarde,- percebe ali a
meditação
lírica, o
esforço e o jubilo, a
promessa , a
fixação num
pedido:
menos o Destinatário, -
além do
Remetente.
Nunca tive
habilidades
técnicas
além da
precisão de
perspectiva: ao
enviar
um
livro,
sempre
punha confuso, -
onde o
meu e o dele? o
código
correspondente.
Olha, lembra, desperta
agudamente,
lê
para
dilatar entrevisto, - a
técnica de
palco, a
metodologia
não pode
Ser
muito
mais
que
esse conteúdo.
Volta: observa a
Rainha Cristina,
Garbo
estática e
nada é
mais eloqüente!!
O
xadrez
com a
morte, a
porta
falsa de Visconti,
Brando confessando
ser
um
fraco!
Entre as
pupilas e os
lábios:
mesmo
que a
ausência de
lábios exceda a
Graça no
sorriso das
pálpebras ( Keneth Branagh ), o
rosto
humano é
santo no
descanso
trágico. Holderlin dramatizando o percurso na
neve / o
cajado é
tinta no
enlevo desenhando as
posteriores
lembranças. Encena-se Rimbaud e Verlaine, Lorca e
Pessoa?
busca na
mais
recôndita
paginação da
estreita
estante:
Real
Português
Gabinete de
Leitura, -
lê Holderlin e
leva Lautreamont
distraído
entre o
Oceano e a
paisagem. O
fácil
assim se
mostra
posto
que
dado à
Luz do
Dia
feito
sem o
pó do
estrume da
cavalgada.
Para os
dois
poetas dormirem
másculos numa
matinê de
Sábado,
muito
tiro foi
dado
em
bundas destemidas.
Toma a
peça isolado no
quarto,
esse é o
teste de
sobrevivência do
artista: o anonimato.
Arte
que copia
abertamente transfigurando, amalgamando, no
amor
ou
ruptura, participa, retêm e antecipa a
realidade / o
intento
forja
alexandrino
ou
soneto, -
queda no
assoalho, a
deixa
elevada à
transcendência, aparta a
dúvida, rearticula o
personagem, o
texto corre
atrás de ti. Sê
como os
que deram
origem a Sócrates, esculpe e dá
luz à
memória grávida /
ávida.
[ ‘’ O
que é
que
eu estava dizendo? Ah, sei; estava falando do
teatro.
Agora
já está
tudo
bem
diferente...
Agora
eu
já sou uma
atriz de
verdade;
eu
trabalho
com
alegria,
com
êxtase,
em
cena
eu fico
como
que embriagada, e tenho a
impressão de
que fico
linda. E
agora, nesses
dias
aqui,
eu tenho a
impressão
que
cada
dia estou ficando
um
pouco
mais
forte...
agora
eu sei, Costia,
agora
eu compreendo
que o
essencial
em
nossa
profissão –
tanto faz
que seja no
palco
ou na
literatura o
essencial
não é a
glória,
nem a
fama,
nem
nada daquilo
com
que
eu sonhava, e
sim
saber agüentar
com
paciência...
saber
carregar a
cruz e
Ter
fé.
Eu tenho
fé, e
já
não sofro
tanto; e
quando
penso
em
minha
vocação,
não tenho
medo da
vida.’’ Nina à Costantin - ‘’ A
Gaivota’’- Tchékhov. ]
I -‘’então?!
Acho a
que
ponto?!
Dar
o cu seria
nosso
único
ato
de
resistência,
poderia
imaginar?
(
risos
contidos )
-
ou
de
persistência?
-
-
fundo
azul
para
uma
conversa
de
finalidade
esvaziada;
então,
então?
quanto
advérbio
e
indagação.
(
ele
se colocara nu
em
minhas
pernas
e disse - sem ao
menos
eu
pedir, que
me
amava...)
-
um
michê?
-
Nisso, recuei
um
pouco
como
quem
espera
o
transe, -
retomar
uma trepada é foda!
-
ininterruptamente, e pensei,
que
dizer?
-
confirmo
todo
afeto?
-
devolvo
em
silêncio
-
revelo o
que
desdenho?
-
Como
só
no
sexo
sabemos
ser
gostosamente
hipócritas...
típicas
situação
de
não
saber
dizer.’’
II- ‘’o
essencial
é
total
refeito
aos
trancos
da
consciência
ou
intuição: nessa
nesga
de
tarde
e
quarto,
olha
algo
que
não
seja
essencial:
livros,
copos,
fotos,
arpejos,
sussurros,
pedidos;
aliás,
sempre
retomo ‘aliás’,
Deus
errou na continuidade:
era
tão
quente
em
outubro
antes,
lembra? Daí
pensar
em
evolução
na
Arte
é
um
pulo!
-
gosto
dessa
experiência
sem
vertigens
contigo:
a
feitura
e o relato,
-
a
espera,
- a
digressão,
- o
pensamento
parece
diminuir
toda
essa
ausência.”
-
--‘’São
aquilo
que
dissera
antes:
os
pontos
iluminados, - luzes
que
não
se embrenham
-
na
curta
vida
da
memória,
retinem à
vista
do
olhar
presente,
primário,
o
galho
-
que
se espraia na tua
estante,
a
lembrança
do
sexo.
Isso
me
ajuda
a
salvar
alguma -
coisa
de uma
noite
que
temos
hábito
bobo
de
chamar
inesquecíveis’-
-
esquecer
o
sexo
com
um
homem
que
amei, -
isso
atordomenta!
Esquecer
o
sexo
-
seria
não
mais
buscar
seu
equivalente.
Mas
te
garanto: sofro nesse
resgate,
-
tento
ao
máximo
segurar.’’
- ‘’comigo
é
quase
igual.
Mas
a
última
foda
leva
de
roldão
todas
antes,
- tem uma
força
essa
proximidade...
desmesurada
semelhança,
a
tal?!
equivalênciaaaa....!’’
-
- ‘’ ... é
que
essa
última
foda foi
ontem
... (
risos
) e
assim
dói!!’’
[
minha
sala
parecia
mesmo
pronta
prá aquela
conversa;
éramos
íntimos
em
tudo].
[Nosso
diálogo
se interrompera
por
alguns
dias
de
frio
intenso; -
quarenta
graus
rebaixados ao
dígito
zero
, -
toda
possibilidade de
clima
e
necessidade
de
correspondente
emoção a
atmosfera,-
ambiente
afinal
é
emoção
concretizada.]
[
Nada
que
me
intimidasse
ou
desnudasse
mais
que
aos 35
anos
passar
uma
noite
com uma
mulher?!
Gênero,
objeto,
- era-me de
todo
desconhecido:
com
os
rapazes
nunca
assim: eram
tanto
de
mim
disponíveis
em
incertezas,
vibração
mesmo
antes
conhecê-los: (
com
ênfase
) biblicamente].
‘biblicamente!’’ ( pensara
alto)
- [
centro
da
sala,
- lendo Goethe ]
-
‘’Essa a
desvantagem
tragicômica dos
heterossexuais
tardios!
Por
quê
não
antes?
- Tanta
convicção ideológica é peniana,
toda
certeza
é peniana; -talvez explique
-
Arte,
neurose
e
melancolia
gays
afogadas na
paz
exangue
do fellatio.
-
O
Pênis
nas
mãos
inseguras arrefecem tantas
dores
gays
e femininas...
-
Devoção
homoerótica ao
pênis
complexo:
divas,
pinceladas,
cinzéis,
tudo
redourados
-
no
gosto
mítico, totêmico.
Como
fiel
devoto
a
um
só
santo,
ator:
dissolve
tensão
-
na
poltrona
reflexiva:
dá
relevo
expressivo
ao
par
de
pernas,
arfar,
respiração,
-
despertar
do
cochilo,
coçar
do
saco,
balançar
dos
pés
desjuntados da
tela.
-
Ator,
- o
teu
gosto
dissolve-se no
palco,
imaculadamente
disfarçado de
feliz!
-
Radioso , revolve as
sombras
do
Mundo,
- pairando
outro
só
no
camarim
ou
quarto
-
de
hotel.
Não
saia
para
ser
visto
do
teatro,
te
anules
garbosamente
sem
mais
governo
-
ou
transe
no cigarro
ou
na
carícia
amante
, se
possível.
-
Uma
praga
não
Ter
um
amante
se é
criativo
!’’
( a
luz
baixa
,
penumbra)
[
toalha,-
estendida, o
hábito
de
limpar
sem
pó
o
quarto,
desperto, - banho e
varanda
enxuta, -
o
Mar
de
trás
dos
prédios
provisórios, -
reflexos
de
temporada,
-
balneários.
Provisório:
espelhos
oceânicos, fico no
gesto
rápido
dos
que
tornam
viver
rotina
no
continente,
- rogo a
solidão
e
um
reencontro.
Só
um
como
devem se re-encontros. A
adolescência
deve
voltar
sem
gêmeos,
só
uma
vez
na
maturidade.
Acordar
era
olhar
a
cama
e
ver
onde
nela ficou o
sonho.]
(- o
personagem
ou
sua
imagem
ainda
pairava volatizado.)
[
toda
manhã
com
gosto
de
café
requentado e pêra-maçã.]
‘’ Voltemos ao
canto
do
diálogo:
povoemos a
trama
de
personagens
desdobráveis.’’
‘’ AS CLASSIFICAÇÕES DOS
LIVROS
DIDÁTICOS
SÃO
DE UMA
SIMPLICIDADE CONFORTADORA.
AQUI
PROSA,
LÁ
POESIA.
NO
ENTANTO,
É NOTADAMENTE PRONUNCIADA A
DIFERENÇA
ENTRE
A
PROSA
DE
UM
POETA
E A DE
UM
ESCRITOR
DE
PROSA,
OU
SEJA,
ENTRE
OS
POEMAS
DE
UM
ESCRITOR
DE
PROSA
E OS DE
UM
POETA.’’
‘’ ...
SALIÊNCIAS
ESPLÊNDIDAS DAS
MONTANHAS
DA
POESIA
NA
PROSA DA
PLANÍCIE.’’
-
JAKOBSON.
DO ATOR-POETA:
TEXTO
LIDO NA
BAÍA
DE
SANTOS
OU
NAS
ANGRAS
DO
NORTE;
A
POESIA
PREMIANDO O
ESFORÇO
DE
ATENÇÃO
E
CONTENÇÃO;
DIÁLOGO
TRADIÇÃO
E COLOQUIALIDADE;
ONDE
TUDO
SE DISPÕEM DE
MODO
JUSTO.
COLOQUIALIDADE
URBANA.
‘’
prazer
do
passado
no
presente,
como
se revisse o
carrasco
do
meu
sonho
: Eichmann
onírico.
Enunciar
como
exprimir,
expondo.
Saído
de
um
transe
se achando uma bromélia,-
olhar
o
pensamento
pela
natureza
do
sem
pensamento.
Inverno
elíptico,
sei!
Preciso
escrever
para
reconhecer
o
frio
que
dói ...tenho encontrado
o
caminho
dos
moinhos
em
Cervantes, na incompletude dos
sonhos,
anti-matéria. Os
primeiros
dez
minutos
de
algo
importante,
o
que
marca
um
período,
ciclo.
Nota
os
primeiros
dez
minutos.
São
marcantes
como
o
sempre
das
fábulas,-
com
todas
ações
ainda
no
infinitivo.
Na
inflexão
da
curvatura
em
chamas,
dobra
dos
desvios.
Em
dez
minutos
tens essa
precisão
desassistida. Modulação.
Poesia
semântica
incontida.
A
porcelana
azul
de
teus
olhos
merecia
um
poema
solícito
como
beijo.
Modulação
no
que
dizes.’’
‘’ o
achado
poético é
próprio
desse
aprofundar
legítimo
do
quadro
situado,
sutil
observação
ou
inserção
precisa.
Do
rumor
à
análise,
do
furor
à
técnica
permanente.
Quando
se apropria
em
plenitude
do
afazer,
tem-se o
molde
e as
derivações
infinitas, as
modalidades
difundidas.
Mais
que
o
banco
de
praça,
a
parada
de
ônibus
ou
trem,
em
Pinter
ou
Beckett,
nota
a fluência contida do
observador.
Nota!
Poesia
enumerativa, cumulada :
dizer
muito
ou
tudo,
antecipar
ao
vento.
Lembra
caravanas
magrebinas: os bérberes,
leste
argelino,-
caçoar
de
camelos, percebe
como
alguns
dias
no Cairo e tomaste
ares
imprecisos
de morador
vadio
ou
colono?
[
frente
fria
em
aproximação]
---
Poesia
metereológica.
---Se
preciso
remeto
pedido
da
sinopse
e dormes
aqui,
juntinho ao
retrato
da
Velha
senhora.
--- Lembra de
ler
‘’O
Ateneu’’,
-
romance
diminuído
pela
incúria,
mas
fantástico
para
que percebamos
autenticidade
do
personagem.
Um
tipo
de
romance
preenche
vazios
do
protagonista
de
dada
peça
ou
encenação.
Arte
com
palavra
é
literatura
sempre!’’
-
20 de
janeiro
de 2.003.
‘’ o
ser
humano
nasce
para
a
fidelidade’’,
citação
de Foucalt.
[ a
fidelidade
só
pode
ser
companheira
da
amizade
e
espírito,
-
sexo
não
conhece
dono
e
idolatria,-
é
andador
como
perene
afeto
da
saudade]
( ‘philologo’) –
penso
ser
todo
que
escreve
ou
encena.
Crônica
de
colégio,
mística
da
evocação,
força
ginasial
da
vontade
de
querer
muito;
impedimentos
da
Vida
se precipitando
como
anúncio,
anti-universidade! O
colégio
como
iniciação
:
instituição
que
se
nega
e
quer.
Já
notava
voz
recitativa
interior: escrevia pensando
em
tua
voz...
trama,
‘guion’,
desenlace
,
fragmentos
vertiginosos.
A
escritura
é dilaceramento espiritualizado,
como
esse
nosso
ensaio
dos
três
primeiros
Atos;
algo
inumano,
como
fluir
de
corpo
numa
piscina
prateada
de
madrugada.
As
piscinas
e
cordas
pendentes
de
forca
remetem essa
solidão
essencial:
criativa.
Líquido
e
pender
de
árvores,
anti-arquétipos
quando
ladeados de significação.
Escrever
e
representar,
Léo ,
são
duas
formas
equiparadas de
pensar
na
morte
e
anunciar
algo
além
do
infinito.
Além
do
infinito:
Arte
anti-numérica.
Amuradas,
encômios,
bosquejos,
-
natural
acidentado,
aguadas.
Cenografia
idealizada:
Céu
e
Paraíso.’’
‘’tenho
termos
para
elaborarmos
algo
melhor
, Léo. Bidimensionalidade,
suporte
compositivo, -
um
véu
adamascado,
e
Ter
em
mente
a ‘cena
‘!
encontro
entre
ator e
personagem,
ou
entre
ação
e
memória.
Imagine a
viagem
entre
Bahaus e
rococó...
Tempo
é
personagem
no
compasso
da tua
sensação
e
sentimento.
Sensação
e
sentimento
Intercalados. ‘’
Santos,
23 de
janeiro
de 2.003.
‘’
impõe-se
redefinir
antigos
pressupostos pré- cibernéticos,
-
desregra do
pensamento
pedindo
formatação
apropriada
ao
-
ritmo-fragmento.
Anseio
do
Ser,
política-estética, avaliação
- pura
de
mosaico
: interconexão.
Emoção
pensada, dubiedade
-
cristalina.
Dúvida
exitosa, -
intuição
conflitante,
eis!
arremate
-
sem
rompimento.
Os
diques
da
alma
se sustenham!
Quase
tudo
é
-
óbvio
se
bem
disposto
em
ação
ou
palavra.’’
‘’ se
queres
vamos expondo aprendizagem
por
atos
.
Já
remetemos
em
colóquio
a dialogação.’’
‘’
Para
você
que
tanto
amei e
hoje
tens no
filho
continuidade fisionômica, Carlos, tenho a
lição
do
conselho
pétreo:
paciência
que
ele
se torne
ator
,
indiferente
ao
primeiro
chamado televisivo.
Ator
da
Vila
Mada, do
Baixo
ou
de Jacupiranga mambebeando.
Se sentindo
calafrios
ao
palco
e
em
récitas
privadas,
inegável
confiança
deposita na
Arte:
ela
livrará de todas
mais
mazelas
afrontosas dos
pardais
e
gaviões
de
carniça
urbana.
Ao
jovem
é
que digo leia! vá à
fonte,
deite no revaldo
estofado
do
teu
quarto
de
cortiça
e leia! Amando
ou
só
metendo aos
poucos,
leia!
moço.
Esse
é
caminho
mais
progressista
e
humanitário
que
reconheço nesse XXI da
porra:
ler
e
seguir
criando a partir do
antigo
.
Seguir é se
fazer
novo
sem
perder
as
peias
encantadas, únicas consentidas.
O
poeta
Mário Quintana
quando
indagado
sobre
o
que
deveria
ler
para
compreender
Shakespeare, bradou incontinenti: Shakespeare!’’
Santos,
29 de
janeiro
de 2.003.
‘’ Torna-te
capaz
de tua
Arte,
Fred, age
sobre
tua
perícia!
Como
diz Agatão, ‘a
arte
ama
o
acaso,
e o
acaso
ama
a
arte.
Restitui ‘teorético’ na
lida
de
agitos
e
esgares
cênicos.’’
‘’ Às
vezes
,
só
depois
de
extensa
caminhada,
ressurge,
enfim,
a
obra
desejada. O
efêmero
reluz,
seu
brilho
é
passageiro.
O
autêntico
perdura,
eterno
e
verdadeiro.’’
Goethe.
‘simpliciter’
‘’Recorrer
à uma
folha
solta,
feito
papelão,
papelote,
como
sair à
vontade
, saindo ...
como
fugir,
estar,
perder...
ceder
à
banalidade.
Perder
as
indiferenças
do
sentido.
Como
fazer?
As
perguntas
se dispersam,
sem
núcleo,
perdidas
em
possibilidades.
Tudo,
todo,
variações de
um
corredor
estreito,
como
todo
o
sentimento.
Ainda
assim,
melhor
fazer.’’
‘’’-Gostou desse
texto
de
baú,
Fred? É dos
achados
que
fuças
que há de
vir
o
agrado
da
vontade.’’
‘’Fred, a mediocridade da
interpretação
é a
ponta
só
de
carretel
desalinhado de
vacuidade
e
imperfeição
consentida.
Quando
tocas no
samovar
ou
tolhe
apetite,
revelas ‘oposição
de
gosto’
ou
‘antipatia
estética’[
Thomas Mann] ,- o
toque
expõe
realidades
aproximadas.
Simetrias,
o
dedo
certo
em
seu
sexo,
disponibilidade
inapelável.
Teu
patrimônio
telúrico,
a
puberdade
em
especial
é definidora
para
artista
mais
que
infância
para
o
homem.
Lembra de Nijinsky e
seu
casamento
com
Deus.
‘’(...)
escrever
diários
é
comum,
atualmente
,
entre
os
artistas
que
se esforçam
por
deixar
de
lado
o
intelecto
e
sondar
o
inconsciente.’’-
‘a
caneta
de
Deus.’
‘’ (...)
para
Nijinsky a
simpatia
literalmente
produzia a
identidade,
sobre
Deus
e
Cristo.’’
Contorno
emocional.
‘’ Aprendi
que
personagens
fortes
acabam se impondo.’’- a
lógica
do
personagem.
‘’ Os
personagens,
que
começam amarrados a estereótipos ,
vão
através
das
memórias
se redesenhando
completamente.’’-
do estereótipo ao
personagem.
-
‘’Sou
um
tipo
de
autor
que
se
torna
amigo
dos
personagens.’’
-
Graham Swift.
-
Espaços
espectrais, - a
faina
ficcional : o
ator
ficcionista.
-
Te
fecha
na casinha de
praia,
Maresias,
acerbo
e
misantropo
-
e tece, tece, tece. Sê
sensível
e
inteligente,
arguto
no
trampo
da
-
temporada,
- revê
conceitos
, retoma o
bom
do
adolescente,-
a
tal
montagem
imagética. ‘’
-
Santos,
31 de
janeiro
de 2.003.
‘’ MOSES, - devemos
aplicar
idéias
psicanalíticas à
cultura,
estreitar ao
largo
a
filosofia
e alargando
todo
pensamento
.’’
[ ‘’ o
oposto
da
brincadeira
não
é a
seriedade,
mas
a
realidade. Ao
invés
de
brincar,
fantasiam. Essas duas
atividades
se espelham uma na
outra:
ambas
são
instigadas
por
um
desejo.
‘’
‘’Pode-se
dizer
que
a
pessoa
feliz
nunca
fantasia
,
apenas
a insatisfeita o faz ... (uma
fantasia)
é uma
correção
da
realidade
insatisfatória
...
realidade
remodelada,
belamente
distorcida.’’]
‘’ O
sonho
deve
ser
como
a
ilusão
generosa,
dá a
fantasia
repartida:
-
sê
generoso
interpretando
feliz.
Sobressalto
intelectual,
quando
-
descansa
o
ficcionista
é no
riso
que
é
entendimento.
O
riso
ou
choro
são
entendimentos,
termômetros
da
assistência.
Generoso
-
e
inquisitivo,
liberando
caráter
compulsivo.
Desdobra conjeturas,
-
testa
atrevido
arroubo,
possibilita a
cena
/
encenação.’’
-
MOSES, ‘’Não
o
prelúdio
a uma
ação
violenta,
mas
os
resquícios de
um
movimento
encerrado.’’
‘’
Tarefa
de
interpretação,
interpenetração.
Componente
gay
ou
de ‘’ sodomização’’
literária:
atuar
escrevendo
por
dentro
.
Penetração
psíquica,
psicológica
tão
somente
então.
‘’
[ ‘’ o
artista
como
um
neurótico
em
busca
de
gratificações
sucedâneas
para
seus
fracassos no
mundo
real
.’’]
‘’ A
manifestação
expressiva
nele contido,
em
ti contêm
tanto
que
pode
ser
expresso!
Nota
o
copo
e o
leite,
a
pena
e a
tinta...’’
[
à
experiência
estética:
a
psicologia
dos
protagonistas,
a
psicologia do
público
e a
psicologia
do
autor.
]
[ ‘’ acredito
que
um
acontecimento
real
estimulou o
poeta
em
seu
retrato
no
sentido
de
que
o
inconsciente
nele entendeu o
inconsciente
no
herói.’’
– Freud s./ Édipo / Hamlet.]
‘’
digressão
e
inferências’’
/ ‘’ exacerbe e contenha-se na
medida
do
que
era
antes
excesso:
o
perigo
está no reducionismo; a
catarse
funciona
não
para
gerar
a
imitação,
mas
para
torná-la
supérflua’’.
‘’ Léo, é o
contraste
fixado
entre
o
clima
tenso-reprimido e a
beleza
externa
exuberante,
drama
no
Paraíso,
no
meio
mercadores
de
especiarias.
Poema
longo,
conto
ou
romance,
também
na
dramaturgia
litúrgica
nota
a
inflexão/
o
desdizer
, a
satisfação
visceral da
conclusão.
Concluir
no
ponto,
a
questão
da
fala,
a
interjeição,
teu
posicionamento
ante
o
protagonista,-
a finalização
leva
de
roldão
acerto
e
disparate
no
intercurso.
Torce as
resistências na
síntese
maior.
Tens
óculos
especiais?
Os
sociais
são
bons
em
ocasiões
no
palco
bem
específicas:
óculos
sociais,
- de observar-se
por
um
pouco
pelo
público
além
da
ribalta.
Experimento
mesmo!
O
homem
ama
que
viu
rápido
e
espera
outro
contato,
mais
que
novo,
Outro.
Fixação
e
imobilismo,
sem
desfecho
ou
frustração.
Sem
o
chapéu,
homem
num
ambiente
restrito e
sua
visão
persecutória / Pulsão e
vago
temor.
Lembra
frases
como
ator,
Léo
ou
escolhe
lembrar
como
personagem
pronto?
Tu
quem
sabe.
Não
um
homem,
um
teste.
Léo , mantenha
escrivaninha
pronta,
na
eventualidade
dos
textos
dispersos.’’
‘’ Fui
impulsivo
,
Mas
louvada seja a impulsividade,
Pois
a
imprudência
às
vezes
nos
ajuda
Onde
fracassam as nossas
tramas
muito
planejadas.
Isso
nos
deveria
ensinar
que
há uma
divindade
Dando a
forma
final
aos
nossos
mais
toscos
projetos...’’
– Hamlet,- dedilhado
em
nanocomputador, introjetado,
não
mais
repetido,
intuído nas
falas
sutis, representado na-tu-ral-men-te!
nos
inflam de
paixão
e
em
nanopoemas
exalamos as
deixas
da
tal
‘’divindade’’,
em
coma
artístico.
Numinoso,- Léo,-
como
em
Isaías.
[‘’ Isaías experimentou essa
sensação
do numinoso
que
periodicamente baixava
sobre
homens
e
mulheres.
No
clássico
‘’A
idéia
do
sagrado’’,
Rudolph Otto descreveu essa
terrível
experiência
de
realidade
transcendente
como
‘mysterium terrible et fascinas’’, é
terrível
porque
se dá
como
um
profundo
choque
que
nos
isola das consolações da normalidade, ‘ fascinans’
porque,
paradoxalmente
exerce uma
atração
irresistível.’’
– Karen Armstrong; ‘’Uma
História
de
Deus.’’]
‘’-
observâncias
cultuais.’’
‘’ A
escolha
do
papel,
o
compromisso,
Léo,
já
por
si
é
definição
psicológica
e preferência
semântica,
a
palavra
justa
ao
olhar
milimétrico.’’
[
Hamlet : - ‘’Senhor,
o definimento dele
não
sofreu
perdição
na
sua
bola,
embora
eu
saiba
que
dividi-lo inventarialmente tontearia a
aritmética
da
memória,
e seria
apenas
desviarmos da
rota
um
barco
tão
veloz.
Mas
concordo na veracidade
do
seu
panegírico,
é uma
alma
muito
bem
dotada,
com
uma
essência
de
tão
peregrina
raridade,
que,
para
dizer
a
verdade
final,
só
encontra
semelhante
no
seu
próprio
espelho;
e
só
pode segui-lo a
sua
sombra-
ninguém
mais.’’
-
sobre
Laertes.]
‘’ Definamos
pois
que
seja
intérprete
como
ente
íntimo
amalgamado ao
termo
dito.’’
[
Hamlet : ‘’E o correlacionamento,
senhor?
Por
que
embrulhar
o
cavalheiro
nesse
mau
hálito
verbal?’’
Horácio à
parte,
a Hamlet : ‘’
Sua
bolsa
de
metáforas
esvaziou.
Já
gastou todas as
palavras
de
ouro.
‘’]
‘’ O
palco,
gato,-
é
esteio
e
estuário
de
tanto
antevisto e construído;
monstro
marinho
em
reverberação
:
desejo
por
expressar!
Adejando
em
sinal
de
lança
ao
Sol
agitando-se
entre
greias e
górgonas,- Perseu
ante
platéia
atônita
com
tua
execução
da
trama
ou
abstração
consentida.
Não
paira
inerte,
- traz prá
frente
/ os pés
conjugados,
pisando a
revoada;
não
seja
sintoma
de
nada
ser
fechado :
noz
cálida
/ tivera
dois
fatos
que
me
assegurassem
fortaleza
e tomaria
papel
de
árvore
e
casulo,
transportando as
tendas
/
casa
em
ruína
/ traçando
muros
/
me
consolando
em
jazz!
Moro
cá
dentro
de
novo, -
pronto!
percebe a
fronte
,- retine
cuidadoso
espanto.
Tenho
volumes
em
três
atos,
manuscritos
pantagruélicos,
-
embora
nota
a
mínima
soma
de
aspectos
conversos num
drama.’’
‘’ A
inovação
técnica
do
século
XVI foi
combinar
elementos
dos
dois
estilos
musicais, o polifônico e
o harmônico. Essa
fusão
produziu
um
certo
número
de
novas
formas,
tanto
para
a
voz
solo
quanto
para
a
voz
acompanhada de
instrumentos.
A
principal
delas foi o
madrigal,
uma
forma
poética
mais
flexível
do
que
a
cantata
pelos
trovadores
---
ou
menestréis—na
Idade
Média: a
balada,
a
sextilha
e outras. À
semelhança
das
canções
populares
que
continuaram a
ser
escritas
e
cantadas,
os
poemas
líricos
que
forneciam as
letras
de
peças
vocais
do
século
XVI tratavam de
temas
eternos:
amor,
infortúnio,
morte,
primavera
e
bebida.
A
música
de
um
madrigal
podia
variar
de
estrofe
para
estrofe
e,
como
vimos, uma
série
de
tais
poemas
podia
ser
apresentada
quase
como
uma
peça
teatral;
não
havia
estribilho
nem
versos
repetidos
palavra
por
palavra
para
deter
o
desenvolvimento
da
idéia.
O
madrigal
originou-se na Itália e foi
aí
cultivado
por
muitas e talentosas
mãos;
inspirou
também
na Inglaterra uma
escola
de
brilhantes
compositores
que
floresceu
desde
meados
século
XVI
até
ao
primeiro
quartel
do
século
seguinte.
Embora
ignorados
por
muito
tempo,
no
século
XX vieram a
ser
colocados
entre
os
mestres
da
composição
musical.’’
-
do
madrigal.
‘’ Outras
formas
do
século
XVI,
como
a ‘pastorale’, ‘a masquerade’ e o
balé
( a
forma
de
entretenimento
com
recitativo,
dança
e
música
que
é a
ancestral
do
que
hoje
conhecemos
com
esse
nome
), concretizavam a
mesma
intenção.
Quer
o
tema
fosse os
amores
de
pastores
e
pastoras
na ‘pastorale’,
ou
os
deuses
e deusas
pagãos
no
balé
ou
na ‘masque’, as
emoções
a serem sublinhadas
pela
música
eram
mundanas,
não
as conhecidas
emoções
de
fundo
religioso.
Um
conjunto
de
regras
deve,
portanto,
ser
criado
para
garantir
uma comparável
disciplina
formal.’’
-
da
disciplina
do
profano
na
ausência
do
sagrado.
[
‘’ Da
alvorada
à
decadência.’’
Jacques Barzun;
Editora
Campus.
]
‘’ Vamos
unir
contrários,
sob
o
arquétipo
do
Homem
Original
;
quando
me
falaste
em
‘carpintaria
teatral’,
Felipe , substitui o
termo
por
magia
ou
algo
mais
humano:
ouriversaria
teatral,
-sutil
construção,
passo
à
passo
do tablado...
Que
seja
inacabado?
Por
que
temes ? o
lapso
no
mais
das
vezes
é
curto
e
certeiro.
Prefiro
um
enormeeeeeee
Amor
com
pontinhos de
luz
raiando à
um
coice
de
determinação
estéril.
Até
melhor,
Felipe! Seja
determinado
sobre
ser
Ator
mais
variado
no
ofício;
tudo
que
te
digo parece
tanto
com
um
tropo:
a mandala
que
viceja
sem
ser
sentida:
roçamos o
Céu
farfalhando a
Terra
com
brilho
azul
no
rosto.
Todo
artista
precisa
desse
brilho
azul
ou
‘seu’
brilho
azul
mirando a
superfície
das
horas,
-
com
ele
se
chega
ao
âmago,
a
plenitude
psicológica
na
dobra
de uma
constelação:
a
angústia
de Coleridge no
espelho
amplo
de Hesíodo. De
carpinteiro
à
desenhista,
proponho-te o
escorço, o
bordejo
na
garatuja:
vamos alinhavando a ‘persona’, o
personagem
: nele tu
te
encontra.’’
‘’
Écloga
urbana
/
nossa
conversa
Felipe segue no
café
onde
o
Mar
faz a
volta.’’
‘’
Vê,
Marte
com
Vênus?
Esse
para
nós
Uranos, é
útero,
força
fértil
do
desafio!
A
montanha
chegando ao
Atlântico
ou
a
colina
numa
estepe!
Essa
mulher
é o
pericarpo,
o
mesmo
mundo
que
tu
vês
na
outra
ponta
do percurso:
vês
como
criatura
o
cenário
cósmico
animado.
Marte
com
Vênus
é o
símbolo
maior
diante
o
qual
somos
eu
e Tu, Felipe, os
satélites
que
mais
estranham
por
que
estranhamos
demais
o
que
tocamos e o
Todo
visto.
Sensibilizássemos!
nossa
rota
é
mesma
num
molde
de
cristal
da
forja
de Vulcão. Os cavalinhos de
vidro
ou
material
translúcido
:
Agora
toma!
Vê
também
a
Grande
Dama
como
Tennesse Wiliams
em
‘’A
margem
da
Vida’’;
Nos
amamos ,
mas
Géia tem
apelo
irresistível
sobre
nós:
eu
escritor
e vc. no
palco
perfazemos a
soma
: a
Terra
nos
acolhe
sem
mais
peias.’’
‘’ Seremos onze nessa
Companhia:
Anu
e Varuna
da Babilônia ao
Vale
do Indo,- vem do
centro
espargindo cosmogonia.’’
Santos,
01 de
maio
de 2.003.
‘’ o
corvo
negro:
dicotomia
ator
e
escritor;
junção,
convergência.’’
‘’
Eu
Alexis, escrevo e leio
com
nítida
impressão
do
precisamente
Belo
se reconhecendo no
texto
criado.
Vc.
em
cena,
lança
apelos
diretos
ao
ponto
derradeiro
para
qual
Arte
se
destina.
Esse
alguém
na
platéia
é
menos
porém
que
o
que
desvela
meia
página
na
alcova
branca
de
aprendiz
de
sábio.
Tão
raro
um
belo
rosto
enrugar
com
pensamentos
aprofundados :
mas
das
criaturas
, a
mais
próxima
do
Divino,
é
que
compõem
fugaz
soma.
O
ator
por
banal
seja o
texto
é
modelo
vivo
para
escritor.’’
‘’
SEIS
PERSONAGENS
À
PROCURA
DE
UM
AUTOR.’’
– PIRANDELLLO.
Santos,
07 de
maio
de 2.003.
‘’ aplicabilidade, - do
método.
‘making-off’ – da
carpintaria’’
‘’ William Blake aplicado à
dramaturgia;
Corpo
e
Alma,
Arte
e
biografia,
unidade
pós-moderna do
real
e
simulacro.’’
-
fractal
–
estrutura
geométrica
complexa
cujas
propriedades,
em
geral
, repetem-se
em
qualquer
escala. Diritambo -
primitivamente
-
canto
de
louvor
ao
deus
grego
Dioniso.
-
( o Baco dos
romanos
).
-
composição
poética
sem
estrofes
regulares
quanto
ao
número,
de
versos
e
pés.
Diritambos.’’
Santos,
09 de
maio
de 2.003.
‘’ A
palavra,
Tom
, a
palavra
mesmo
que
excede
seu
elemento,
- transcende, - se redefine.
-
Comecemos a
leitura:
seu
processo
e
gestação,
-
(
em
cabines
pouco
maior
que
um
quarto
),
-
ambientação
imaginária,
o
texto
ao
leitor
atento
e
ali!
(aponta) a
dupla
contracena
quase
silenciosamente.
Vamos! (
mão
em
riste
)
-
leiam
em
conjunto
uníssono.’’
[
ambientação :
composição
de
clima
adequado(...)
cena
literária
].
-
desenformado – retirado da
forma
(Ô)
desmoldado.
Adjetivo
: ‘desenformado’.
Palavras
desenformadas.
Midiático
/ mediático.
Ametria –
ausência
ou
anomalia
de
medida;
desordem.
(
trompetes
/ trumpetes );-
nexo
entre
o
aleatório;
- a
palavra
é
um
passo
bem
/
mal
dado:
corre
estrada.
‘’ achei o
método!
rever
pontualmente
o
calhamaço,
reter
erros
na
seleção;
estrutura
básica
conceitual;
‘metodológica’.
Poesia
aplicada ao
palco!
Insights
ambulantes,
deambulantes!
Poesia
cotidiana;
dobrar
a
lírica
melancolia.
‘O
MÉTODO’;
fixar
um
ponto:
desdobram-se
artifícios,
o
nexo
causal
se impõe---
-----à
subjetivo
é
tudo!
‘’
----à
do
método:
em
transe
/
trânsito;
verdade
se estabelece, consolida, na contundência do poético ( ‘o
fazer
ofício’
),- ‘práxis’
literária.
‘separa o
poema
da
prosa:
extorquindo o
romance,
- torná-lo
refém
do
conceito
: desestrutura as
formas
e fluem interagindo --à
‘poetizar
a
prosa
dramatúrgica’; da ‘peça
em
prosa’,-
poesia
intrínseca.
‘’Nota
,
Tom,
teu
canto
de
estudo
e reflete a
variedade,
o
que
concerne à
permanência,
a
solidificação
no
punho
de
um
brado:
poetizar!
Abstrair
do
vasto
ou
preciso
conteúdo.
Tom,
ao
cabo
de
tudo
,na
ponta
se
fixa
a
Poesia
contida.’’
Santos,
10 de
maio
de 2.003.
‘’ Parece
tanto
Arte
quanto
confissão
. Cedemos a
deixa,
-
ator
canhoto
esmera
no
efeito
preciso
em
lado
oposto.
‘’
[
‘’Deus
é o
eterno
confidente
nessa
tragédia
de
que
cada
um
é o
herói.’’
Baudelaire.]
‘’
confissão,
Tom
,
ou
técnica
de
lembrança:
sentir
mais
de
novo.
Trilharemos
outra
vez
o
caminho
de
retorno:
representamos o preenchimento desse
hiato
repetido: nascimento e
morte.
Tom,
lê
muito
os
que
amaram! Montaigne amou
um
amigo,
Wilde
um
amante,
Pessoa
o
desejo
de
ambos
juntos.
Trilogia
de
leitura:
retórica
dos
ensaios,
exaltação
do
apego,
dramatização
do
desamparo.’’
[
‘’
Só
te
verei
um
dia
e
já
na
eternidade?
Bem
longe,
tarde,
além,
jamais
provavelmente.
Não
sabes
aonde
vou,
eu
não
sei
aonde
vais, Tu
que
eu
teria
amado
---- e o sabia
demais.’’
Baudelaire.]
‘’
poetizar
,
como
dizia,
abstrair
:
leite
de
pedra; o
romance
menos
linear
possível
, seja
até
o
grau
do
entendimento.’’
[ A
BIBLIOTECA
].
‘’
Tom,
- a
literatura
não
tem
ordem
cronológica, é
indivisível
por
suportes
ou
narrativas,
- sente
isso
como
essa
rebentação
infreme?
Fluxo
ordenado,
isso
é
nota
de
cartório
ou
obituário;-
literatura
sem
Tempo
numerado / o
Tempo
da
literatura
é de
espera
e
arranque.
Batente,
chuva
na
calha.
A
literatura
por
mais
ordinária
inspira o
que
sobrevêem de
melhor
à
ela:
ato,
soneto,
enredo,
entrecho...
trama
tosca
/ estereotipada:
transporta
isso
ao
exagero
ou
reduz
em
Essência; (des)
– tensiona -à
refaz. ‘Limar’,
diria Borges
sobre
ajuste
ao
imaginário,
o
esboço.’’
Santos,
10 de
maio
de 2.003.
-dizer
para
o
encantamento
: espiralada
frase
correspondia / ‘tropo’
·
cidadania
podia
ser
concedida
por
decreto
dos
·
atenienses;
cidadão
por
nascimento
ou
por
adoção,
impunha-se o
registro
do
mesmo
nas
·
circunscrições
que
constituíam a cidade-estado:
demos, trítias e
tribos.
·
Classe
censitárias
·
(experiência
histórica);
Grécia
insular.
·
Poeta
–
experimento;
metecos ( os
que
habitam
com)
eram os
estrangeiros
domiciliados
em
Atenas.
·
coloquializar, do
autor
autodidata;
o
escritor
pleno,
absoluto:
diálogo
ator-escritor.
·
@ ‘há
espécies
de
pensadores
e
artistas;
o
autodidata
é a
mais
terrivelmente
dura
posição
independente
de
sustentar.’
·
@
arte-final
/
arte
e
finalidade.
Reparos,
polimento,
a
lima
de Borges.
·
‘’ as
duas
partes
de Henrique IV
são
plenas de
imagens
que
refletem a
preocupação
de Shakespeare
com
a
construção’’
·
[ ‘a
estrutura
e
imensa
fundação
da
terra].
·
‘’
como
alguém
que
desenha
o
modelo
de uma
casa.’’
-[Não
fazer
poesia
como
produto
acabado,
mas
trocá-la
por
estruturas
pré-existentes / expondo a
fio
seus
afazeres
/ laçando
sua
dor-----------à
traçando
·
definida.
O
poema
/
método:
tecer
os
fios
dos
·
desdobramentos / relêr os
esboços
sem
importância
cronológica
estreita
/
flexibilizar
os
traços
/
distender
as
imagens
do
poema.]
·
Santos,
13 de
maio
de 2.003.
·
29 de
maio/
2.003.
·
‘’Manual
do
Ator
Pensante.’’
·
-
dialogação:
princípio pressuposto do
texto.
·
‘peça
em
prosa’,
definição
aproximada do
Diálogo.
·
‘commedia dell”arte,
uma
forma
teatral
do
gênero
‘comédia
pastelão’,
com
personagens
·
tradicionais (Arlequim,
Colombina,
Pierrô,
Pantaleão) e
falas
improvisadas
pelos
intérpretes
no
palco.
·
‘’A
épica e o burlesco,- estudemos a apresentação das Formas. Burlesco como
apropriação prosaica da comédia cósmica:
·
aurora
boreal, no translúcido desse copo azul
·
de
vinho. Burlesco : Tom te apresento o teatro de bolso, nas paredes escrevinho,
realço a luz de retinir do plástico. Brilho saído das cópias
·
mal-feitas de Campanella: toldaram a vista de
·
fulgor
sintético, mandando longe a luz dos rios.
·
Mataram
os rios quando eles mesmo entram nas tuas cidades. A trama foi morta como o
Rio. Esquecemos que somos atuantes títeres de
·
infindável trama? Mutante cenário de poeira
·
que se
molda e toca ao contato? Salvemos o Rio, Tom, é o princípio para caminho
longo.’’
·
‘’Tom ,
ainda será possível catarse?’’
·
O que
comove ainda? Onde lançam dardos os condutores da Alma? Toda cena é deformação
·
perene
de mau esboço.’’
·
Santos,
31 de maio de 2.003.
[
o manual a partir de Barthes, Jakobson, Stalinavsky.]
Pauline Kael: ‘’ Esta é nova imagem do cinema americano, mostrando o jovem como
um animal
belo e conturbado, tão cheio de amor e indefeso.
Talvez o pai não o ame, mas a câmera, em compensação, o adora! A câmera oferece
ao público um produto tão irresistível, exigindo desse mesmo público
exclamações tipo ---
Olhe que desespero bonito.!’’ Pauline Kael.
Sobre James Dean, o rosto de ator, o impulso.
Adorno, - o ator pós-moderno.
-
‘’ A interpretação ainda é necessária , Tom?
-
Até que ponto...? Tom, quem serão os atores?
-
O que será ser? Tom...’’
Santos, 03 de maio de 2.003.
‘’a locução, o vocativo, o enunciado construído ao
ser dito / re-‘dizido’; o poema na narrativa ou tragédia se empresta de
boca-em-boca : numa
se redime dos excessos e deficiências: Tom!
Molda a frase, mas lembra que antes de ti ela já não foi tua! Não pertencimento
é a regra! Toma emprestado como doença de que se cura com purgante! Toma retendo
sem lamúria, nem ‘desdizeres’.’’
[
a sopeira dispõem-se sem gênero , irreflexiva,
“‘existente ‘ na ‘ocorrência’].
‘formalista’ ou ‘conteudista’ , aprecio que leia
Jakobson e o mestre Constantin; perdoa-se mais autor sem erudição que ator nada
lido ou perscrutador! Tom, guarda a aura, não te expõem muito além das milhas do
palco! Os meios de apresentação variegados fazem-te perder Alma!
O
vôo, o baile, a foto em mau recinto, a revelação
definitiva de amor : deixa- te ator quando assim te apresenta. Liuba ou um
Montéquio de pileque
causa menos dano que a perda do fausto no prazer mundano. Um ator deve ser só
por convicção ou por verdadeiro sofrimento. Casar?
Isso é para os principiantes religiosos? A representação bem feita e observada
só tem paralelo à física quântica em valência e incerteza!
Nada mais verdadeiro que teu fingimento, portanto finge necessário ou sem mais
acompanhamento...’’
[
linha de ação contínua].
‘’O excesso de exposição soa justificação;
não demonstra, mostra. Confessar, assumir é para
bandidos: na verdade, ‘denota’ atuando , sendo
no momento. Lembra, o ator pela voz do escritor é
que mais se aproxima de qualquer possibilidade
ou aproximação. Tudo se coloca para adequação do personagem.’’
‘’ Há tautologia nesse impasse contemporâneo:
atuar, interpretar, Jimmy, é fundir espanto com
resistência,- essa melancolia toda se converte em
possibilidade, gesto, imprecação, traço, reflexo, -
e todo acúmulo crítico pós-moderno gesta: é um saco a súplica saudosa,
acomodar-se no niilismo : desde já Arte! A literatura , veja:
-
se parece tanto fluxo ejaculatório...’’
‘’ O QUE TORNA
A VOLÚPIA TÃO TERRÍVEL É TALVEZ O FATO DE QUE ELA NOS ENSINE QUE TEMOS UM
CORPO.’’ YOURCENAR.
‘’ Cessa aqui nosso primeiro encontro: antes de seguires
ao mundo serra acima, tentemos estabelecer relação de prosseguimento:
pensar o escritor pelo ator, segues enquanto me alivio refletindo
Arte. Arte e Mãe sugerem mesmo núcleo. Ventre seguidor .’’
‘’’Sente,aprecia, percebe e retêm em ti o sentido poético : se explícito ou não
à ti só cabe bem dizê-lo. Que cheio te encontre,
contenha mundos, aprofunda, quando regurgita só expõe a fímbria, a frágil
tessitura correspondente.’’
Santos, 11 de julho de 2.003.
‘’Edword Hill,- roupa esporte e peruca nobre em desajeito:
remonta ‘haikais’ em prosa, - quer ser transposto ao teatro,
curto-seco-cool cheio como chat , -‘short-cut’, -prosa-fragmentada.
Uma tristeza na cena do banho , pós-banho, ver a paisagem estreita , azul de
sabonete gasto, - quando mais jovens mais passam pêlos, pelos pentelhos ,
desfiando água, verão que imunda o corpo. Um atento espectador se põe no palco:
soberano
sobre o intérprete ensaboado, - repete-lhe a fala, segue a deixa,
dão-se as dálias , - vida não cessava naquele enxugar com a cena de porta
aberta. Na primeira fila, o mesmo do que é composto as preliminares de sexos.
Pensava num ato sobre Wickelman; flagrantes ocasionais , desterro na Austrália –
também convidado
como autor iniciante deslumbrei com simulação da cena. Caracteres sobrepostos:
atuação requer percepção e prioridade instantânea: onde atuo primeiro? A lenda
precisa ser encenada
com ênfase ! alguém porta a lenda sem restituir : doa-se, fode-se
sem volta: ninguém pira de vez no palco! Tom, ele dita notas taquigráficas de
Deus, -hermeneuta insone , sem escrutínio ou resguardo : rala prá cacete,
samba-dança , conecta o que éramos, o
que percebemos um no outro, a prece não atendida. Toda noite recolhe essa
esteira e o biombo. Uma gana, um martírio concentrando tudo que mentimos nele: e
chamam-no farsante!’’
Santos, 15 de julho de 2.003.
‘’’O ator é um crítico voluntarioso do texto, - Mr. Eliott, - interpassa, repõe
entendimento ao lentificado da palavra escrita,
ideada, impressa no instante intuído. Por que ainda carrega guarda-chuva? Alinha
tudo no aparador e senta ao chá.’’
[‘Um crítico vale , não pela excelência dos seus argumentos, mas pela qualidade
de sua escolha.’]
‘’Quando na estréia ou já nos bastidores passo de enfermo ao imponderável são...
homem desprotegido / humanidade desprotegida / êxito impositivo. Não !
interpretando a metáfora performática , o que é Vida de dentro se mostra. Guerra
ao apressados cartesianos: terapeutas do sucesso, esse terríveis vilipendiadores
do pensamento; a superfície. Miudezas, sem reducionismo. Sopa, chá e biscoito,-
ritual de gueixa de paletó e gravata surrados com pano xadrez de xale. A xícara
e o gole,
ninguém que sofrer pensando...’’
‘’ sinto calores na solidão, me envolvem e pedem dizer, expressar,
estar diante, tornam insuportável o calor as vontades de te contar.’’
Santos, 15 de julho de 2.003.
‘’ Esperava tua chegada ontem, mas sei da preparação, e mormente , a rota
sinuosa entre escarpas traiçoeiras até a praia resvalada. Tom, cede à almofada,
deita de frente e te conto
Reconhece em tudo pré-olhar e retira o travo. Refaz o sonho no período fértil,
aproveita e anota... escreve e corrige. O olhar do saber pelo desejo. O ‘Senhor
Azul’ é o manuscrito aqui estudado,
você ator falta erigi-lo. Tudo carece finalização na peça, no ato,
nos contornos da concomitância: o vento do Dia molda o meu drama ao gosto do
método, - liberdade direcionada. Pensei tanto
no texto, em nossa Vida juntos, e notei que formamos a concretização, Tom, de
uma metáfora ou símbolo: o ator espelha
em segunda instância, espelhando! o gesto primordial : brinca, enfara,
corrige-se, arremeda, vocaliza... percebe o tanto de humanidade diante do
Universo tens representado mil-maneiras!?
Lançar-se liberto pelo rochedo, em gesto ou em signo como eu
contigo: o intertexto, a poetização das querelas e fúrias. Ator e escriba
gestando algum paralelo possível. Sabe, entre o teatro e a poesia uma contenda
entre gêmeos: representar antes ou depois de viver, Tom, é tudo assim andrófilo,
não se produz com desígnio de produção definitiva. A casa, essa praia em
ferradura, a colina de onde espreitei o ocaso, - como estando na platéia ou
palco , um amor masculino incompreensível à quem não denote inversão até algo
muito próprio, diferenciado, de acústica e plasticidade em par de anjos. Entendo
os elisabetanos. Interpretar é tão erótico quanto te amar em segredo.’’
[
‘’ Certo os personagens. Mas, aqui, meu caro senhor, quem representa não são os
personagens. Quem representa aqui são os atores. Os personagens ficam ali, no
texto (indica a caixa do ponto)... quando existe um texto.’’
‘’Diretor- Exatamente. Já que não existe e coube aos senhores a
sorte de tê-los aqui, vivos, diante de si, os personagens...’’
‘’Ah! garanto-lhes que dariam um belíssimo espetáculo.’’]
Pirandello, (é preciso distribuir os papéis).
‘’ Encontrar papéis transmutados,- revigorados, entretecidos, o
palco se renovando através da resistência à tornar-se obsoleto.
O
que tornaria o essencial desnecessário, Tom? Inutilizado o que há de substante.
Substante?
Sim substante, sinal carrado de satisfação renovada pelo mundo.
Não se fala mais mundo, é preciso mundo! mundo! mundo!’’
[
‘’Com certeza não pensam que sabem representar, não é?’’
Diretor]
‘’ O contrário, Tom, é certeza duvidada. Comecemos pelo contraditório das falas,
dos sintomas, das desejações
Poder na atuação, ver-se transtornado.’’
[
‘’ Arranja-se com a caracterização.’’]
‘com a maquilagem’- Diretor.
‘’Triangulação primeira entre eu, tu e Pirandello.
Oou Pessoa que seremos mil. Queneu e Perec, milhares!
Não pranteia estar aqui eu, tu e a Literatura! Somos tantos
Que podemos merecer. Aí é o ator percebendo.’’
Falo-te de Brando pela solidão exigente, representava a partir
de sua precariedade arrogante: amante, soldado, angustiado,
sempre destacava-se do conjunto cênico: a solidão impõem-se
quando se atinge grau de especificidade teatral.
Flávio Viegas Amoreira
flavioamoreira@uol.com.br