Meiotom - Crônicas


 

 

flávio amoreira viegas

‘’O Vazio refletido na luz do Nada.’’

 

‘’ Coisa

não é outra

pois nomear apontando olhos

dourando de objetos os nomes?

 

navio-poeta

cais é a mão que aponta

sentir doendo enjeitado acaso

encontra raiz perfeita

florescendo alma

disforme a fronde

 

simetria teimam vozes

estranho fado

melancolia métrica

 

tendo tudo

terei com Tempo

o nada em excesso

em saiba nemnonde

triste aurora rebentará

sol arisco pesadelo

remonta ao todo que algo embala

alva nuvem segue fardo

refazer noutro dardo exasperado

a centelha é o recomeço que recende

bola de fogo e pensamento

para quando o que se amoldando

 

noto a praia antes do Oceano

o prisma profetizando / horizonte

urânio celestial tudo mais do Amor

da mão distando, aproxima querer

o germe laivos inconclusos

cada manhã será uma manhã

outro dia verso este mesmo

hora é o que transtorna de ponteiros

fantasma contrário possível intento

estátuas de sal ao léu cruzeiro

pedras põem-se ao lugar

no pouso Eterno não repousam mitos

 

 

estar longe é qualidade desfazer

meu corpo não é fora do Mar

pela vista que conjugo

não concebo sem mim do Mar

eu vejo sem par o promontório

nonda vago / perispaço

não concebo poesia sem tato

encarno a sensação dum escaler distante

tudo que não diste nenhum prazer consome

inconcluso gosto azul que sorvo é

bem mais que cheiro rumor orvalho

é gozo do olfato orgasmo do palato

se outro dia é esse aposto esvanece

poemas descabaçam

procuro em você golfo seta mirante

procuro em você `quem dirijo rastro

procuro em ti farol agosto gancho

procuro em ti porão tonel fardo

procuro navego em você Sol-mulher

Atlântico manso pervogo voluto

hefesto forjo-me dorido mastro

transtorno tempo passado remorso

desfazimento segue aos passos

do que ainda quero tirando Deus do meu pedaço

esconde-te onda

arresto

nada pende no Oceano

túrbida fronde

criar mais do sal esfeito

tem-se espaço

recolhido serenado

extremo façanhas

aguada aprisionas

fazer dias claros

vales nítidos

um mar-tú mais fundo

horas restantes ao molhe

sobram desistem da Arte queda

punha um gesto na idéia içando rima

está por vir poeta que anda além das coisas

 

inventa dor colorindo vaga

 peregrina língua pensa esgarça

profunda enseada de perplexidades ancorando

vento cosendo palavras

ritmos escoa o murmúrio

coisa é gênese nascituro obstáculo ao vernáculo

flutua e se deita largando vista: coesia’’

 

‘’O Livro Nú das Coisas’’. Conversa com Blanchot II

 

Filamentos na datcha de verão : sou Míchkin, um idiota que se presta ao desentedimento no gesto criador das normas: subverto auoras em fímbrias- frases que brotam de raízes desfeitas de estalidos: Google avesso concavado no vazio de conteúdos imantando mundos mal-concebidos num berço de galáxias em conchas serpenteando supraverso : casca do periespaço. Quando não se para de não-sentir é um vão da consciência sujeitando-se que se esquece: objeto sem apreensão, penso solto pendendo pensamento duma palavra que me aborda. navio é recanto provisório da ilha: cessa quando lastro abalroa enchendo de sal acre do conhecimento. a geologia fóssil das hidrografias, trajetórias partículas, signos-velocidades, não sendo pois a coisa poesia espicha pedra-tema, se conta adoça açucara: o amigo é personagem imaginário que o desvario fez esquecer a descendência: morreu alí a vontade no gozo, bendito fruto dos esqueceres. moenda: nada o medo num Oceano fugíl um vazio angular nas reentrâncias onde parei em Proust? expandir-se  em visão puramente paraíso: Y constelado da vagina de Eva. Gostar ou não gostar isso é coisa diferente. o sinal é outro. um ainda não é um : faz parte com todos. passar a vau Oceano vulvo. torvilhante parecença do barro que forja revolvendo mundos fazendo sentimentos artificiais dando ruídos aos nomes palavras dadas ao que se pensa passando sem nexo nesse planeta que não sai de moda criando algo incompreenssível com apelido : ‘razão’. para onde ir depois de morto? por que lugar e não então também pensamento? não arredores ,o pensamento regalava sua respiração era som o pressentido a música do vocábulosom’ circunvagando. ergui acaso matéria inespressiva: a vida é fatalidade, sempre acontece. algo canhestro  um pingo ponto chapéu se destaca num tronco de areia perseguindo semente-função , Sam agora diz ver um peixe se destaca levando a quilha, não era o peixe, fluxo de persistência devaneia sem tempo ou gravidade o tempo é o que suspende as coisas no peixe: chegar ao estranho que se fisga, a palavra soa então irremediável quanto a pureza das redes repuxando, quando pousar a idéia não serei mais o quem se escreve: tenho sensações dos que não vieram porisso não digo o arbítrio precedendo inexplicado. ocupar-se com paredes o céu distrai-me ainda quando não és: ‘noiesis’, ‘noemas’. estou na época o tempo se ilude por mim: assim sucede. não desencanto sem ultimato : o escritor simula o que seja vida em andamento. entro em mim mesmo pelo feixo de saída / tranco-me por fora / redentor do transporte: desir-me. queria ser meus olhos de antanho ou cegueira do amanhã partido entre luz / obscuridade dou margem floresço maciez entre dedos. Até que parecem bichos até que a redenção disponha : querer ficar aqui suscitando. buscava no vale madrugando o burburinho do açoite da morte no cais: um cemitério alteia cruzeiros aos passageiros vindos de crustáceos recobrindo túmulos. queria um livro que falasse diretamente aos olhos: prendi-me aos montes / quis achar esse livro-espelho; há realidades  que me estimulam na busca e não estão num passo , humilde agacho ao período da anunciação recortado dum efeito plausível que chame-se ‘estória’: tinha que rever sua copa / o canto/ a lombada entre pilhas de jornais e personagens defuntos: livros entre variedades , tenho estímulo em viver fora saindo dentro de meu acervo a coleção estende-se na criação constante da Obra e a supera onde não se fecha mesquinha : impossível endoidar e escrever simultâneos, achar o livro é preencher o significado de alguns dias, amanhecer-se é um dia.