| Meiotom - Crônicas |
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flávio amoreira viegas
‘’ Vicente de
‘’O
Vicente
de ‘’O
‘’Mar
/ Tigre’’ volta ‘’ erriçar o
pêlo!’’ O abolicionista, republicano e defensor ecológico de nossas praias
acaba de ser reeditado pela ‘’Global Editora’’ e inserido na mais ampla
Antologia de Poesia Brasileira publicada em 20 anos: patrocinada pelo
MinC-Petrobrás e organizada por nosso maior antologista , o poeta Claufe
Rodrigues; Vicente é posto numa seleção que vai de Augusto dos Anjos
até Ana Cristina César ,
enquanto o eminente crítico de ‘’O Globo’’ José Castello vê no santista um
antecessor do heterônimo Alberto Caiero de Fernando Pessoa por sua natural
delicadeza e de Vinícius de Moraes na evocação de afetos, musicalidade e
despojamento ao cantar o medo da solidão, amores proibidos e feitiços da
lua. Raro em ser doce e grave sem pieguice. Citado pelo tropicalista Jorge
Mautner, revisto por ensaístas lusitanos e surpreendentemente
resgatado pelo semiólogo
concretista Décio Pignatari, o bardo caiçara entrou em cena musical por nosso maior compositor erudito
Gilberto Mendes em ‘’Alegres Trópicos’’, peça sinfônica regida por John
Neschiling na Sala Osesp. ‘’ Palavras ao Mar’’ foi considerado ‘’dos
maiores poemas que ainda se escreveram na língua portuguesa’’ pelo
prefaciador desse clássico, ninguém menos que o gênio Euclides da Cunha.
Essa crônica não é tarefa crítica, é apelo aos santistas: reconhecer a
enormidade do escritor e estabelecer senso de escala: não há símbolo maior
do Litoral Paulista que sua Poética e ninguém aqui o superou em significação literária.
Após o fenômeno romântico das
Arcadas, Vicente de Carvalho foi primeiro escritor caracteristicamente
paulista a alcançar brasilidade; seu legado não é de ontem: é atemporal:
iconoclasta burguês, spinozista, cético e de sofisticada sensualidade, seus versos vivem um ‘boom’ em
blogs e sites através dessa aliada da Arte: a Internet. Não é ‘onda’ de
agora, é sucessão de vagas: ‘’Velho Tema‘’ que renova. Foi tirado do bolor
careta dos compêndios e da voz dos poetastros de salão para espaço
dinâmico e virtual da blogosfera.
Trata-se dum criador eternizado posto que altamente contemporâneo
do que sempre será: Oceano, Desejo e Morte. A Prefeitura de Santos teria
dever óbvio de seguir o que o Brasil evidencia: a Obra de Vicente de
Carvalho precisa ser disseminada na rede pública de ensino, reeditada em
sua terra e suas estrofes ganharem as ruas feito maresia. Nome de Distrito
de Guarujá, bairro violento no Rio de Janeiro, rua no Cambuci, lápide no
Paquetá ou estátua na orla, o trovador precisa de leitores ávidos que o
perpetuem no mármore da memória. Santos que se toque: patrimônio imaterial
é arquitetura de mentes: Vicente de Carvalho é catedral marinha. Nada
menor que desconhecer o que fomos e escapar possibilidades de real
grandeza. Santos precisa decifrar quem inventou o conceito de ser
santista...’’ [
FLÁVIO VIEGAS AMOREIRA ESCRITOR,
editou 5 livros pela 7 Letras flavioamoreira@uol.com.br] |
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