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‘’ PELOPONÉSIOS’’
I -[ ‘ Prezado Samuel, segue a primeira prova do livro para sua apreciação fico aguardando suas considerações, atenciosamente, Raquel;
obs.-
essas ‘manchas’ no boneco são do tinner, não se
preocupe...’]
O
e-mail ao autor desrareava do dizer-tudo: aprovada suas vergonhas embatidas de
loungue music, house , e alguns lispectorismos. Reconhecer seu próprio livro
calhava assim proteger-se de vento sudoeste: jusante ( dentro ) limando as
quilhas ao prorromper vazante ( fora ); na intenção do livro não contava o
livro,
era
eu mesmo dessilabado. O Ministério adverte todos da presença de
crianças:
eu
me como por arder : tô num bungee-jump dentro da alma bamba; essa escada que
leva à ti é um perigo rapaz! um totem da Ilha de Páscoa que eu malhei te espera
: nosso lance em ondas curtas: nossa moda é um desleixo: cabeças raspadas unhas
cítricas traje verde rasgo no coração: não quero mais aquele padrão imposto por
uma menina, preciso é você; tenho nas costas sua grife: look andrógino entre
paixão e passeio, calças siliconadas e ternos de xantungue bem alargados pelo
esboço dos joelhos mordidos. você é o que descolo, sabe que me cola feito um
cetim estampado em branco fosco, sua pele é uma atadura que amoldo. Caio de
quatro na tenda das borboletas : quero você atado feito camisa de força. adquiri
um tweed com quatro bolsos cortado num raro panejamento;
aquela
prainha em Grumari enquanto voava até o Santos Dumont aguardando passagem em
Congonhas: era todo você aérea ponte dum antigo desterro.
Black
music anos 70, segunda-light, gim-tônico, abiscotei um beijo amor, aguento
esperar
todos domingos não cheguem: encontrei você por ser tão desaparecido do que penso
ser parecido comigo, sou a praia do teu interior, mar ! mar! vem pro mar
montanha de falsa timidez... sair de ti é loucura, extrapolo , rendo-me ao
festival de baco em tua videira, olha que sou azul também! Tricotei um sueter de
carneirinhos para nossos sonhos : imenso largo até quanto mais justo
melhor,
arcamos
nossa teia, sucumbimos nosso precipício, falhamos todos encontros desnecessários
que não sejam os paradeiros de nós. Perguntaram numa enquete estilo ,
tendências: disse tudo de nós: todo estilo é minha tendência por você. Há sempre
alguns truques que devemos guardar no amor: um tempero desses em pitadas:
hortelã, juliana de legumes, cardamomo, anis, somos especiarias exóticas: não
tentem pretender similares nacionais , nosso amor não é
humano:
excede
as variações climáticas, não amamos desse planeta: você é o
cúmulo
do
que eu acho... aceito tudo menos algo desapimentado, esforça caber dois em um
além da massa ígnea dessa geologia. Voemos numa conspiração um ultraleve
longíssimo donde nos encontre até o fim de nosso anonimato:
teremos
a
face rubra e o suor das lendas depois do cansaço da história e saturação dos
mitos: vem que mostro a languidez dum pesadelo, a ternura dum inferno.
Minto!
serei
teu futuro até que a crença mesma indecida de nossa existência... noções
elementares
à combinação dum tinto encorpado , sangue e areia, cogumelos embebidos num
espumante frutado. Deixei à liberdade da natureza tudo que prezo: teus cabelos
tingidos, a flor sem espinhos, a não-vinda de filhos, a
torpe
licença
de tua distância. teu calcanhar é uma verdade absoluta; desaprovo tristeza no
intercurso, percebo um desalinho em teu formato. soa estranho nosso dialeto
como
era sintonizar de madrugada em pequeno a Rádio Belgrano de Buenos Aires: vai
longe a lembrança infeliz que desfiz de mim, nosso minuto
primeiro
acendeu
algo apagou... o sexo estava disponível antes do meu dedo
tocante,
cítara
arquejante: o prazer passa e olha, esquece o prazer se era o certo. dia de festa
: não sou disso , vou prá olhar um oco no ouvido dito: espero fora
daí!!!
todo
ele é vagareza, inibição: teu corpo é um afresco na parede do teto
insône.
Pensei
na comédia de meus sentimentos: fazem a vida ruir gargalhando, café de cevada
dadas mãos assistindo nosso clipe preferido , percurso amplo:
‘’Last
Night
on Earth’’ , Bono Vox hoje reencarnando Wiliam Burroughs: todos ficamos mais
bonzinhos em nossa ira... vai ao porta CD com relógio com essas botas de
Marlboro:
tudo de fora meu dromedário , assim por cima ‘Joe Camel’
amorzinho,
aguenta
firme té último tranco. estou na Arcoverde descendo às Clínicas,
peço
vá
ao Messias e retire encomenda: ‘’ Os Pobres Diabos’’ de Dostoievsky’’ traduzido direto ao luso em 1932;
veremos no Guarujá novo Kevin Smith; permito
olhar
rostos: Sampa é rosto; calçamentos irregulares, aterros, não conheço ninguém prá
me chamar estúpido! a Fradique essa hora é Saara de
pernas;
hoje
namorei um Cristo de Ingres fechando no Masp, prefiro Lasar Segall à muitos
Portinaris, o segurança me toma por tarado de telas: deve pensar: encerramento!
YAHOO! nos vemos no Garoa antes da serra: somos três formando site de
busca.
[
‘caro usuário, sua bolsa foi encontrada vazia com essa correspondência
selada,
favor
retirar no balcão devoluções da EMTU’- sem prazo por tratar de extravio
identificado; grato , administração’]
‘’
percorre’’
‘’
não mudaram as rotas além do avanço das casas , da demolição de
outros,
do
desfalque sem marcas evidentes: lancetaram memórias de uma
geração:
assim
foi quando quis retomar os 15 anos: revalidar a mão insegura,
opor
ao
acaso a distância’’.
II-‘’ STEVE, ESQUECIDO DE
TI.’’
‘’Era
a rota velha Rio-São Paulo, lá por dentro Cunha, Areal, as cidades
mortas
e
ele foi resgatado esquecido no caminho descendo a serra. Ele foi a rosa no poço,
a orquídea volteando anos em minha imaginação em renda ou rosa despetalando que
era rosa. Abraham, acorde! dizia para que lembrasse.
Calça
e blusa simples de andante, escapulia da conversa, retinha enquanto caía de novo
no poço agora dentro de mim. não seria nada que correspondesse, por mais
puxa-se, Abraham, donde veio você? parece claro, rosto de vinte e cinco anos,
foi levando-se ao barranco, uma clareira, eu esquecera o motorista que me levava
à Praia da Roca: Abraham entretinha-se em se esconder do que desconhecia-mos,
esconder a deslembrança. Gritava baixinho: Abraham!
sentado
entre madresilvas caíra para mais dentro eco que gritava para
mim.
o
que ele respondesse seria a senha: o grito era o nexo. Rompia galerias
subterrâneas, adentrara salões pouco gentis à arranhadura das costas,
ofegava
redemoinho
que apossava eu que herdara sensações de procura em mim.
crateras,
lagos, chorões, angústia afunilava. não mais me acudia: não
perderia
Abraham
de mim, bastava achá-lo para ele de começo, Abraham interno que não rompia em
socorro dele, nosso, agora residindo no espaço restante do
mundo
negado. a queda ,a intervenção. ele manca dessa
mentira , confessa o nome:
sou
Steve, assim era antes de ter me chamado. Steve então era meu
Abraham
persistindo
na verdade contante: ele dizia as coisas que significavam dalí prá frente
contando antes relevantes. Então, Steve, sobe aqui te ajeito! Parecia implodindo
um edifício no contorno de vértebras músculos moléculas. Toda hibridez literária
tava na minha cabeça: queria mais significação que um
buraco.
Steve
entendeu que sempre sonhava com quedas, precipícios, eu que escalava montanhas
contemplando alpinistas, seguia a rota dos balões de festa, temente às alturas
onde puseram Deus. Saído da fossa, já ia parindo alma inversa a superfície
esbatendo na superfície do acostamento até onde quisessemos findar
viagem:
não se ressentia dos meus beijos, sem necessidades epidémicas estava no amâgo
olhar morto das perguntas palidez sem propostas reclinando no abstrato. rosto pálido o sangue refluía até essa
carnosidade do pensamento
arremedo
existencial deparava o sotão da verdade íntima: uma rosa verde de risco extremo
mais temia era afogamento / afundar entre as vísceras emergia caudoloso já me
percebia de novo instado ao campo sensorial estofado das antesalas , Abraham!
eram amoritas do meu ocidente, dissera. – Estava pensando
distraído
/ tão abstrato quanto um peixe. a rosa verde vislumbrada / peguei na mão de
Sílvia e pedi que tudo tivesse início no pressentimento de um flash agora estava
pronto para o fotograma. o foco impunha auto-revelação; tranquei o alçapão era
senhor de meu destino. o desfiladeiro mais íngreme passava por minha garganta
que desde então nunca mais brinquei de ser eu mesmo. ser eu mesmo é uma
brincadeira sócioconsentida. Abraham perguntou à Sílvia:
querida
você já despencou aí bem dentrinho de ti? respirar é o pensamento mudo das
trajetórias , canyons egológicos, evocação dum suspiro. quando teimo em pensar o
corpo se me responde suspirando. há um sermão poético no elemento que diz:
pedra! plurivocalismo dos lipogramas. o autor original desse conto
fugiu
antes
de revisá-lo, fugiu antes de fingir transmissão dum fardo, soco ,
baque.
todo
que socorre a consciência. a lembrança é soco. é tanta vontade tanta! que só o
Paraíso branco vai nos entediar por misericórdia. se lembro ainda sei que
vivo.
vivo
em frota meditando, repousando minutos em quadrados, cizura em escanteios
sugerindo telas vibrantes. elementizando percebimentos: os dedos de Fábio me
pedindo, a ingratidão de Guilherme dizendo-se agora maduro, vôo pensando, vôo.
jogo varetas de logopondências: um missal lúdico trazido da Índia
por
um peregrino profano. deixou-me um tear sem trama. agora retraço. quando deitado
tudo é superlativo: os regatos são veias tiradas de mim. a
caminhonete
para
porta abrindo-se: isso é um sax de Joseph Vincelli assim reconhecido como
Abraham eludia por ser tão presente um busto pintado por Thomas Sully: era um
espartano senhor lilluputiano , crescia em meu interesse: um Gulliver celeste
soltara alí sem que eu tivesse mais rancores de meu destino: perdera um
destino
fixo,
arrancara culpas desses rancores. eu recolhi o viajante como meu
carona,
era
sua garantia, tinha me tornado um ser responsável: esse desejo me deliciava
como
molotov silente. escapara de minha rota e teria que escolher uma
praia.
Steve,
acostuma ao novo nome para agora eu Ter um novo caminho, só te acertando ao
chamamento teremos guarida igualada num repouso da noite.
Bancaremos
Kerouacs: Clint, Texas; Santos é o Mar, o Mar é o Destino.
Steve
, escolhe entre a Juréia ou Cambury, descemos os Vales do Ribeira ou Paraiba.
Defronte é o que decide. Literatura mora entre nós, ela será orgasmo para
poucos. Seremos anacoretas do consumo, Literatura será orgasmo para poucos. Um
acidente geofísico pede que escrevas, pensa, Steve.
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