Meiotom - Crônicas


 

 

flávio amoreira viegas

 ‘’Cartas à Blanchot.’’

 

‘’Fiz um rasgo na parede do Tempo, as cortinas agora esvoaçam direto à ponte do Brooklyn, preciso dum espaço de palavras: há uma vida por um fio ao som Waxman e sigo para salvar Barbara Stanwyck; na pele dum dromedário estico nua em pêlos as sentenças que foram dadas pela tradição dum oásis longínquo. Não temo nenhuma lei: preciso recolocar no gancho lance de escadas com Absurdo. Antíteses jorram da pena ariscas pelo vento das montanhas que circundam New Jersey: penso no pensamento como forma de restituir a desforra dessas pedras escritas que perderão seus nomes de batismo, amontoam-se desenlaces, rupturas desfeitas, impropérios presos na consciência gráfica elevam-se desditos na evanescência irrelevada que deita-se com senso provisório dirigido à um cargueiro sem prumo. Não posso te contar portanto escrevo: quero tornar à plenitude de confissão do verbo, não pela psicologia inculcada na gênese: o verbo que me sucede e onde espero é superposto. Perecível, é onde passa nessa fresta barroca a morte da linguagem escorreita: alongo, torneio dou voltas ao clássico ante o que ele enviesa, prorrompe: turbilhão tremeluzente de aparências, rasgo-me numa cruzada fria transversal de pontos que se ausentam no bico sobressalente dum quadrilátero dando brechas à semicírculos esvoaçando partículas amorfas.

 

‘’Nem um só respingo flutua sob alma acre chorando nebulosas. Calçados umedecem arredores estreitos, silêncio! Me preguem as mãos antes que não veja o brilho que me sobre e penetra, corpo dourado e agora por diante a noite fulcra e de repente para. os gestos raros, fica. ‘’

 

‘’a atmosfera em que se move a trama é um labirinto cálido de espanto: filme noir. Não acabei de dizer quando termino de nomear, esse desígnio contrafeito: nomeada das circunstâncias esférica quando o que bordejo é o centro morando em algum canto dessas sobras essenciais que são espaços inconclusos em curvatura que dão guarida algum contorno cálido. atmosfera noir :

algo se assemelha minha liberdade de diferenciação dos pontos que outros calçam sem dar percebido.’’

 

Flávio Viegas Amoreira

Escritor, poeta e ensaísta

flavioamoreira@uol.com.br