Meiotom - Contos


 

AMADEO

flávio viegas amoreira

‘’ AMADEO’’

‘’ não era balanço desses sinusóides de partir o cuco, quase pulava, ia

o menino : duvido-me! o livro entre a perna olhando embaixo coisas de se ver

aturdido; precisa volta, arranja-se na cerca enfronte outro alisa seu rosto:

não posso! cair não quero tampouco esse que não te esquece: quero ser ainda peixe depois néscio ao fim um par de luvas meias algodão d’inverno.

menino feio: não rela mão quero ser homem feito! escrevera conjuntando alterações ampliando ao sentido literal que a média  lê entende e aplica: aplainava o material e retorcia sem vínculo direto de significação : a glosa os lipogramas até onde um monovocalismo inteirava de fazer recompreendido. Amadeo aplicava uma regra nem secreta: impossível retomá-la sem ele no compêndio das absurdidades. O autor original desse conto fugiu antes de revisá-lo: fugiu! Amadeo que era o amor das meninas no colégio o aplicado em tudo chefe de turma galã de quarteirão tinha se perdido

numa guerra americana: dupla nacionalidade duplo destino. até os 17 anos entre nós sendo que dos 15 aos 17 temos um século de experiências: nesse tempo é copião de uma vida que se desenreda. Minha vida epopéia do Eu:

onde coisas só acontecem se repetidas ou lembradas com nitidez;- marcando

encontro com Franz , tendo-o sempre à mão, vivendo com alguém seguidamente: o possível me acomoda; esperar é algo por si já inverossímil,

vivemos virtualidades que nos são mais caras que possibilidades distanciadas

por tempo / espaço de caso pensado. lembrança de um doce em dieta, substituo por gosto acre que esteja solidamente à mesa. Talvez Amadeo seja

esse perdido numa barricada estrangeira: a paciência desperdiçada dantanho:

nossos avós eram os que esperavam, nós somos cínicos sem reflexo futuro.

o possível arremessável, a impossibilidade alcançada e desiludida;- Amadeo

foi o que era nossa cidade, o pilar de recados, hora do almoço, a disposição

das casas em 1980: o momento é a disposição das casas no segundo em que amamos em segredo. Tenho aquele segredo em mim, morrerei com a disposição das casas. As normalistas são hoje matronas, os mestres estão mortos, Amadeo é tudo que repousa e desaprende daquele instante das casas

indispostas se um grão não tange suas amuradas na vez que passo.

Um amante morto é tão meu quanto da viúva com soldo e cartas do front.

Amadeo morreu texano, era brasileiro até o bombardeio. Eu depositei flores

para um estranho dos outros. Amadeo é a sola dos meus sapatos até nosso pátio.’’