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meiotom.blog FLÁVIO AMOREIRA |
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´´Enquanto
houver Oscar...´´ |
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A década que se encerra começou sob a égide
dum atentado, guerra de civilizações, mas
atingindo o ponto máximo da ideação poética
como concreção estética em
alta escala do humano: a arquitetura.
Arquitetura sempre é
símbolo : as torres gêmeas sucumbiram
anunciando a era da incerteza. Arquitetura
é no fundamento isso: concretude vivenciada
funcional ou plasticamente admirável da
poética habilitada pelo traço. Quando do
centenário de Oscar Niemeyer, refleti muito
ao ver a homenagem de Paulo Von
Poser: um número
100 de rosas encimando a topografia mais
característica que ‘a arte erigiu
‘a São Paulo na ausência do belo
natural: o Copan.
Uma montanha vibrátil, Sampa
pulsante .
Uma das poucas metrópoles mundiais sem
acidentes geográficos evidentes, tendo
matado rios e impermeabilizado possíveis
paisagens, São Paulo é uma urbe
metonímica : não
mimetiza metaforicamente ou acompanha o
entorno onde se assenta. O Rio de Janeiro é
sim metafórica;
Sampa contêm em qualquer canto toda carga
simbólica de sua miscelânea urbana: não se
molda, nada se compara, reinventa. Brasília
com certeza é grande marca de Oscar, mas sua
presença se faz mais contundente ainda
a
paulistana. A mesma sinuosidade do prédio do
Partido Comunista Francês que tanto remete
ao barroco revivido e o tropical sutilizando
o acinzentado. Niemeyer é uma bandeira para
questionar o nosso tempo: o mestre em luta
contra os males que nos levam ‘a barbárie
cínica:
a
especialização tecnicista, a ausência de
humanismo na funcionalidade em detrimento do
maior bem que a habilidade pode legar ‘a
ação prática: sua submissão ‘a estética. O
belo espantoso, o impactante que
desconcerta: a ponte do concreto armado com
outras experiências da intelecção e
emotividade. Guardo sempre ao
lado ´´As
curvas do tempo´´,
as memórias de Oscar que recomendo. Traz
orgulho saber que a figura que Oscar mais
admirava era Sartre e o ofício da escritura.
Quanta dignidade nesses dois compartilhando
aquilo que também comungo: mesmo ceticismo
militante, mesma desilusão seguida de
vontade de luta, o mesmo sentimento de
dúvida constante ,
mas criação apaixonada. O que fica desse
Oscar já nosso arcano mítico é a existência
como perspectiva multifacetada, o
Copan feito
interrogação ‘a ´´urbe´´
dum cotidiano ensandecido : como arquitetura
que diz: ´para
quê?´, ´para
onde´? Com Oscar aprendi
construir a ética sem Deus e a paixão como
busca sem destino certeiro. As curvas, as
ondas, os sonhos... Só a Arte como
essência .
flavioamoreira@uol.com.br |
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