meiotom  poesia & prosa

e-mail: meiotom@uol.com.br

 

   meiotom.blog                                             FLÁVIO AMOREIRA

 

ESPECIAL

 André Carneiro

 Eunice Arruda

 Leminski

 J. Cardias

 Jorge Cooper

 Poesia Cubana

 Poema Libai

POESIA

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 POESIA VISUAL

 Almandrade

 Carlos Pessoa Rosa

 Clemente Padín

 F. Aguiar

 G. Debreix

 Hugo Pontes

 José L. Campal

 J.M.Calleja

 Rafael Marin

 Poe-Zine

 Marcos Rosa

 Avelino Araujo

 Thierry Tillier

 FOTOGRAFIA

 Andrea Angelucci

 F. Pillegi

 Euclides Sandoval

 TITE

 GONDIM

ARTES PLÁSTICAS

 Lúcia Rosa

 Felipe Stefani

 Maria Domênica

 Lampros

 DIVERSOS

 Concursos

 Resultados concursos

 Resenhas

 Estatística

´´Enquanto houver Oscar...´´

 

A década que se encerra começou sob a égide dum atentado, guerra de civilizações, mas atingindo o ponto máximo da ideação poética como concreção estética em  alta escala do humano: a arquitetura. Arquitetura sempre é símbolo : as torres gêmeas sucumbiram anunciando a era da incerteza.  Arquitetura é no fundamento isso: concretude vivenciada funcional ou plasticamente admirável da poética habilitada pelo traço. Quando do centenário de Oscar Niemeyer, refleti muito ao ver a homenagem de Paulo Von Poser: um número 100 de rosas encimando a topografia mais característica que ‘a arte erigiu  ‘a São Paulo na ausência do belo natural: o Copan. Uma montanha vibrátil, Sampa pulsante .

 Uma das poucas metrópoles mundiais sem acidentes geográficos evidentes, tendo matado rios e impermeabilizado possíveis paisagens, São Paulo é uma urbe metonímica : não mimetiza metaforicamente ou acompanha o entorno onde se assenta. O Rio de Janeiro é sim metafórica; Sampa contêm em qualquer canto toda carga simbólica de sua miscelânea urbana: não se molda, nada se compara, reinventa. Brasília com certeza é grande marca de Oscar, mas sua presença se faz mais contundente ainda em Sampa. Santificar um artista é reduzi-lo ao ótimo: ótimo nem sempre é bom: o Memorial da América Latina me soa estranho, desagradável; mas todo esse mal-estar é redimido pelo Ibirapuera ( mesmo descaracterizado ) , mas sem dúvida pelo Copan. Ali ao lado da velha igrejinha da Consolação que badala feito coreto de praça, a monumentalidade sensualíssima , a dobra que se insinua impondo um eixo redefinindo o acaso , o edifício-marco reproduz o gigantismo de colméia superposta retratando o espírito de uma civilização aberta e peculiaríssima em sua heterodoxia:

a paulistana. A mesma sinuosidade do prédio do Partido Comunista Francês que tanto remete ao barroco revivido e o tropical sutilizando o acinzentado. Niemeyer é uma bandeira para questionar o nosso tempo: o mestre em luta contra os males que nos levam ‘a barbárie cínica:

a especialização tecnicista, a ausência de humanismo na funcionalidade em detrimento do maior bem que a habilidade pode legar ‘a ação prática: sua submissão ‘a estética. O belo espantoso, o impactante que desconcerta: a ponte do concreto armado com outras experiências da intelecção e emotividade. Guardo sempre ao lado ´´As curvas do tempo´´, as memórias de Oscar que recomendo. Traz orgulho saber que a figura que Oscar mais admirava era Sartre e o ofício da escritura. Quanta dignidade nesses dois compartilhando aquilo que também comungo: mesmo ceticismo militante, mesma desilusão seguida de vontade de luta, o mesmo sentimento de dúvida constante , mas criação apaixonada. O que fica desse Oscar já nosso arcano mítico é a existência como perspectiva multifacetada, o Copan feito interrogação ‘a ´´urbe´´ dum cotidiano ensandecido : como arquitetura que diz: ´para quê?´, ´para onde´?  Com Oscar aprendi construir a ética sem Deus e a paixão como busca sem destino certeiro. As curvas, as ondas, os sonhos... Só a Arte como essência .

  

flavioamoreira@uol.com.br