Meiotom - POESIA & PROSA


Mauricio Adinolfi -

www.mauricioadinolfi.blogspot.com 

 

Arte no coletivo , o Devir cromatizado na precariedade

aparente e na imanência do risco: só o impermanente

refletido é humano. Interação movediça , curso errático

dum braço de mar de nome bugre moldando rio-corrente

gestando Oceano ao largo. Folhas de madeirite ´volpiando´ o dique que contêm bravamente o Atlântico:

o rumor das tintas em sinestésica tessitura amalgamada a maresia / umidade primal / mítica / palafitas que suportam / sustêm no instante a original errância...

Fenomenologia sem travas: elocubração molecular.

Poética concreção: casas-signos carregadas de significados / rizomas fractados em húmus fertilíssimo

de encanto horizontalizado por perspectivas inusitadas a reboque do leito sem margens precisas. Urbanismo orgânico / humanização da paisagem / naturalização da comunidade pela estetização dessa disposição sensual das vagas ao sabor da maré reentrante. Visualidade distendida: gente habitando azul e vermelho / sem vértices ou ângulos arbitrários : as cores são estatuto do encantamento assentindo a dissolvência. Móbiles : veredas imagéticas / a dialética sem síntese na geometria de planos inconsentidos : magia cética dos cubos que se projetam expressando ao infinito o traçado que não se permite imantado. Nada se fixa / nenhuma acomodação óptica : sobrevivência do impossível onde nada é prosaico / nesse cadinho onírico tudo é ascenso epifânico, o sublime moldado pelo compósito terreno. Cores primevas /  descida plástica ao paraíso inquietante do experimento / a ferveção desordeira do espaço / pulsão dilatada / múltipla / o sol reaberto em clareira .

A existência tatuada na imersão colorizada / o Mar que desliza riacho escondendo lacustre hidrográfico oceânica grandeza : barracos / casario/ barroco : senhores dignos mestres sobrados da incerteza sem aparas. Nessa borda sem porto a fugacidade faz a realidade algo palpável desvelando o desejo presentificado: cada matiz é um sorriso orgíaco / orgasmo anímico / distensão das esperas. Epopéia lírica / janelas sem amuradas / braços forjando identidades / cidadãos sujeitos de sua história em aquarela : parapeitando o mais extremo do infindo:

o indiviso marinho. Subversão sem escora / fecho / gancho : sabor dionisíaco do delírio enxaguando-se  

na felicidade do absurdo respingado. Cores conviventes, correspondências cósmicas : aqui nem a noite é breu entre o sustenido de barcos /  madeirame rangente  / onde o céu cobre-se de escamas no ventre salobro das esferas. Quanto mais miro menos turvo onde minhas pupilas não se desgastam: o ´habitat´ não refrata / aqui nada repele / todo-tudo alonga-se em eco transmutado em espelho. Nenhuma utilidade das cores além do milagre epidermicamente sentido: útil é da ordem do desnecessário/ entre os moradores há luz eivada da cores questionando o excesso de ´utéis inutilezas´

 na outra sociedade : onde consome-se o irreal por ser exorbitado. Prodígios reverberam: não é fogo-fatuo da ruínas do capitalismo: são moinhos auto-realizantes.

 Nenhum faro mercadológico ou lógica redutível: essas cores fazem-se  poemas / êxtase agitando-se sem termo ou medida.A simetria é só efeito primordial antecedendo atmosferas superpostas / apoteose submersa: intangível quadrilátero/ até onde vista alcança nada que fascina é passível de enquadro.  ´Hapenning´/ performance / obra aberta : tudo intuído, o efeito ultrapassa ilimitado ou deliberado. As cores falam / dizem / projetam tudo-todo que um tom alumia : não é projeto / ´cores no dique´ é retenção mutante dos caminhos / metalingüística observação táctil do trajeto. Desprovido de paternalismo a ação do artista co-move mutirão desprovendo-se de ego para amplificar o arco de ação negando apropriação

da Arte tão somente pelo indivíduo: ´soma´ de ilhas, as cores lançam pontes entres toda a gente ´comunizando´ a Utopia / agregando o arquipélago-ocre num continente-cores. Só um senso / nexo / propósito: o arco-íris encarnado / ´habitabilidade´ densamente mitificada / o profano artisticamente sacralizado : Arte sem evasão / cores alinhavando um compromisso de rompimento / protesto sábio / vívido alumbramento. Sabotagem de arquétipos / desprezo ao clamor apocalíptico / descontrução do tédio pela erotização radical do espaço pelos cacos numinados / inspiração seminal do ´locus-topus´ pelo mais fundo de sua ´naturaleza´. Arte é dique sem barreiras: pensamento nômade / pólen quântico-náutico. No princípio era o verbo fazendo Arte. Embarcadouro: nada assenta ou repousa / as cores acompanham o embarcadouro nesse estado ´originalizante´ de ´estar-aí´ mutante: o dique pinta-se feito metalinguagem onde a existência faz-se morada.

Arte adesiva , não encerrada / estanque: clareia serpenteando a esmo num acaso objetivo: o mundo aqui é onde cor vai adentrando seu enredo.

 

{ Estudo sobre projeto ´´Cores no dique´´ de Maurício Adinolfi, artista plástico e filósofo; para conhecer o trabalho do artista: www.mauricioadinolfi.blogspot.com ]

 

Flávio Viegas Amoreira

Escritor

flavioamoreira@uol.com.br

Agregado corpus sanctus / musgo, nesga. Tonicidade �refere-se �a vogal ou sílaba que recebe o acento de tonicidade. Tão recebe de mim acento, dono seja do cós. Posição de sílaba tônica, monossílabos tônicos ou atonais. Abre direitinho a frase, amor: língua natural entrante. Emolumentos, hirsuto. rendilhado elementos componentes. Dúplice: componentes. Estamos dentro:

Dentros! Sampa anti-cidade / desentorno / perspectiva até próxima esquina /

cúbica sólida; díspar. Não reversibilidade: microbiologia do amor. Plátanos / tartamudos procelas. Versos soltos, remexidos. O verbo é o que interfere /

engaiolamos ventos. Escrevo, escrevo, torneio, tento. ´´

 

Flávio Viegas Amoreira, transmoderno.