| Meiotom - Crônicas |
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flávio amoreira viegas
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sampoema’’ [ Poema infinito:
trecho lido por Flávio Viegas Amoreira na Praça Benedito
Calixto dia 29 pelo projeto ‘’Dulcinéia Catadora’’
] Teu ventre
regurgita seres de estranheza orgíaco encanto
terra sem marcos acampamento
solidário aos lobos da estepe poeta / fodidos/
eruditos de céu in-concreto: campos de pivas
orides fontellas panaméricanos agripinos e
catadoras vencer Sampa é
perde-lhe o medo tua geografia são
seus rostos bolívares-norte-coreanos lagos anônimos de
gozo e morte a Paulista
é praia de ondas
com pressa cimento cal fétido /
grana espúria / do Jaraguá vejo-te cosmovo : Sampa é
ducaralho divino esporro único mundo donde
perdi o medo nu era o começo
indistinto agora reconheço alamedas /
janelas / quartos de estória em cada cômodo um
coito / parto / féretro águas pútridas /
córregos em transe / pirajuçaras marginais de rios
carontes refletindo desespero de Virgilíos e
Dantes : cosmoagonia : Sampa é ducaralho azar mais sorte:
a vida não perdoa desatento transeunte tudo-todo-rola-cada- instante; poemizosampa
navalhando névoas
cinzas nuvens de estanho ilusão paraísos
consoloção liberdade jardins oscar freires de
infame exclusão marianas ângelas
leopoldinas vilas no caminho havia uma praça trecho
arremedo de troços e a praça fez-se árvore numa
igreja de enforcados insones luzes de horas : cada
habitante inapetente é uma paisagem espreitando
esconderijos dalguma memória te esperam vãos /
vales / veredas / te esperam algum sentido : algum
sentido para onde damos em alamedas becos /
beneditocalixtos / anhamgabamentos
conas / répteis /
fósseis / múmias virgens salve Sampa
sodomizada / poesia pederasta oralizada: todo-tudo-sempre
é Sampa e Sampa é foda: aqui-quase-nada / quase-nada/ nada em
orgasmo múltiplos de
signos/ significados infindos vejo estranhos
que passam: eu Whitman tropicano: garanhões /
ninfetas / anjos putos/ proxenetas risco que corro e
escorro longa mirada para ser feliz num átimo / fóton
de esquina por esquina senhas códigos
berros espectros em amuradas Davids Lynchs /
Win Wenders / barras códigos estacas: Meu cérebro é
onde? : noites de autorama Madrugafas mais
darks que a escuridão do nada Interlagos de
lágrimas: engulhos esgares vômitos Da metrópole essa
meretriz viada que comigo deita Quando
esparramo-me de paisagem e realizo delírio Por inteiro : eu
sou carona de teus fetiches pesadelos Espasmos
oníricos: insights luminares / beatniks Transmodernos /
aqui Deus é Joyce , Mallarmé é seu profeta : eu moro é na Literatura
sampauleira sampaulisto sampinferno sanparteiro de
entradas bandeiras volpianas baratas forasteiras
trens sobrehumanos traças suburbanas : trago o gole de amargura oswaldiana
: a tristeza é a prova dum 69 sou 13/ 11 / oito
infinito, infinito onde o som se estreita/ andróides /
zumbis / iracemas da Vieira / índios de Moema incorporo
metálico estalido dos espigões em meu rabo e meus cornos
eriçados de antenas Sampa é zoom!!!!
Disposto o peito
aberto a camisa em desalinho Sampa me afronta
com sua zona e risco Sampa é o Ó entre
brejos e bronhas : atmosfera saída
dum filme B assassinatos
chacinas negras noir ferozes volantes
/ violência fashion homens mix de
mulheres blade
runners andróginos : transgêneros líricos merda
cercada de gente por todos os poros dos lados dentro estou fora
e foda-se o recheio o borbagato me
bulina / sinto a maresia baseada no Oceano
lisérgico na imagética moldada por camadas de cânhamo: O Mar é longe /
vagas de gente empoçam castelos de
areia: a multidão é sempre sociedade anônima : cambaleio / resisto por
grutas/ grotas/ gretas/ rizomas/
elevadores capengam / shoppings da babilônia: midnights cowboys pela gay caneca não existem
pontes entre todas essa gente viver é lançar
pontes do vazio refletindo a luz do nada muretas guaritas
tiras do ouro bandeirante nada insiste
subsiste uma vista onde nunca se encaixa ao mesmo
tempo ao todo se situa onde mora o
deserto é menos só que na Augusta a chama tupi
jazz, jazz, jazz em terracota e taipa em Sampa
fiespe-se, fiespe-se ou foda-se! Urbe orbe
pulsando fênix de turbinas em chamas Caldeiras /
turbilhão : miragem do movimento Sempre estamos
onde nem supomos Os vagões levam
homens apalpando suas malas Duras penas /
diamantes em pencas chaminés de ouro Cravejados de
sapopembas e diademas Eu canto por que
minha alma não desiste Penso, louco logo
resisto! Reconheço todas
tribos O gigante polvo
capitalista não é nada perto de nosso Espanto e
grito Cruel argamassa
solitude que nos une Artefatos /
bólidos/ hélices / inversão térmica das cores Sampa é asco que
não afugenta Náusea que me alucina Sampa não existe
: está sendo no ato: Porra loca dum
gozo carcomido O mercado come-se
: dinheiro é autofáfico Cria é para
sempre onde sempre exista Sampa anda
em mim por via estreita Poetemos
onanistas! Abaixo arcadas
cerebrais: descontruir discursos é urgente! Façamos desse cu doce
subversivo argumento.’’
''Dedicado ao filme ''Signo da Cidade''
de Carlos Ricelli e Bruna Lombardi, obra-prima
contemporânea''
abraço, Flávio Viegas Amoreira
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