| Meiotom - Crônicas |
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flávio amoreira viegas |
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‘’O Tempo é
ponteiro do Espaço’’ ‘’Nunca estamos
onde estamos’’ Lobo
Antunes O ano voa, as
horas correm: as metáforas da celeridade denunciam a
pressa de quem não para pensar sobre que mensuramos e
indiferente nos engole: a duração, o fluxo nossa
subjetividade nomeadora chama Tempo. O relógio avança
alertando: menos um , menos um: nenhum instante é ganho, a sensação
derivada é que dá sentido paradoxal à luz do vazio refletido no nada.
Proust é definitivo ao perceber que Amor e
Tempo não estão fora de nós: perpassam em nossa intensidade.
Mensurar é dar nexo e
prazo relativo à caótica colcha de retalho que é o Infinito que se
expressa em motivações ou sentimentos: saudade, distanciamento afetivo e
percepção de importância de fatos. Aos quarenta anos o Natal de 1977 é pra
mim a despedida de algo que só ia calcular imenso
pouco mais depois: Chaplin encarnava o Cinema assim como Clarice Lispector
a Literatura. Sigo curtindo
ambos: sou contemporâneo de mim. Os pré-socráticos
e o budismo são sistemas que mais me aproximam desse enigma fundamental :
o Tempo. Agnóstico, a imagem capturada por telescópio de partículas
expelidas de um buraco negro por uma galáxia com jatos
letais de energia e radiação contra galáxia vizinha faz refletir sobre a
contração do Universo: outro lado do Espelho de Alice ( Lewis
Caroll) ou o ‘’Aleph’’ de
Borges: ‘’ onde estão, sem se confundirem ,todos os lugares vistos de
todos os ângulos.’’ Atribuímos ao Universo dons de
nossa solitude. Universo sabe o que sabemos dele. Deus é um impasse
lingüístico: a expressão de seu entendimento pode ser institucional (
religião ) ou criativa ( arte ). Nada vem do nada, o jeito é resistir: o
Homem ultrapassou campo das grandes esperanças, viveremos fruição cética,
que espero responsável e igualitária no latifúndio sideral que nos cabe.
2007 vai deixando herança das vanguardas no Cinema ( Bergman), da Dança (
Béjart ), da Mímica ( Marceau ) e Música (Stockhausen) : mas o ímpeto
segue, sem obrigação de criar o Novo: simplesmente fazer Arte como grande
ofício, culto ritualístico à Sísifo: fazer e refazer como 365 dias que
esvaem, escorrem e renovam o rio de Heráclito. A experiência humana é
feito corrida de bastão: a passagem prossegue com mais fôlego. O Universo
é um criptograma sendo desvendado: gosto da idéia dos maias: um Dia fora
do Tempo: se cada coisa tem seu tempo, Tempo é o que esteve ou estará
aquém ou além dessa coisa: o nirvana, a Divindade totalmente significada.
Todo Uno será onde sempre foi e esteve. O que nos cabe
pragmaticamente? O Brasil é um teorema que exige resolução: estatísticas
recentes nos colocaram como país com maior fervor religioso dentro de uma
das sociedades mais injustas mesmo tendo uma das economias mais pujantes
do planeta: como pode-se ser religioso e
egoísta, concentrador e desumano? Devemos ser menos
convictos no abstrato e
mais capazes de
realmente igualitários. Miséria e preconceito são chagas irmãs. A Fé aqui
tem movido montanhas de dinheiro : prosperidade e consumo iluminado sobre
os viadutos de sombras. Escrevo digressivo: mandala, estamos no Tempo: mas
do Céu só esperamos asteróides. Fé é ser gente em comunhão com toda gente.
Esperando o Paraíso o Homem tem feito um Inferno. Há Tempo. O Ano Novo
pode ser grande: 8 é infinito e o grão não morre. Cria é
resistir.’’ Flávio Viegas
Amoreira Escritor flavioamoreira@uol.com.br
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