| Meiotom - Crônicas |
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flávio amoreira viegas Obama: um
Roosevelt globalizado O Estado é
imprescindível até alguma Utopia libertária possível. O Consenso de
Washington e o neoliberalismo nos venderam gato
por lebre para favorecer poucos e pôr de novo o capitalismo em cheque:
Marx previu essas hecatombes naquilo que muitos achavam ser inevitável,
infalível e natural: a auto-regulação do mercado e a complacência
igualitária do bolo repartido depois de crescido. O socialismo pode ser
mais lírico, poético, distante, mas acreditar que exista racionalidade
nessa máquina de moer gente e consumo indecente é crer na falácia de
Fukuyama bradando o fim da História. A América ainda será hegemômica pelo
comportamento, cultura e sistema impostos : se o Império ianque vai
ruindo, a mentalidade estadunidense ainda é o pote de ouro dos brasileiros
que macaqueiam aos chineses que maquiam querendo faturar e entrar na
farra da opulência de fachada. A vitória de Barack Obama é uma fatalidade
generosa: um imperativo miraculoso: na forma Barack representa a geração
nascida na liberação dos anos 60: a América intelectualizada, progressista
, a terra de Walt Whitman e Gore Vidal. Barack é o anti-jeca,
o declínio da
caretice religiosa mancomunada com Wall Street que deram em Reagan e Bush.
Sua biografia é uma saga pan-racial, radicalmente cosmopolita e um relato
raríssimo de perseverança: Barack é talhado para a convergência em torno
de consenso anti-belicista, ambientalista e multilateral; no conteúdo ele
encarna a saída do Iraque, a repactuação atlântica, a ponte com Islã
moderado e a retomada do New Deal com profundidade
globalizante: um Roosevelt num planeta miscigenado por
temores e desafios em comum. Sabemos que América é
dominada pelas grandes corporações e a indústria armamentista é um
esteio ( o documentário
As razões da guerra é um clássico imperdível no tema ) , mas a crise
impõem a revisão de todas ortodoxias: é hora de ressuscitar Lord Keynes de
modo cibernético; governos serão instados à gastar e muito! para recompor
ausência irresponsável em Bem-Estar Social, Infra-Estrutura e
realinhamento mais igualitário desejável para que se evite o caos e os
desvarios totalitários. O sociólogo polonês Bauman nos dá receita em
Tempos Líquidos : Tudo que é feito por seres humanos pode ser
refeito por seres humanos. Portanto, não aceitamos quaisquer limites à
reconstrução da realidade . Espero quando publicado esse artigo possa já
estar comemorando Barack Obama: não sou
personalista, não empenho confiança apenas na retórica e no magnetismo de
seus olhos; aposto no que ele representa : a convicção que a humanidade
experimenta a volúpia do futuro, propósitos além do aparente e dos padrões
cansados. Heath Leadger, o Coringa fala como Nietzche em Batman:
a chave do caos é o medo. Barak diz ser possível:
liberdade com prosperidade à começar pelos que estão por baixo.
Especulação,
insânia energética, conflitos por petróleo, puritanismo
comportamental e postura de cowboy são herança ser removida: Obama será
grande antídoto que justifique minha rejeição ao antiamericanismo. Obama
eleito será como ouvir Cole Porter ou ser beatnik no
Village. A crise será detida no olho do furação: América é fundamental,
para além do bem e do mal. Uma nova ONU, um novo mundo de trabalho
revalorizado e sonho originalíssimo: o capitalismo está em cheque, sem
dólar furado e arrogância do bônus pintado: Paul Kennedy ou Eric Hobsbawn
( ingleses de esquerda são formidáveis! ) tem a mesma
receita-diagnóstico: ou mudamos juntos ou afundaremos; o capitalismo
provou-se perigoso: Política, Estado e liderança vão por a especulação e o
conceito Economia em quarentena para uma geração. É o ser humano! depois
da abstração do mercado quem vai última cartada. Barack é senha, símbolo e
sinal: quem viver verá para ser reinventado. |
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