| Meiotom - POESIA & PROSA |
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flávio amoreira viegas
ROBERTO PIVA: PIAZZA CALIXTO Praça Benedito Calixto, Sampa: numa
clareira onde o transe poético em magma se fazia: dia 26 de
julho Roberto Piva
empunhava cálice e a deusa Mnemósine, personificação da ‘Memória’, irmã de
Cronos e de Oceanos, mãe de todas as Musas. Onisciente o bardo xamânico
evocava a lírica dos primórdios, a genealogia do encantamento, as
cosmoagonias em transe continuum... Obsessivo, heterodoxo, nunca me filiei
à ‘tchurmas’
literárias: sem ortodoxias, bebi das fonte paranóides de Piva e das
galácticas de Haroldo: ‘’gosto de gostar das coisas’’, dizia Warhol. As
damas de Sampa olhavam curiosas Aguillar e o mestre Piva : Alta Cultura na
praça são happening provocativo `a burguesia desavisada: um orgasmo esse
de fazer o ‘mix’ entre o poético-litúrgico e o shopping-utilitário: ‘’ Uma
tarde / é suficiente para
ficar louco ‘’ assim abre-se ‘’Um estrangeiro na legião’’, reunião do
clássico paulistano: uranista-erudito,
- meu mestre Roberto Piva brilhava frágil como os fortes do Tão
‘’mostrando-nos um pedaço cru e sangrento de verdade’’ ( Salvador Dali
). Eu vi
‘’Astrakan’’ na Benedito Calixto: ‘’Eu vi uma linda cidade cujo nome
esqueci / onde manifestos niilistas distribuindo pensamentos puxam a
descarga sobre o mundo’’- e segui até o termino
tresloucado entre o desmanche dum sábado de caloroso inverno ‘’ sem o amor
encontrado / provado / sonhado / sem procurar compreender / imaginar’’ ;
leio, tresleio, sinto as ‘’Piazzas’’ e seus estômagos ‘’ nascendo / no
lindo lugar / de um amável coração / um banco revirado / cheio de silêncio
/ a tarde / sorrindo de frio / para poucas / cenas de ciúme ou Rimbaud
beijando as pessoas / sua máscara lógica / dor irradiando / no ar / sobre
o olhar sonâmbulo do anjo que ainda grita’’. Em tempos de literatura
broxa, tive momento
mágico: fui um anjo de Win Wenders espreitando o arcano bruxo : fiz-me
Nietzsche até Santos: ‘’Corre o rio do meu amor para o
insuperável? Como não
encontraria um rio enfim o caminho do mar?’’ Ficamos loucos na
piazza piviana: ‘’No alto do Viaduto o louco colava pedacinhos de céu na
camisa de força destruindo o horizonte a marteladas / a
Morte é um REFRÃO NO CRÂNIO SEM JANELAS’’. Eu que te buscava Roberto Piva: ‘’ apalpo teu livro onde as estrelas se refletem como numa lagoa.’’ Torno ao Oceano e Roberto Piva faz-me lembrar urubus e garças atômicas. Um meteoro devastador não detêm ímpeto poético: seguirei ‘’Apophis’’ cantando um ode cósmica. A morte é a ficção dos não-iniciados. Oceano-me. |
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