| Meiotom - Crônicas |
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‘’Um artista das
rosas e da multidão: Von Poser’’ Paulo Von Poser é
dos artistas plásticos brasileiros que mais me dizem respeito: poucos
refletem com tal maestria o conteúdo pelo continente refazendo o percurso
obsedado , transmoderno dos signos na reflexão das suas desdobraduras.
Sampa é mais metonímica metrópole do globo: sem topografia, sem mais largo
horizonte é capaz de revelar-se em seu todo pela mais recôndita de suas
partes ou rizomas fluídos. É essa Sampa de
Von Poser: ângulo preciosíssimo , fugaz mirada dum
dirigível ou suíte impessoal dum hotel de luxo. A causa pelo efeito, o
conteúdo pelo continente (enfatizo) , o
objeto disposto pelo material de que é feito: o instantâneo
retido é metáfora de nosso desnorteio. Impossível não
citar Walter Benjamim sobre a obra de arte: ‘’(...) a natureza de que fala
à câmara é completamente diversa da que fala aos olhos , mormente porque
ela substitui o espaço onde o homem age conscientemente por um outro onde
sua ação é inconsciente’’ . Imerso / emerso, cinético: faz-me lembrar
todos ‘perfis’ que retenho de Sampa;- o último impacto foi nesga do Copan
apartir dum terraço do ‘’Centro Maria Antonia’’: se a grande arte nacional
é experimentada em Sampa, Von Poser é um dos seus mais intuitivos
desbravadores. Muito além do pintor das rosas! Agora é um Benedito Calixto
reconstruindo o ‘’Teatro Guarany’’ de Santos com quase 150 anos de carga
anímica meticulosamente retocada por esse arquiteto que leciona nas ruas
onde a concretude poética é noite / dia edificada e transmutada. Penso em
Paulo quando leio ‘’Cidades Invisíveis’’ de Ítalo Calvino e numa frase de
Matisse que pressentia esse paulistano universal doce feito a densidade de
sua obra: ‘’Não há nada mais difícil para um pintor do que pintar uma
rosa, pois antes disso ele precisa esquecer-ser de todas as rosas que já
foram pintadas.’’ Não existe Arte, existem artistas:
delineadores de tessituras que ruminam a persistência do desvio e a
tenacidade dalguma percepção durável: artista é encantador de
evanescências : uma rosa já não é uma rosa desde que Gertrude Stein tenha
dito ou Paulo Von Poser magicamente mimetizado. Rosa e caos urbano ainda
retêm cosmogonias e a gênese do sujeito enquanto testemunha absurdamente
disponível ao absoluto divino: desconheço algo
mais frágil que monumentalidade de Sampa: imensidão que se engalfinha
pelos cinzentos escaninhos dalgum propósito cotidiano e seu descomeço. Em
Sampa nada finda feito o pensado no recomeço. Cidade se descabaçando feito
pétala. Grande Paulo Von
Poser! [ Flávio Viegas
Amoreira Escritor /
crítico literário. |
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