‘’
SAMPOEMA’’
‘’
Tua geografia
são
duas sílabas
céu
concreto
tua
geografia
são
rostos
lagos
anônimos
de gozo
e morte
a
Paulista
minha
é praia
: ondas
de pressa
e cimento
do
Jaraguá vejo-te: cosmovo
Sampa
é o único
mundo
de quem
perdi o medo
Nu
era
o começo
indistinto
agora
reconheço
alamedas/
janelas
/ quartos
de estória
em
cada
cômodo
um
coito
/ parto
/ falecimento
águas
pútridas / córregos
em
trânsito
/ pirajuçaras
marginais
de rios
mortos
refletindo desespero
cosmoagonia:
Sampa é ducaralho: azar
e sorte
a
vida
não
perdoa: apressa todo
instante
poemizosampa
navalhando névoas
cinzas
nuvens
ilusão
consolação paraíso
saúde
liberdade
jardins
ângelas
marianas leopoldinas no caminho
há uma praça
aclimação
de vilas
madalenas são
judas
: há uma
praça e praça
faz-se árvore
numa igreja
de enforcados
luzes
de horas
insones:
cada
habitante
é uma paisagem
espreitando
esconderijo
duma memória
te
espera
vão
/ vale
/ vereda
/ te
espera
algum
sentido
para
onde
vamos em
alamedas
, becos,
beneditocalixtos? anhagabamentos?
todo
tudo
sempre
é Sampa: aqui
nada
quase
risco
que
corro para
ser
feliz
esquina
por
esquina
senhas
códigos
berros
muros
barras
estaca
meu
cérebro
é onde
: noites
de autorama
madrugadas
mais
darks que
a escuridão
do nada
interlagos
de lágrimas
: engulhos
esgares
vômitos
da
metrópole
essa meretriz
que
comigo
deita
quando
esparramo-me de paisagem
e realizo inteiro
eu
sou o carona
de teus
delírios
fetiches
pesadelos
sampauleira
sampaulisto sampinferno sanparteiro
bandeira
volpianas baratas
forasteiras trens
sobrehumanos traças
uma pá
de cal
estonteio...
o
som
se estreita
/ andróides
/ zumbis
iracemas
da Vieira /
índios
de Moema
incorporo
metálico
estalido:
Sampa é zoom!
disposto
o peito
aberto
a camisa
em
desalinho
Sampa
me
afronta
com
sua
zona
e risco
Sampa
é filme
B / é o Ó entre
brejos
e bronhas
ferozes
volantes
: homens
que
são
mulheres
merda
cercada
de gente
por
todos
os lados
dentro
estou fora
e foda-se o recheio
o
borbagato me
bulina / sinto a maresia
de memória
o
Mar
é longe
/ oceanos
empoçam castelos
de areia
entro
por
grutas
/ grotas
/ elevadores
capengam
shoppings
da babilônia : não
existem ponte
além
de
muretas
guaritas
tiras
do ouro
bandeirante
nada
insiste subsiste uma vista
onde
nunca
se
encaixa
ao mesmo
tempo
ao todo
se situa
onde
mora
o deserto
é menos
só
que
na Augusta
a
chama
tupi
jazz
em
terracota
e taipa
fiespe-se
ou
morra!
a
cidade
onde
pulsam as cinzas
turbinas
em
chamas
/ caldeiras
turbilhão:
miragem
de movimento
gay
caneca
/ os vagões
levam homens
apalpando suas
malas
/ duras penas
/ diamantes
chaminés
diademas
eu
canto
por
que
minha
alma
não
desiste
crio
logo
penso
conhecer
o jogo
reconheço
todas tribos
o
gigante
não
é nada
perto
de nosso
espanto
cruel
argamassa
solitude
que
nos
une
artefatos
/ bólidos
/ hélices
/ inversão
térmica
das cores
Sampa
é asco
que
não
afugenta
náusea
que
me
alucina
Sampa
não
existe está sendo no ato
:
orgasmos
múltiplos
dum gozo
carcomido
Sampa
anda
em
mim
por
via
estreita.’’