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foto: carlos pessoa rosa - visão a partir do Hospital Samaritano

‘’ SAMPOEMA’’

 

 

‘’ Tua geografia são duas sílabas

céu concreto

tua geografia são rostos

lagos anônimos de gozo e morte

a Paulista minha é praia : ondas de pressa e cimento

do Jaraguá vejo-te: cosmovo

Sampa é o único mundo de quem perdi o medo

Nu era o começo indistinto agora reconheço

alamedas/ janelas / quartos de estória

em cada cômodo um coito / parto / falecimento

águas pútridas / córregos em trânsito / pirajuçaras

marginais de rios mortos refletindo desespero

cosmoagonia: Sampa é ducaralho: azar e sorte

a vida não perdoa: apressa todo instante

poemizosampa navalhando névoas cinzas nuvens

ilusão consolação paraíso saúde liberdade jardins

ângelas marianas leopoldinas no caminho há uma praça

aclimação de vilas madalenas são judas : há uma

praça  e praça faz-se árvore numa igreja de enforcados

luzes de horas insones: cada habitante é uma paisagem

espreitando esconderijo duma memória

te espera vão / vale / vereda / te espera algum sentido

para onde vamos em alamedas , becos, beneditocalixtos? anhagabamentos?

todo tudo sempre é Sampa: aqui nada quase

risco que corro para ser feliz esquina por esquina

senhas códigos berros muros barras estaca

meu cérebro é onde : noites de autorama

madrugadas mais darks que a escuridão do nada

interlagos de lágrimas : engulhos esgares vômitos

da metrópole essa meretriz que comigo deita

quando esparramo-me de paisagem e realizo inteiro

eu sou o carona de teus delírios fetiches pesadelos

sampauleira sampaulisto sampinferno sanparteiro

bandeira volpianas baratas forasteiras trens sobrehumanos traças uma pá de cal estonteio...

o som se estreita / andróides / zumbis

iracemas da Vieira /  índios de Moema

incorporo metálico estalido: Sampa é zoom!

disposto o peito aberto a camisa em desalinho

Sampa me afronta com sua zona e risco

Sampa é filme B / é o Ó entre brejos e bronhas

ferozes volantes : homens que são mulheres

merda cercada de gente por todos os lados

dentro estou fora e foda-se o recheio

o borbagato me bulina / sinto a maresia de memória

o Mar é longe / oceanos empoçam castelos de areia

entro por grutas / grotas / elevadores capengam

shoppings da babilônia : não existem ponte além de

muretas guaritas tiras do ouro bandeirante

nada insiste subsiste uma vista onde nunca se

encaixa ao mesmo tempo ao todo se situa

onde mora o deserto é menos só que na Augusta

a chama tupi jazz em terracota e taipa

fiespe-se ou morra!

a cidade onde pulsam as cinzas

turbinas em chamas / caldeiras

turbilhão: miragem de movimento

gay caneca / os vagões levam homens apalpando suas malas / duras penas / diamantes chaminés diademas

eu canto por que minha alma não desiste

crio logo penso conhecer o jogo

reconheço todas tribos

o gigante não é nada perto de nosso espanto

cruel argamassa solitude que nos une

artefatos / bólidos / hélices / inversão térmica das cores

Sampa é asco que não afugenta

náusea que me alucina

Sampa não existe está sendo no ato :

orgasmos múltiplos dum gozo carcomido

Sampa anda em mim por via estreita.’’