| Meiotom - POESIA & PROSA |
‘’ Últimos
de Sodoma.’’
‘’ nenhum
habitante até onda avista: a mulher espreitava e nua em pelo nos
queria: mal nenhum podia abater naquele
instante fora do tempo: faziamos
algo
sem fruto no roçar da epiderme;- negamos o mundo omitindo o que
fosse perpetuidade: as janelas esbatiam, a água cedia e alguns cumes
secos podiam ser pressentidos , os dois
amavamos, não! torcíamos para que
não fossemos tragados até derradeira aurora; a mulher foi por nós
negada: fazia pena com suas estórias, satisfazia seu gosto com
instrumento próprio que lhe cabia:
o
mundo tornava ser dois homens copulando sem malícia.’’
´´Aquela
noite ficara como inseto afixado num âmbar: minha memória engatinha
no sentido amplo dos detalhes: basta uma noite venturoso tendo o mar
como leito para desdobrar-se toda estória duma vida: ele nu me
chamando na praia escura foi a visão que
delineei do paraíso terrestre; o som da cidade esbatia, sotavento,
enquanto me desnudava tendo garantido o monte onde aprumava incerta
minha roupa; voltei ao instante da partida com meu homem mais
adentro das ondas; senti-me seguro para restituir plano terrestre a
feitura dos anjos: magma vulcânico esfriado, rio caudaloso, maresia
nos meus poros entranhando a alma de esperma caudaloso do oceano
burbulhando
verão
, e senti enorme poder de meu desejo sem mais esporas.
Nenhum
adjetivo retêm
o sabor de nossa substância: fomos gregos, nossos membros se
encontraram, senti a naja perpassar como navalha a dorsal espera de
meses daquela ausência: a penetração é como um parto avesso. O
sentido do corpo é véspera da irremediável lembrança: tenho teu
sorriso como referência e a hora da
confissão de amor que só dita por êxtase e nele a verdade faz-se
também gozo do teu membro. Teu corpo agora passado é maior que a
substância daquele instinto: esquadro um holograma aéreo e vejo-te
em todos lugares depois pousas-te num
átimo o arpão nesse peixe sedento que era esvoaçando no prazer que
ia-se me rasgando. Havia micrologias,
pequenos hiatos em nosso envolvimento, retive-os todos desde o
parapeito ‘a rebentação no precipício ‘as espumas entre teu feixe
pubiano: a felação é sagrada como a
tentativa do pensamento. Quando juntos faço um Vida, tira a ilusão
de outro contato: em ti todos os homens tem
um pedaço e formo o primordial. Tuas formas que obedecem as funções
inauditas que só eu em minha sodomização
claudicante sou capaz de refazer como quem interpõem anarquia no
reino obviedade. Macerado, compungido, entra-me e vou permitindo em
minhas vísceras possibilidades de
ejaculação recíproca: agora que permanecido dentro de mim, sem o
trauma do espetacular transpasse. Enleado, assim te retenho:
tirei-te do útero, corporifiquei a anti-vulva:
sou um corpo que se estilhaça para que te componhas
Concentração, seleção: encavernamos. O
que sucede, o que passa , todo foi
deixado na funcionalidade matriarcal dos lares: sou um lago puto
onde passeias, onde bordas. Desabrocho, rasgas-te a rosa e entronizo
uma só cor da
carnatura
reajuntada das pétalas. Conto a
não-presença, nunca a distância:
deixas-te
a dor como saudade da alegria. Nunca desisti de teu
significado , não te nomeio Amor: você é
o que carrego sem sossego, a fenomenologia do meu trajeto desperto.
Como meus pés sugados no Oceano, fiz-me esponja: traguei-te.
Turbilhão
que suporto, feixe que apascento, homem que
digita-se na minha costela tornado Adão
indivizível. Quando estava em mim delimitei todo espaço do
universo em minhas coxas conformadas em dramática certeza. Quando
puses-te-me
em mim implodimos o gênese: refizemos o éden. Que me invente de novo
, dissipação que nos define , somos ferozes tolos num céu adejando
sem trâmites: depois do fórceps través da ossatura que se moldava ao
teu abraço carcomendo minhas defesas
nunca
terá fim o que nomeei pela língua: tua glande, teus pêlos ruivos,
tua boca que não fugia do tanto sentimento que te punhas. Teus dedos
me apontando a infinidade de carícias: teu rosto que aprecio
amaciado no infortúnio de todas tuas defesas ao amor de outro homem
que se faz teu corpo de tanto que te desejas. Em ti nenhum fluído é
interdito: nada repugna, fascínio tuas
marcas e primeiros fios brancos que dizem de nossa ancestral afeição
e maturidade compartilhada. O sentimento profundo enobrece, isola;
há um púlpito invisível quando do nosso enlace. O tempo vela nossa
geologia compartida. A grande falta é dizer-me ,
falar-me por ti; tudo é convicção do retorno: nada como ultrapasse o
liame que nos rompe o nexo. Realidade ,
flor murcha dum jardim ausente. Quem dera fosse todo Universo a
primavera dum tronco oco, advento dum animal estranho adentrando o
espetáculo como fera e enternecido
quisesse fazer amor toda esfera. Anulamos a
discórdia : discórdia dos corpos :
nossos
poros não estranhos ao firmamento. ´´
´´A
infindável distância / a irascível /
irreverssível disposição / desproporção / nunca te pedem ódio
por serem complacentes demais com tua estupidez
.
A vez do
outro é um dano que engoles / queres ser tu / o detentor da honra /
do
acerto / senhor da fatalidade. A vida esticava-se como material
sendo polido, coisas esboçadas como a estrela marinha que
milimetricamente desprende-se dum castelo de
areia : o tosco afinado pelo imperceptível : o corpo do homem
era refeito pela minha atenção que punha e minha atenção é seu
retoque , realce , sublimidade, remoinho de gosto: quando cingia sua
nuca e pescoço
era
o ápice dizendo que o Amor chegara as alturas : nosso abraço era um
clássico da afeição: nada mais subversivo que a sodomia , irmã
epidérmica da Arte: faz-se gozo pelo gozo,
imanece, soa grandiosa para o silêncio. Quando me
toca , um arpejo : sou Lázaro cada noite
onde o Mar nos pega em flagrante delito contra o hábito de escolher
flores pára os mesmo vazos. A
experiência e seus labores : nossa almas
mais se aproximam do Ideal: totalidade. Nosso jogo é uma
álgebra : vamos com a imprecisão de ondas
trançando equações ao raciocínio : não é da conta do raciocínio a
incerteza das vagas. Não há amor que chegue para o amor.
Mordisquei, ele me ampara, ainda a estrela do mar ou um junco posto
fora ao Mar : o ventre anêmona : a face
plácida : sei que o amor mora onde a beleza exclama e diz :
da-se em deixa ao murmúrio seco , longe
de todo olhar espanto : dá-se em dália ou gomo. Um mar sem
estrelas : a mulher foi posta fora do
nosso Paraíso ; somos aqueles faróis que se iluminam de ardor e
desespero acalentado de sombra e magia. ´´
´´Ninguém
não dizendo nada . Respeitamos a voz da
hora. Torna-se preciso ter-se muito vigor,
muito juízo para trazer a vida no equilíbrio de nossos dedos. O
corpo ampliado pelos pedidos da Alma nunca torna ao tamanho de
origem: vai espargindo suas dobras como
carnatura vegetalizada: amando
árvores e seixos,
canais
lúgubres que se encantam no dobre de sinos do Oceano. A vida é
quando se escolhe o dia ou o jogo. Que a minha embriaguez não seja
esquecimento. Vigil
: atento até ao inessencial ainda
não encasulado . Estranheza original no
crepúsculo : emersão no elementar , só o Mar permite o nada
que excede o nexo. Qual sentido dos conhecimentos? Olhares? O saber
invertebrado: a razão que inventa
sensações que bem poderiam ser antecipadas com mais propriedade
pelos sentidos em sua inteireza de fogo-fátuo. Há uma solidão na
aurora como gladiador fragilizado as portas das feras no Coliseu:
que ruminou toda madrugada o desespero da carnificina que ao seu
termo dilacera todo medo que justifica esse espanto. Os cárceres da
imensidão A face do morto nos diz sutilezas
insofismáveis . A beleza do homem e do Mar são antídotos
contra o vazio que sucede a expansão oca das galáxias. Estou
trepando com Deus ultimamente : escrever
é parir buracos negros. Dois homens nus na madrugada do
Universo.´´