REFÚGIO
PRONUNCIADO
Acompanho a vigência
da chama
ondulando a paisagem
de teu corpo.
Para cada ângulo de
meu olhar
tens um extravio
pronto, um alvo
a insinuar-se lento
enquanto me lês
por trás de arbustos
e restos de luz.
De onde me
vês mil símbolos buliçosos
se agitam despindo
abismos e órbitas:
seios que soluçam
correnteza abaixo,
letras úmidas do
barro em que modelas
teu arcanjo rebelado
em meu ventre.
Desata-me na medida
de teus dons.
A todo instante
erramos as páginas,
braços e pedras,
dessa casa invisível.
poema &
imagem: floriano martins
agosto de
2007