INVIOLÁVEL
TEMPESTADE
Comoção de letras ao
pé de cada espelho,
refúgio a deslocar-se
de uma pedra a outra
do seio ao joelho, do
calcanhar ao queixo.
O que nos deixa de
fora da mesa anunciada
não é o limite do
fogo ou a vigília da fome.
Vestido tatuado na
languidez do penhasco,
rosto entrevisto ao
beijar-lhe a ausência.
Miséria regida por um refrão
perturbado.
Sento-me ao teu lado
para que te repitas,
e desocupes a
essência de toda superstição.
Um deslizamento de
ossos reabre as janelas.
Eu não me sinto bem esta noite ao
teu lado.
Se um de nós esquece
de morrer não há jeito:
não vejo por onde o
mundo retomar sua queda.
poema &
imagem: floriano martins
agosto de
2007