Meiotom - poesia


 

 

floriano martins

INVIOLÁVEL TEMPESTADE
 
 
Comoção de letras ao pé de cada espelho,
refúgio a deslocar-se de uma pedra a outra
do seio ao joelho, do calcanhar ao queixo.
O que nos deixa de fora da mesa anunciada
não é o limite do fogo ou a vigília da fome.
Vestido tatuado na languidez do penhasco,
rosto entrevisto ao beijar-lhe a ausência.
Miséria regida por um refrão perturbado.
Sento-me ao teu lado para que te repitas,
e desocupes a essência de toda superstição.
Um deslizamento de ossos reabre as janelas.
Eu não me sinto bem esta noite ao teu lado.
Se um de nós esquece de morrer não há jeito:
não vejo por onde o mundo retomar sua queda.

poema & imagem: floriano martins
agosto de 2007